<?xml version="1.0" encoding="UTF-8" ?><rss version="2.0"><channel><title>Filosofia Clinica - Instituto Sul Catarinense</title><description>Artigos publicados no site www.filosofiaclinicasc.com.br</description><link>http://www.filosofiaclinicasc.com.br/</link><item><title>Prisão</title><link>http://www.filosofiaclinicasc.com.br/artigo/pris-o-114</link><guid>http://www.filosofiaclinicasc.com.br/artigo/pris-o-114</guid><description>&lt;p class=&#039;legenda&#039;&gt;&lt;img src=&#039;http://www.filosofiaclinicasc.com.br/image/YTozOntzOjU6IndpZHRoIjtpOjQyNjtzOjc6ImVubGFyZ2UiO2k6MTtzOjM6InNyYyI7czozMjoiaW1hZ2Vucy9ub3RpY2lhcy9ub3RpY2lhXzExNC5qcGciO30=/img.jpg&#039; alt=&#039;Prisão&#039; /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;
	Querido leitor, que voc&amp;ecirc; esteja vivendo livre. Nosso tema hoje &amp;eacute; sobre pris&amp;atilde;o. &lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Nessa minha saga de estudar Emmanuel L&amp;eacute;vinas, deparei-me com o Talmude, que &amp;eacute; um livro sagrado dos judeus constantemente usado pelos rabinos. Importante esclarecer que rabino quer dizer professor, mestre. &lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	E &amp;eacute; dele, do Talmud, que retirei sobre &amp;ldquo;O Sofrimento In&amp;uacute;til&amp;rdquo;, que diz assim: &lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	&amp;ldquo;Hanina caiu doente e Yohanan foi visit&amp;aacute;-lo e perguntou-lhe: teus sofrimentos te conv&amp;ecirc;m? - Nem eles, nem as recompensas que prometem. - D&amp;aacute;-me tua m&amp;atilde;o, disse ent&amp;atilde;o o visitante ao enfermo. E o visitante o levanta da sua cama. Mas, depois, eis que o pr&amp;oacute;prio Yohanan cai doente e &amp;eacute; visitado por Hanina. Mesma quest&amp;atilde;o: Teus sofrimentos te conv&amp;ecirc;m? - Nem eles, nem as recompensas que prometem. - D&amp;aacute;-me tua m&amp;atilde;o, disse ent&amp;atilde;o o visitante ao enfermo. D&amp;aacute;-me a m&amp;atilde;o, diz Hanina e levanta Yohanan da sua cama. Quest&amp;atilde;o: Yohanan n&amp;atilde;o podia se levantar sozinho? Resposta: O prisioneiro n&amp;atilde;o poderia libertar-se sozinho de sua pris&amp;atilde;o&amp;rdquo;. &lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Neste texto com oito linhas, muita filosofia, muita sabedoria, muita simplicidade. Para mim, uma met&amp;aacute;fora bel&amp;iacute;ssima: quantas vezes ca&amp;iacute;mos, quantas vezes entramos nessas pris&amp;otilde;es e n&amp;atilde;o podemos sair? Mais do que isso, ficamos trancafiados e caminhando em c&amp;iacute;rculos sem algu&amp;eacute;m para nos retirar da pris&amp;atilde;o a que n&amp;oacute;s mesmos nos metemos. &lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Estas pris&amp;otilde;es podem ser a da partilhante que s&amp;oacute; consegue sentir o &amp;oacute;dio de uma separa&amp;ccedil;&amp;atilde;o n&amp;atilde;o compreendida. Aqui, os 20 anos de casamento se resumem equivocadamente em um &amp;uacute;nico sentimento. Do jovem que depois de um namoro de quase tr&amp;ecirc;s anos cai na droga depois que viu sua ex-namorada ficando com outro rapaz. Da empresa que faliu e virou uma depress&amp;atilde;o do fundador. &lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Pris&amp;atilde;o, para mim, &amp;eacute; tudo aquilo que usamos como muleta quando n&amp;atilde;o enfrentamos respons&amp;aacute;vel e maduramente uma situa&amp;ccedil;&amp;atilde;o. A demiss&amp;atilde;o da empresa, a perda de uma pessoa pr&amp;oacute;xima e querida, enfim, fatos e situa&amp;ccedil;&amp;otilde;es n&amp;atilde;o t&amp;atilde;o simples assim, pois s&amp;oacute; quem sente &amp;eacute; quem sabe, mas pode se tornar simples na medida em que encontro a chave para abrir as portas e sair dessa pris&amp;atilde;o. Muitas vezes a chave n&amp;atilde;o est&amp;aacute; com a pessoa, pois ela se encontra presa em sua cela e n&amp;atilde;o consegue ver outros horizontes, al&amp;eacute;m daquele projetado em sua mente. &lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Muitas vezes projetamos a chave da nossa liberta&amp;ccedil;&amp;atilde;o no esposo ou esposa, que &amp;eacute; quem realmente vai me libertar, achando que essa pessoa &amp;eacute; a respons&amp;aacute;vel pela minha felicidade. Pode ser meu colega de trabalho que n&amp;atilde;o faz a sua parte, meu irm&amp;atilde;o que se joga nas cordas e se faz de louco, deixando tudo para mim. &amp;Eacute; prov&amp;aacute;vel que o outro, fonte onde buscamos a chave para sair, tamb&amp;eacute;m n&amp;atilde;o possa nos ajudar porque tamb&amp;eacute;m est&amp;aacute; preso. E, sabemos, &amp;eacute; muito dif&amp;iacute;cil algu&amp;eacute;m dar algo que n&amp;atilde;o tem. &lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Mais do que estar na pris&amp;atilde;o, &amp;eacute; preciso se perceber nela. Algumas vezes, &amp;eacute; claro, a chave pode ser acionada por mim, mas na maioria das vezes &amp;eacute; acionada por um terceiro, um terapeuta atento. Mas tanto numa situa&amp;ccedil;&amp;atilde;o quanto na outra, a chave est&amp;aacute; dentro de cada um de n&amp;oacute;s, apenas n&amp;atilde;o sabemos onde achar ou ent&amp;atilde;o que gavetas de nossa estrutura de pensamento ela se encontra. &lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	&amp;Eacute; assim como o mundo me parece hoje. E voc&amp;ecirc;, o que pensa sobre pris&amp;atilde;o? &lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	&lt;em&gt;Beto Colombo&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;
	_______________________________________________________________________________&lt;br /&gt;
	&lt;em&gt;Artigo veiculado na R&amp;aacute;dio Som Maior FM no dia 09/05/2012 e no Jornal A Tribuna no dia 10/05/2012.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
</description><author>Instituto Sul Catarinense de Filosofia Clínica</author><pubDate>Wed, 09 May 2012 16:44:00 -0300</pubDate></item><item><title>Periódico Existencial</title><link>http://www.filosofiaclinicasc.com.br/artigo/peri-dico-existencial-113</link><guid>http://www.filosofiaclinicasc.com.br/artigo/peri-dico-existencial-113</guid><description>&lt;p class=&#039;legenda&#039;&gt;&lt;img src=&#039;http://www.filosofiaclinicasc.com.br/image/YTozOntzOjU6IndpZHRoIjtpOjQyNjtzOjc6ImVubGFyZ2UiO2k6MTtzOjM6InNyYyI7czozMjoiaW1hZ2Vucy9ub3RpY2lhcy9ub3RpY2lhXzExMy5qcGciO30=/img.jpg&#039; alt=&#039;Periódico Existencial&#039; /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;
	Uma discuss&amp;atilde;o a respeito de mente e c&amp;eacute;rebro acabou levando a uma discuss&amp;atilde;o sobre se as doen&amp;ccedil;as realmente existem ou n&amp;atilde;o. Eu, e talvez voc&amp;ecirc;, conhecemos pessoas que j&amp;aacute; tiveram um problema de sa&amp;uacute;de e que, ap&amp;oacute;s muitos exames, nada foi diagnosticado, pessoas que percorreram um longo caminho na medicina e nenhum causador org&amp;acirc;nico foi encontrado. Esse &amp;eacute; o caso do problema que envolve a mente e o c&amp;eacute;rebro.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	O c&amp;eacute;rebro &amp;eacute; considerado nosso principal &amp;oacute;rg&amp;atilde;o, onde fica o centro do sistema nervos. &amp;Eacute; um &amp;oacute;rg&amp;atilde;o extremamente complexo, que nas &amp;uacute;ltimas d&amp;eacute;cadas vem sendo largamente estudado e mapeado. Estes estudos t&amp;ecirc;m v&amp;aacute;rios objetivos, entre os quais entender o funcionamento do c&amp;eacute;rebro e, a partir disto, construir diversos mecanismos que facilitem a fabrica&amp;ccedil;&amp;atilde;o de rem&amp;eacute;dios que possam ter o efeito desejado para as mais diversas doen&amp;ccedil;as que o afetam. H&amp;aacute; ainda o interesse em desvendar a forma como o c&amp;eacute;rebro funciona, mecanicamente, e talvez aplicar o seu sistema a um computador.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Mente &amp;eacute; o estado da consci&amp;ecirc;ncia ou subconsci&amp;ecirc;ncia que possibilita a express&amp;atilde;o da natureza humana, segundo o site Wikip&amp;eacute;dia. Mas, em diversas bibliografias, podem ser encontradas outras defini&amp;ccedil;&amp;otilde;es. Segundo a defini&amp;ccedil;&amp;atilde;o acima citada, a mente &amp;eacute; um estado, ou seja, uma manifesta&amp;ccedil;&amp;atilde;o de algo, org&amp;acirc;nico ou n&amp;atilde;o. Quando digo que estou feliz, segundo minhas viv&amp;ecirc;ncias, estou vivendo um estado de esp&amp;iacute;rito, isto &amp;eacute; uma viv&amp;ecirc;ncia da mente. Desta maneira a intera&amp;ccedil;&amp;atilde;o entre a mente e o c&amp;eacute;rebro &amp;eacute; o que faz um ser humano algo completo.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Essa problem&amp;aacute;tica mente e c&amp;eacute;rebro lembra as doen&amp;ccedil;as das quais n&amp;atilde;o encontramos motivos aparentes, org&amp;acirc;nicos. Muitos dos males que vivemos no corpo t&amp;ecirc;m suas origens na exist&amp;ecirc;ncia que temos. Quando eu, voc&amp;ecirc;, sua esposa ou esposo, vivem sob press&amp;atilde;o, como alguns dizem, &amp;ldquo;no fio da navalha&amp;rdquo;, como &amp;eacute; que o corpo reage? Para muitos nada acontece, mas para alguns o corpo adoece, mesmo com dietas corretas, rem&amp;eacute;dios corretos, a doen&amp;ccedil;a do corpo &amp;eacute; apenas um sintoma de um mal existencial.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Muitos de n&amp;oacute;s estamos existencialmente doentes, o corpo apenas avisa, quando assim &amp;eacute; poss&amp;iacute;vel. Mas, pela facilidade, falta de conhecimento, desleixo, comodismo, acabamos apelando para a medica&amp;ccedil;&amp;atilde;o qu&amp;iacute;mica como modo de solu&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Um c&amp;acirc;ncer que devora aos poucos nossa exist&amp;ecirc;ncia &amp;eacute; tratado com Rivotril. Isso n&amp;atilde;o parece certo, mas &amp;eacute; dessa maneira que se procede com frequ&amp;ecirc;ncia. Muitos casos chegam a procurar ajuda, mas v&amp;atilde;o depois que o mal j&amp;aacute; se espalhou tanto que s&amp;oacute; existe a possibilidade de remediar. N&amp;atilde;o h&amp;aacute; mais como voltar atr&amp;aacute;s e reajustar tudo o que ficou pelo caminho.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Olhando para a sua hist&amp;oacute;ria, para o que vem fazendo no seu dia-a-dia, os rem&amp;eacute;dios que anda tomando ou deveria tomar, estes podem ser os alertas de que &amp;eacute; preciso mudar. Mudar n&amp;atilde;o quer dizer deixar de ser quem somos, mas fazer o que sempre fizemos de maneira diferente, mais adequada a n&amp;oacute;s mesmos. Os males da exist&amp;ecirc;ncia podem ser identificados, assim como os males do corpo. Mas tanto um quanto o outro devem ser tratados. &lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	&amp;Eacute; espantoso o quanto se fala de medicina preventiva para o corpo e o quanto n&amp;atilde;o se fala de medicina preventiva para a mente. Todos fazemos exames m&amp;eacute;dicos antes de assumir um emprego numa empresa, mas n&amp;atilde;o fazemos exames existenciais para saber se estamos existencialmente prontos, preparados para este emprego. Nosso corpo pode estar preparado para uma maratona, mas nossa mente pode n&amp;atilde;o estar e provavelmente sairemos perdedores. Dever&amp;iacute;amos pensar mais na vida mental e tamb&amp;eacute;m procurar um profissional para fazer um exame de rotina. A mente pode e em muitos casos &amp;eacute; quem comanda a vida, se ela n&amp;atilde;o estiver bem, provavelmente nossa vida n&amp;atilde;o estar&amp;aacute; bem.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Rosemiro A. Sefstrom&lt;/p&gt;
</description><author>Instituto Sul Catarinense de Filosofia Clínica</author><pubDate>Wed, 02 May 2012 12:27:00 -0300</pubDate></item><item><title>Ir ao Mundo do Outro</title><link>http://www.filosofiaclinicasc.com.br/artigo/ir-ao-mundo-do-outro-112</link><guid>http://www.filosofiaclinicasc.com.br/artigo/ir-ao-mundo-do-outro-112</guid><description>&lt;p class=&#039;legenda&#039;&gt;&lt;img src=&#039;http://www.filosofiaclinicasc.com.br/image/YTozOntzOjU6IndpZHRoIjtpOjQyNjtzOjc6ImVubGFyZ2UiO2k6MTtzOjM6InNyYyI7czozMjoiaW1hZ2Vucy9ub3RpY2lhcy9ub3RpY2lhXzExMi5qcGciO30=/img.jpg&#039; alt=&#039;Ir ao Mundo do Outro&#039; /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;
	Querido leitor, paz! Desde que passei diariamente a falar na R&amp;aacute;dio Som Maior, muitas pessoas que me encontram debatem na rua, fazendo suas pondera&amp;ccedil;&amp;otilde;es, assim como tamb&amp;eacute;m fazem sugest&amp;otilde;es de temas e, geralmente, os acolho. Hoje, por exemplo, vou falar de um tema sugerido pela xar&amp;aacute; Albertina Manenti Silvestrini. &lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Refiro-me ao livro &amp;ldquo;Opera&amp;ccedil;&amp;atilde;o Cavalo de Tr&amp;oacute;ia&amp;rdquo;, de JJ Benitez, lan&amp;ccedil;ado em 1984, que conta que no fim da vida, em seu ref&amp;uacute;gio no M&amp;eacute;xico, um militar e cientista da For&amp;ccedil;a A&amp;eacute;rea estadunidense confia a ele documentos que, surpreendentemente, revelam a execu&amp;ccedil;&amp;atilde;o de uma experi&amp;ecirc;ncia que lhe permitiu voltar no tempo. Na verdade, retornar quase dois mil anos e ser testemunha ocular e participante dos &amp;uacute;ltimos dias de Jesus Cristo na terra. Ele foi testemunha de sua entrada em Jerusal&amp;eacute;m, de sua pris&amp;atilde;o, julgamento, crucifica&amp;ccedil;&amp;atilde;o e ressurrei&amp;ccedil;&amp;atilde;o. &lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Esta experi&amp;ecirc;ncia, batizada pela NASA de &amp;ldquo;Opera&amp;ccedil;&amp;atilde;o Cavalo de Tr&amp;oacute;ia&amp;rdquo;, teria sido realizada sigilosamente em 1973, em pleno cora&amp;ccedil;&amp;atilde;o de Israel. O major chamava esta experi&amp;ecirc;ncia prodigiosa de &amp;ldquo;a grande viagem&amp;rdquo;. Esta viagem exigia a aceita&amp;ccedil;&amp;atilde;o e cumprimento de algumas regras na qual pretendo refletir com voc&amp;ecirc;s, meus ouvintes: &lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	A primeira regra era que os exploradores n&amp;atilde;o podiam, sob nenhum pretexto, nem sequer de sobreviv&amp;ecirc;ncia, mudar ou influir nos homens, grupos sociais ou circunst&amp;acirc;ncia. Resumindo: a hist&amp;oacute;ria n&amp;atilde;o poderia ser modificada. J&amp;aacute; a segunda regra era de que os &amp;ldquo;grandes viajantes&amp;rdquo; n&amp;atilde;o poderiam levar nem trazer nada do mundo do outro. Afinal de contas, suas miss&amp;otilde;es n&amp;atilde;o eram julgar as pessoas ou os acontecimentos, mas sim, observar e ser testemunha. &lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Boa parte dos meses anteriores &amp;agrave; viagem, o major se dedicou a estudar a l&amp;iacute;ngua falada por Cristo, o aramaico ocidental ou galileo. O major n&amp;atilde;o quis se aprofundar muito nos textos b&amp;iacute;blicos, para enfrentar os fatos sem ideias preconcebidas e de esp&amp;iacute;rito aberto, com a obriga&amp;ccedil;&amp;atilde;o de observar e transmitir a verdade daqueles dias, conservando uma atitude limpa e desprovida de pr&amp;eacute;-juizos. Tanto a nave chamada de &amp;ldquo;ber&amp;ccedil;o&amp;rdquo;, quanto o major foram revestidos com uma pel&amp;iacute;cula protetora para evitar que germes fossem ingressados em outro tempo e em outras pessoas. &lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Durante a releitura desta obra, agora com o olhar filos&amp;oacute;fico cl&amp;iacute;nico, me peguei pensando nas vezes que vamos ao mundo do outro com a pretens&amp;atilde;o de influenciar na sua hist&amp;oacute;ria de vida, &amp;agrave;s vezes com conselhos, fofocas. Quantas vezes vamos ao mundo do outro com a pretens&amp;atilde;o de torn&amp;aacute;-los a nossa imagem e semelhan&amp;ccedil;a. Das vezes que vamos ao mundo do outro como ju&amp;iacute;zes e, pior, com a senten&amp;ccedil;a pronta. &lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Que direitos temos de ir ao mundo do outro levando nossos germes? Ser&amp;aacute; que temos o direito de ir ao mundo do outro levando nossos problemas, nosso mau humor, nossas queixas? &lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Lembro-me dos meus primeiros dias de est&amp;aacute;gio como aprendiz de fil&amp;oacute;sofo cl&amp;iacute;nico o quanto foi dif&amp;iacute;cil exercitar o ouvido atendo, me dedicando em apenas ouvir a hist&amp;oacute;ria de vida do partilhante sem interferir, sem agendar, sem julgar, sem interromper para simplesmente n&amp;atilde;o mudar o curso da hist&amp;oacute;ria do meu partilhante. &lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Para mim como pai, para voc&amp;ecirc; como m&amp;atilde;e, como vamos ao mundo dos nossos filhos? Voc&amp;ecirc; professor, empres&amp;aacute;rio, comerciante, pol&amp;iacute;tico... Quem &amp;eacute; o outro e como vamos aos seus mundos? O outro, para Emanuel L&amp;eacute;vinas, &amp;eacute; solo sagrado e n&amp;atilde;o podemos adentrar nesse solo levando as sujeiras de nossas sand&amp;aacute;lias. &lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	&amp;Eacute; assim como o mundo me parece hoje. E voc&amp;ecirc;, o que pensa sobre ir ao mundo do outro? &lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	&lt;em&gt;Beto Colombo&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;
	_________________________________________________&lt;br /&gt;
	&lt;em&gt;Artigo veiculado na R&amp;aacute;dio Som Maior FM no dia 26/04/2012 e no Jornal A Tribuna no dia 27/04/2012&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
</description><author>Instituto Sul Catarinense de Filosofia Clínica</author><pubDate>Thu, 26 Apr 2012 16:46:00 -0300</pubDate></item><item><title>Suicídio</title><link>http://www.filosofiaclinicasc.com.br/artigo/suic-dio-111</link><guid>http://www.filosofiaclinicasc.com.br/artigo/suic-dio-111</guid><description>&lt;p class=&#039;legenda&#039;&gt;&lt;img src=&#039;http://www.filosofiaclinicasc.com.br/image/YTozOntzOjU6IndpZHRoIjtpOjQyNjtzOjc6ImVubGFyZ2UiO2k6MTtzOjM6InNyYyI7czozMjoiaW1hZ2Vucy9ub3RpY2lhcy9ub3RpY2lhXzExMS5qcGciO30=/img.jpg&#039; alt=&#039;Suicídio&#039; /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;
	J&amp;aacute; estive envolvido em muitas conversas sobre suic&amp;iacute;dio, na maior parte delas surge uma pessoa que afirma: &amp;ldquo;A pessoa que se suicida, nada mais quer do que matar alguma coisa em si&amp;rdquo;. Para quem diz isto, o suicida na verdade quer apenas se desfazer de algo em si mesmo. No entanto, como o ser humano &amp;eacute; um todo e n&amp;atilde;o h&amp;aacute; a possibilidade de separar apenas a parte que a pessoa n&amp;atilde;o suporta mais, o suic&amp;iacute;dio acontece. Estas pessoas, por n&amp;atilde;o saberem como matar, ou seja, retirar de si aquilo que as aflige, acabam por retirar a vida corporal. &lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Em Filosofia Cl&amp;iacute;nica, o entendimento &amp;eacute; de que o ser humano &amp;eacute; um todo, mas este todo &amp;eacute; constitu&amp;iacute;do de partes, algumas mais e outras menos divis&amp;iacute;veis. Quando um fil&amp;oacute;sofo cl&amp;iacute;nico interage com uma pessoa no consult&amp;oacute;rio ele a observa como um todo, ou seja, como uma pessoa que lhe procurou. Mas, ao longo do processo ele coleta a hist&amp;oacute;ria de vida da pessoa e com esta hist&amp;oacute;ria monta o que chamamos de Estrutura de Pensamento. Esta estrutura nada mais &amp;eacute; do que o conte&amp;uacute;do da hist&amp;oacute;ria compartimentado segundo sua peculiaridade. Desse modo, o que a pessoa diz de si mesmo &amp;eacute; o t&amp;oacute;pico 02. O que a pessoa disser no consult&amp;oacute;rio a respeito de medo, amor, &amp;oacute;dio, alegria, etc., s&amp;atilde;o conte&amp;uacute;dos, por exemplo que ser&amp;atilde;o categorizados por emo&amp;ccedil;&amp;otilde;es. &lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	A montagem a Estrutura de Pensamento leva em conta trinta t&amp;oacute;picos, ou seja, trinta identidades diferentes que o conte&amp;uacute;do da hist&amp;oacute;ria de vida da pessoa pode ter. Esses trinta t&amp;oacute;picos podem estar em rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o harmoniosa, quando a pessoa sente-se bem, vive um bem estar subjetivo. Mas, estes conte&amp;uacute;dos tamb&amp;eacute;m podem estar em choque e quando isso acontece diz-se que h&amp;aacute; choque entre t&amp;oacute;picos. Seria o caso de uma pessoa que tem medos terr&amp;iacute;veis de ficar sozinha, mas n&amp;atilde;o consegue manter o casamento. O mal estar subjetivo vai ser mais ou menos evidente de acordo com cada pessoa, algumas podem estar morrendo por dentro, mas nem a pessoa mais pr&amp;oacute;xima perceber&amp;aacute;.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Quando dois t&amp;oacute;picos entram em choque, em algum t&amp;oacute;pico da Estrutura de Pensamento a press&amp;atilde;o aparecer&amp;aacute;. O exemplo mais corriqueiro &amp;eacute; aquele em que o empres&amp;aacute;rio tem uma s&amp;eacute;rie de decis&amp;otilde;es para tomar, mas n&amp;atilde;o sabe se o resultado ser&amp;aacute; bom ou ruim &amp;agrave; empresa. Isso o incomoda por alguns dias e logo lhe aparecem aftas na boca, outros t&amp;ecirc;m gastrite, alguns emagrecem e assim ser&amp;aacute; diferente para cada pessoa. No exemplo acima, o choque entre dois t&amp;oacute;picos causou uma press&amp;atilde;o nas sensa&amp;ccedil;&amp;otilde;es que apareceram em forma de afta, gastrite ou emagrecimento.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Retomando o caso do suic&amp;iacute;dio, agora conhecendo um pouco mais de Filosofia Clinica, a pessoa pode sim, querer tirar apenas uma parte dela e por isso acaba tirando a pr&amp;oacute;pria vida. Mas, assim como um cirurgi&amp;atilde;o corta e retira do corpo um n&amp;oacute;dulo, tamb&amp;eacute;m &amp;eacute; poss&amp;iacute;vel que o fil&amp;oacute;sofo ao longo de um trabalho terap&amp;ecirc;utico retire da pessoa aquilo que tanto lhe faz mal. Para algumas pessoas, a terapia parece n&amp;atilde;o ser a solu&amp;ccedil;&amp;atilde;o para o seu problema, mas pedir ajuda, significa entender que muitas vezes na vida &amp;eacute; preciso caminhar acompanhado.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Tudo o que est&amp;aacute; escrito acima sobre o suic&amp;iacute;dio &amp;eacute; apenas uma das possibilidades, fa&amp;ccedil;o quest&amp;atilde;o de deixar claro que n&amp;atilde;o existem duas pessoas iguais. Para muitas pessoas, o suic&amp;iacute;dio ser&amp;aacute; totalmente diferente do que est&amp;aacute; acima, podemos lembrar o caso de Get&amp;uacute;lio Vargas que em carta deixou registrado o que foi o suic&amp;iacute;dio para ele: &amp;ldquo;Eu vos dei a minha vida. Agora ofere&amp;ccedil;o a minha morte. Nada receio. Serenamente dou o primeiro passo no caminho da eternidade e saio da vida para entrar na hist&amp;oacute;ria.&amp;rdquo;&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Rosemiro A. Sefstrom&lt;/p&gt;
</description><author>Instituto Sul Catarinense de Filosofia Clínica</author><pubDate>Wed, 18 Apr 2012 13:01:00 -0300</pubDate></item><item><title>Quem Somos Nós?</title><link>http://www.filosofiaclinicasc.com.br/artigo/quem-somos-n-s-110</link><guid>http://www.filosofiaclinicasc.com.br/artigo/quem-somos-n-s-110</guid><description>&lt;p class=&#039;legenda&#039;&gt;&lt;img src=&#039;http://www.filosofiaclinicasc.com.br/image/YTozOntzOjU6IndpZHRoIjtpOjQyNjtzOjc6ImVubGFyZ2UiO2k6MTtzOjM6InNyYyI7czozMjoiaW1hZ2Vucy9ub3RpY2lhcy9ub3RpY2lhXzExMC5qcGciO30=/img.jpg&#039; alt=&#039;Quem Somos Nós?&#039; /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;
	Querido leitor, que voc&amp;ecirc; esteja em paz. Nosso artigo hoje &amp;eacute; sobre uma quest&amp;atilde;o que atravessa gera&amp;ccedil;&amp;otilde;es e chega a nossos dias sem uma resposta conclusiva: Quem somos n&amp;oacute;s? Trazendo para a primeira pessoa do singular, pode-se perguntar: quem sou eu? &lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Quantos de n&amp;oacute;s pensa que &amp;eacute; a sua profiss&amp;atilde;o? Eu sou padre, pedreiro, advogado, jornalista, m&amp;eacute;dico, carpinteiro, enfim, ele fala que &amp;eacute; aquilo que faz profissionalmente. Talvez, pior do que isso &amp;eacute; nunca sair do salto ou deixar esse papel nem que seja por alguns momentos. &lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	O professor, por exemplo, deixa de ser aluno e aprender, pois se fecha no papel de ensinar e n&amp;atilde;o se abre para aprender. O empres&amp;aacute;rio trabalha o tempo todo em que est&amp;aacute; em vig&amp;iacute;lia e continua na sua fun&amp;ccedil;&amp;atilde;o mesmo quando dorme. &lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Lembro-me que recentemente, em um s&amp;aacute;bado final da tarde, estava caminhando na beira-mar, em Florian&amp;oacute;polis, quando encontro a paisagista que contratamos para nos ajudar a embelezar nossa casa. Insens&amp;iacute;vel, ela veio ao meu encontro e logo come&amp;ccedil;ou a falar de trabalho. &amp;ldquo;Quero tua permiss&amp;atilde;o para trocar aquelas mudas de rosas, pois elas s&amp;atilde;o sazonais, quero troc&amp;aacute;-las por perenes&amp;rdquo;, comentou. &amp;ldquo;O que est&amp;aacute;s dizendo?&amp;rdquo;, perguntei. Ela meio sem entender, repetiu a frase, coisa que tamb&amp;eacute;m fiz: &amp;ldquo;O que est&amp;aacute;s dizendo?&amp;rdquo; &lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Era meu jeito de dizer que estava ali caminhando, descontraindo, encontrando amigos e falando sobre outros temas, outros assuntos. A quest&amp;atilde;o do jardim, que n&amp;atilde;o era emergente, poderia ser deixada para o momento certo, a oportunidade correta. &lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Quem sou eu? Quem somos n&amp;oacute;s? &lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Aprofundando um pouco mais esse tema, lembro do Padre Edson que recentemente estudou Filosofia Cl&amp;iacute;nica com um grupo e brasileiros na Universidade Hebraica, de Jerusal&amp;eacute;m, em Israel. Durante todo o tempo estava entre n&amp;oacute;s debatendo, discutindo, defendendo seu ponto de vista e ouvindo atentamente o dos outros. J&amp;aacute; no final dos estudos, em Jafa, reza uma missa para todos e, de viva voz, agradece a cada um por n&amp;atilde;o t&amp;ecirc;-lo visto como padre. &amp;ldquo;Quero agradecer voc&amp;ecirc;s por n&amp;atilde;o me reduzirem a um padre e terem me dado a oportunidade de me apresentar como eu sou, n&amp;atilde;o s&amp;oacute; como padre, mas tamb&amp;eacute;m&amp;rdquo;. &lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Esse bonito exemplo do padre Edson nos remete a uma reflex&amp;atilde;o profunda, j&amp;aacute; que muitos de n&amp;oacute;s, em alguns casos, se fixam em seus pap&amp;eacute;is, se identificam com eles e n&amp;atilde;o conseguem beber em outras fontes, estudar outros conhecimentos, conhecer outras verdades. Ao contr&amp;aacute;rio do padre Edson, existem pessoas que &amp;agrave;s vezes at&amp;eacute; exigem que o outro os veja somente daquela &amp;uacute;nica forma. Como diz o fil&amp;oacute;sofo Karl Marx, de manh&amp;atilde; sou pescador, a tarde agricultor e a noite poeta, sem ser unicamente pescador, agricultor e poeta. &lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Quem somos n&amp;oacute;s, afinal? &lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	O outro, &amp;eacute; poss&amp;iacute;vel, seja muito mais aqueles que n&amp;atilde;o se apresenta, que est&amp;aacute; encoberto, do que aquele que faz quest&amp;atilde;o de ser, de se apresentar em curriculum intermin&amp;aacute;veis, cursos e diplomas. Talvez seja isso: quando nos reduzimos a um &amp;uacute;nico papel, quando deixamos de nos ver de forma inteira e pluralista, corremos o risco de nos perdemos. N&amp;oacute;s somos muito mais que o nosso papel, &amp;agrave;s vezes &amp;uacute;nico papel, como m&amp;eacute;dico, pedreiro, dentista, carpinteiro, advogado, empres&amp;aacute;rio. Eu sou muito mais. N&amp;oacute;s somos muito mais. &lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	&amp;Eacute; assim como o mundo me parece hoje. E voc&amp;ecirc;, qual resposta daria a pergunta &amp;ldquo;quem sou eu&amp;rdquo;? &lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	&lt;em&gt;Beto Colombo&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;
	____________________________________________________________________________&lt;br /&gt;
	&lt;em&gt;Artigo veiculado na R&amp;aacute;dio Som Maior FM no dia 11/2012 e no Jornal A Tribuna no dia 12/04/2012.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
</description><author>Instituto Sul Catarinense de Filosofia Clínica</author><pubDate>Wed, 11 Apr 2012 09:46:00 -0300</pubDate></item><item><title>Israel</title><link>http://www.filosofiaclinicasc.com.br/artigo/israel-109</link><guid>http://www.filosofiaclinicasc.com.br/artigo/israel-109</guid><description>&lt;p class=&#039;legenda&#039;&gt;&lt;img src=&#039;http://www.filosofiaclinicasc.com.br/image/YTozOntzOjU6IndpZHRoIjtpOjQyNjtzOjc6ImVubGFyZ2UiO2k6MTtzOjM6InNyYyI7czozMjoiaW1hZ2Vucy9ub3RpY2lhcy9ub3RpY2lhXzEwOS5qcGciO30=/img.jpg&#039; alt=&#039;Israel&#039; /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;
	Instalados no Marina Hotel as margens do mar mediterr&amp;acirc;neo em Tel Aviv. Estivemos em um grupo de 35 brasileiros com o objetivo de estudar o grande fil&amp;oacute;sofo Emmanuel Levin&amp;aacute;s, lituano de nascimento, herdeiro da cultura judaica, cresceu em um ambiente em que l&amp;iacute;ngua e literatura eram o russo e hebraico, idiomas falados e estudados em sua casa. Foi prisioneiro de guerra nos campos de concentra&amp;ccedil;&amp;atilde;o nazistas. Conhecido como o fil&amp;oacute;sofo da alteridade, tem como sua obra principal o livro Totalidade e Infinito escrito em 1961.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Levin&amp;aacute;s, muito influenciado inicialmente pelas id&amp;eacute;ias de Husserl e de Heideger &amp;eacute; um dos principais pensadores da corrente fenomenol&amp;oacute;gica. Seu pensamento ganhou for&amp;ccedil;a pr&amp;oacute;pria e se dirigiu principalmente para o terreno da &amp;eacute;tica sendo esta considerada por ele a filosofia primeira. Para ele o homem &amp;eacute; algu&amp;eacute;m cujo sentido s&amp;oacute; pode ser encontrado na sua rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o com o outro. Sua reflex&amp;atilde;o segue o caminho da defesa da subjetividade baseada na ideia do infinito, entendido como abertura ao reconhecimento do outro.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Israel, localizado no Oriente M&amp;eacute;dio, ao longo da costa do mar Mediterr&amp;acirc;neo, fazendo fronteira com L&amp;iacute;bano, S&amp;iacute;ria, Jord&amp;acirc;nia e Egito, surpreende positivamente por ser a &amp;uacute;nica democracia da regi&amp;atilde;o. Transformou deserto em ambiente habit&amp;aacute;vel, nesta &amp;eacute;poca do ano o verde predomina. A preserva&amp;ccedil;&amp;atilde;o ambiental &amp;eacute; levada ao extremo, a produ&amp;ccedil;&amp;atilde;o agr&amp;iacute;cola, apesar do deserto, tem grande import&amp;acirc;ncia, produzindo mais de 90% do consumo interno e como curiosidade pode-se observar bananais verdes ao norte. O pa&amp;iacute;s exporta tecnologia em v&amp;aacute;rios setores o que sugere que a educa&amp;ccedil;&amp;atilde;o, que &amp;eacute; obrigat&amp;oacute;ria dos 5 aos 18 anos, realmente &amp;eacute; levada a s&amp;eacute;rio. A infraestrutura do pa&amp;iacute;s &amp;eacute; impec&amp;aacute;vel, aeroporto moderno, ferrovias, autoestradas ligando as cidades de norte a sul de leste a oeste. &amp;Eacute; o que costumamos chamar de um pa&amp;iacute;s de primeiro mundo. A renda &amp;eacute; de U$ 28 mil per capita. A rede de assist&amp;ecirc;ncia social tem ampla cobertura. A ind&amp;uacute;stria de Israel concentra-se nos produtos manufaturados de alto valor agregado baseados principalmente em inova&amp;ccedil;&amp;otilde;es tecnol&amp;oacute;gicas. Isso inclui equipamentos eletr&amp;ocirc;nicos para a &amp;aacute;rea m&amp;eacute;dica, agrotecnologia, telecomunicac&amp;otilde;es, hardware e software, energia solar, processamento de alimentos e qu&amp;iacute;mica fina.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Dois s&amp;atilde;o os idiomas oficiais, &amp;aacute;rabe e hebraico. Cerca de 75% da popula&amp;ccedil;&amp;atilde;o s&amp;atilde;o judeus, 20% &amp;aacute;rabes. Jerusal&amp;eacute;m com seus 800 mil habitantes &amp;eacute; a capital pol&amp;iacute;tica e religiosa do pa&amp;iacute;s. Uma cidade pr&amp;oacute;spera e vibrante, sagrada para judeus, mu&amp;ccedil;ulmanos e crist&amp;atilde;os. A seguran&amp;ccedil;a &amp;eacute; um dos pontos fortes em todo o territ&amp;oacute;rio do pa&amp;iacute;s.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Visitamos o monte das Bem Aventuran&amp;ccedil;as, lugar do Serm&amp;atilde;o da Montanha, Rio Jord&amp;atilde;o, navegamos pelo mar da Galil&amp;eacute;ia, Mosteiro Carmelita de Stella Maris, bem como os jardins persas do Templo Bahai. Estivemos na aldeia medieval Jaffa, famosa porque, conforme a B&amp;iacute;blia, o profeta Jonas saiu em dire&amp;ccedil;&amp;atilde;o a T&amp;aacute;rsis e foi engolido pela baleia.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Em Jerusal&amp;eacute;m estivemos na parte antiga da cidade, Muro das Lamenta&amp;ccedil;&amp;otilde;es, Monte da Oliveiras, percorremos a Via Dolorosa com suas 14 esta&amp;ccedil;&amp;otilde;es e a Igreja do Santo Sepulcro.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Diariamente nos desloc&amp;aacute;vamos de &amp;ocirc;nibus de Tel Aviv &amp;agrave; Jerusal&amp;eacute;m at&amp;eacute; a Universidade Hebraica, uma das mais importantes do mundo, que nos acolheu e possibilitou realizarmos os estudos com mestres como, Cyril Aslanov, Shalon Rosemberg, Leonardo Senkman, Rina Rosemberg e Lucio Packter.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Voltamos no &amp;uacute;ltimo s&amp;aacute;bado, dia 31 de mar&amp;ccedil;o com a sensa&amp;ccedil;&amp;atilde;o do dever cumprido, tendo encontrado um pa&amp;iacute;s muito diferente do que a m&amp;iacute;dia diariamente mostra. Israel &amp;eacute; talvez o maior laborat&amp;oacute;rio mundial onde se busca a conviv&amp;ecirc;ncia pac&amp;iacute;fica entre povos, religi&amp;otilde;es, cren&amp;ccedil;as, com o diferente. A depender dos seus principais fil&amp;oacute;sofos, existe esperan&amp;ccedil;a.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Esta foi a minha impress&amp;atilde;o.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Aloysio Tiscoski&lt;/p&gt;
</description><author>Instituto Sul Catarinense de Filosofia Clínica</author><pubDate>Thu, 05 Apr 2012 12:17:00 -0300</pubDate></item><item><title>Fundamentos</title><link>http://www.filosofiaclinicasc.com.br/artigo/fundamentos-108</link><guid>http://www.filosofiaclinicasc.com.br/artigo/fundamentos-108</guid><description>&lt;p class=&#039;legenda&#039;&gt;&lt;img src=&#039;http://www.filosofiaclinicasc.com.br/image/YTozOntzOjU6IndpZHRoIjtpOjQyNjtzOjc6ImVubGFyZ2UiO2k6MTtzOjM6InNyYyI7czozMjoiaW1hZ2Vucy9ub3RpY2lhcy9ub3RpY2lhXzEwOC5qcGciO30=/img.jpg&#039; alt=&#039;Fundamentos&#039; /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;
	Numa conversa informal, algu&amp;eacute;m me contou que teve muita dificuldade em conversar com outra pessoa. Segundo este algu&amp;eacute;m, a dificuldade estava em concordar com as ideias que a outra apresentava, segundo ela, sem fundamento. Depois que a pessoa saiu fiquei pensando s&amp;oacute; na palavra fundamento. Entendo que quem me contava a respeito de seu contato com este outro falava dos fundamentos para os argumentos apresentados. Mas, com um pouco de paci&amp;ecirc;ncia quero trabalhar um pouco os fundamentos, as bases do pensamento de uma pessoa a partir da Filosofia. &lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Na Filosofia, ao longo dos s&amp;eacute;culos, cada pensador exp&amp;ocirc;s suas ideias tendo por base algum fundamento, ou seja, uma base, um alicerce. Tomando como exemplo Plat&amp;atilde;o, quais seriam os fundamentos para ele dizer o que disse, afirmar o que afirmou? Este fil&amp;oacute;sofo que pode ter vivido entre 428 e 348 a.C. dizia que tudo o que temos aqui na terra, ou seja, tudo o que podemos ter acesso pelos sentidos existe em quantidade e qualidades perfeitas no mundo das ideias. Vejam, ele diz que existem dois mundos, um mundo onde tudo existe em quantidade e qualidade perfeitos, a este mundo chama &amp;ldquo;Mundo da Ideias&amp;rdquo;. No outro mundo, neste em que vivemos, as coisas, objetos, se entregam aos sentidos, podemos ver, cheirar, degustar, tocar. No entanto, para ele, este mundo dos sentidos &amp;eacute; uma imita&amp;ccedil;&amp;atilde;o prec&amp;aacute;ria, mal feita de tudo aquilo que existe em perfei&amp;ccedil;&amp;atilde;o no mundo das ideias. Parece um tanto descabido, uma doidice, mas foi com a contribui&amp;ccedil;&amp;atilde;o deste fil&amp;oacute;sofo que se produziu e se produz grande parte dos estudos que ainda hoje servem de base para a nossa vida.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Para se ter uma ideia, Ren&amp;eacute; Descartes, fil&amp;oacute;sofo nascido mais de mil anos depois de Plat&amp;atilde;o chegou ao auge dizendo que n&amp;oacute;s nem sequer estamos aqui. Para Descartes nosso pensamentos est&amp;aacute; produzindo tudo o que vivemos, at&amp;eacute; mesmo as sensa&amp;ccedil;&amp;otilde;es s&amp;atilde;o fruto do pensamento. Isso parece estranho, mas &amp;eacute; com base neste autor que uma ci&amp;ecirc;ncia como a medicina age. Quando voc&amp;ecirc; vai ai m&amp;eacute;dico e ele lhe pergunta os sintomas, dores, sensa&amp;ccedil;&amp;otilde;es, para ele tudo isto &amp;eacute; f&amp;iacute;sico, realmente est&amp;aacute; acontecendo. Sabemos que muitas vezes as aftas da boca s&amp;atilde;o fruto de um neg&amp;oacute;cio mal feito na empresa, as dores de est&amp;ocirc;mago s&amp;atilde;o conseq&amp;uuml;&amp;ecirc;ncia de uma demiss&amp;atilde;o contra a vontade. N&amp;atilde;o se vai resolver a dor simplesmente pelo corpo, nestes casos, se vai apenas remediar. Assim como outras &amp;aacute;reas do conhecimento, a medicina tamb&amp;eacute;m busca na Filosofia conceitos que orientam o seu trabalho. Lembrando que acerca do que que foi colocado acima existem tanto correntes a favor quanto contra, &amp;eacute; parte do discurso.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Agora que conhecemos a ideia de Plat&amp;atilde;o e de Descartes, volto a quest&amp;atilde;o inicial: qual o fundamento para uma ideia como esta, a de que o corpo est&amp;aacute; separado do esp&amp;iacute;rito? Eu, voc&amp;ecirc; e talvez o maior dos especialistas, Plat&amp;atilde;o e Descartes n&amp;atilde;o tenhamos certeza de onde ele realmente tirou essa ideia, mas sabemos como eles fundamentaram. Tanto em um quanto noutro fil&amp;oacute;sofo o fundamento para suas ideias foram suas experi&amp;ecirc;ncias de vida, toda uma hist&amp;oacute;ria de estudo e dedica&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Agora, ser&amp;aacute; que eu, na minha pretens&amp;atilde;o posso dizer que o que estes pensadores disseram &amp;eacute; bobagem? Se o fizer, provavelmente nunca li seus escritos ou n&amp;atilde;o entendo do que falam. Por mais que n&amp;atilde;o tenham fundamento para mim, mas tem para aqueles que pensaram a respeito. Trazendo para nosso tempo, ser&amp;aacute; que o que o outro, essa pessoa que me fala, o que ela diz n&amp;atilde;o tem fundamento? Pode ser que eu n&amp;atilde;o entenda, n&amp;atilde;o concorde, mas sempre h&amp;aacute; um fundamento para o que o outro diz, ele mesmo.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Rosemiro A. Sefstrom&lt;/p&gt;
</description><author>Instituto Sul Catarinense de Filosofia Clínica</author><pubDate>Wed, 04 Apr 2012 12:57:00 -0300</pubDate></item><item><title>É mesmo.</title><link>http://www.filosofiaclinicasc.com.br/artigo/mesmo-107</link><guid>http://www.filosofiaclinicasc.com.br/artigo/mesmo-107</guid><description>&lt;p&gt;
	A express&amp;atilde;o do t&amp;iacute;tulo do presente artigo &amp;eacute; muito utilizada quando conversamos com outra pessoa e concordamos com ela. Geralmente ela &amp;eacute; utilizada para dizer que estamos de acordo com o que o outro diz. &amp;Eacute; como e eu lhe dissesse: &amp;ldquo;O dia est&amp;aacute; lindo hoje!&amp;rdquo;, e voc&amp;ecirc;, para dar continuidade sem se estender pode dizer: &amp;ldquo;&amp;Eacute; mesmo!&amp;rdquo; Veja, ao concordar comigo voc&amp;ecirc; torna parte de voc&amp;ecirc; a minha afirma&amp;ccedil;&amp;atilde;o, ou seja, como se fosse voc&amp;ecirc; mesmo que tivesse dito que o dia est&amp;aacute; lindo. Do mesmo modo funciona para todas as outras coisas, segundo Emmanuel Levinas. Quando voc&amp;ecirc; olha uma bela paisagem e fica com aquela imagem em sua mente, a partir daquele momento ela j&amp;aacute; n&amp;atilde;o &amp;eacute; mais ela mesma, paisagem, agora &amp;eacute; voc&amp;ecirc;. &lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Este &amp;ldquo;&amp;eacute;&amp;rdquo;, uma pequena palavrinha do verbo &amp;ldquo;ser&amp;rdquo; designa algo no seu estado atual. Assim, quando se diz que algo &amp;eacute;, est&amp;aacute; se falando da atualidade. Mas, muito mais do que isso, se fala de uma longa discuss&amp;atilde;o filos&amp;oacute;fica em torno do ser. Essa discuss&amp;atilde;o acontece porque boa parte dos fil&amp;oacute;sofos que j&amp;aacute; passaram por sobre a terra se dedicaram a entender ou definir o que &amp;eacute; o ser. Muitas pessoas j&amp;aacute; se perguntaram: &amp;ldquo;Quem sou?&amp;rdquo; Os fil&amp;oacute;sofos se perguntam: &amp;ldquo;Quem somos?&amp;rdquo; Para se perguntar sobre isso eles falam em ser, ou seja, quem &amp;eacute; o ser. Eu, voc&amp;ecirc;, seus filhos e tudo o que existe &amp;eacute; ser, porque est&amp;aacute;, de alguma forma, sendo. Assim, aquele pequeno peda&amp;ccedil;o de um galho de &amp;aacute;rvore que se desprende e cai ao ch&amp;atilde;o &amp;ldquo;&amp;eacute;&amp;rdquo; graveto. &lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Diferente de um graveto que por acidente se torna graveto ao se desprender de um galho maior, n&amp;oacute;s podemos decidir, at&amp;eacute; certo ponto, o que somos. Voc&amp;ecirc; ao sentar em algum canto e ler este pequeno ensaio &amp;eacute; um leitor, n&amp;atilde;o por um acidente qualquer, mas por escolha. A&amp;iacute; &amp;eacute; que vem uma das grandes contribui&amp;ccedil;&amp;otilde;es de Heidegger, pois segundo ele o verbo ser n&amp;atilde;o diz de uma coisa parada, mas de algo em cont&amp;iacute;nuo movimento. Ent&amp;atilde;o o &amp;ldquo;&amp;eacute;&amp;rdquo; da filosofia quer dizer, pelas m&amp;atilde;os de Heidegger, &amp;ldquo;estar sendo&amp;rdquo;. Como voc&amp;ecirc;, que ainda l&amp;ecirc;, est&amp;aacute; sendo um leitor.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Este cont&amp;iacute;nuo movimento do ser ou, como dito anteriormente, esse &amp;ldquo;estar sendo&amp;rdquo; que o fil&amp;oacute;sofo diz abre uma profunda lacuna filos&amp;oacute;fica. At&amp;eacute; o momento, muitos fil&amp;oacute;sofos acreditavam nesse ser que &amp;ldquo;&amp;eacute;&amp;rdquo;, ou seja, algo parado, est&amp;aacute;tico, sendo assim de f&amp;aacute;cil apreens&amp;atilde;o e compreens&amp;atilde;o. Por isso criaram uma &amp;aacute;rea da Filosofia chamada de ontologia, que se dedica a estudar o ser, tentar circunscrev&amp;ecirc;-lo. Mas, um fil&amp;oacute;sofo chamado Emmanuel Levinas pega a ideia de Heiddeger e avan&amp;ccedil;a, dizendo que esse movimento do galho que se transforma em graveto e do trabalhador em leitor &amp;eacute; que esconde o caminho para a origem do ser.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Para Levinas o &amp;ldquo;&amp;eacute; mesmo&amp;rdquo; &amp;eacute; o movimento que leva os conte&amp;uacute;dos de fora para dentro. Esta express&amp;atilde;o &amp;eacute; a prova de que quando voc&amp;ecirc;, ao concordar comigo tornou seu tudo o que escrevi at&amp;eacute; aqui. Pode-se dizer que o &amp;eacute; mesmo &amp;eacute; a prova de que tudo o que estiver fora pode se tornar parte de mim. Esse movimento que leva os conte&amp;uacute;dos de fora para dentro tamb&amp;eacute;m pode trazer os conte&amp;uacute;dos para fora, ou seja, o ser, seu ser. Eis o ponto mais dif&amp;iacute;cil, porque &amp;eacute; neste momento que Levinas vai mostrar que eu, voc&amp;ecirc; e qualquer outro ser somos inating&amp;iacute;veis. Somos inating&amp;iacute;veis porque o nosso ser est&amp;aacute; muito mais longe do que aparece. Voc&amp;ecirc; pode ser e &amp;eacute; muito mais do que uma imagem refletida no mundo. &amp;Eacute; mesmo!&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Rosemiro A. Sefstrom&lt;/p&gt;
</description><author>Instituto Sul Catarinense de Filosofia Clínica</author><pubDate>Wed, 14 Mar 2012 15:14:00 -0300</pubDate></item><item><title>O Prisioneiro</title><link>http://www.filosofiaclinicasc.com.br/artigo/o-prisioneiro-106</link><guid>http://www.filosofiaclinicasc.com.br/artigo/o-prisioneiro-106</guid><description>&lt;p class=&#039;legenda&#039;&gt;&lt;img src=&#039;http://www.filosofiaclinicasc.com.br/image/YTozOntzOjU6IndpZHRoIjtpOjQyNjtzOjc6ImVubGFyZ2UiO2k6MTtzOjM6InNyYyI7czozMjoiaW1hZ2Vucy9ub3RpY2lhcy9ub3RpY2lhXzEwNi5qcGciO30=/img.jpg&#039; alt=&#039;O Prisioneiro&#039; /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;
	H&amp;aacute; em Filosofia Clinica um t&amp;oacute;pico que se chama padr&amp;atilde;o e armadilha conceitual. Este t&amp;oacute;pico bipartido versa sobre os dois lados de uma mesma moeda. Algumas pessoas seguem seus dias desenvolvendo uma rotina. A isso chamamos de padr&amp;atilde;o. Do outro lado h&amp;aacute; pessoas que est&amp;atilde;o presas a certos comportamentos, como um trem preso a um trilho, do qual, por mais que queira n&amp;atilde;o pode sair. A isso chamamos armadilha conceitual. Quem define o que &amp;eacute; padr&amp;atilde;o ou o que &amp;eacute; armadilha conceitual &amp;eacute; sempre a pessoa. &lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Para entender melhor coloquemos uma situa&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos dias de hoje, um &amp;ldquo;casamento de apar&amp;ecirc;ncia&amp;rdquo;. Este &amp;eacute; o caso em que um homem ou mulher permanece num relacionamento por uma necessidade outra que n&amp;atilde;o a interse&amp;ccedil;&amp;atilde;o entre os dois Essa necessidade pode ser posi&amp;ccedil;&amp;atilde;o social, ou seja, tanto o homem quanto a mulher permanece ao lado do outro para participar de certos c&amp;iacute;rculos sociais. Pode tamb&amp;eacute;m ser por causa dos filhos: o homem n&amp;atilde;o se separa de sua mulher para continuar participando da vida dos filhos. Pode ser tamb&amp;eacute;m por causa de dinheiro, ele ou ela podem continuar com o outro para permanecer desfrutando dos benef&amp;iacute;cios que o dinheiro pode comprar. Agora vem a pergunta: O casamento de apar&amp;ecirc;ncia &amp;eacute; um padr&amp;atilde;o ou armadilha conceitual?&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	A reposta &amp;eacute; simples, n&amp;atilde;o se sabe, vai depender da maneira como a pessoa significa sua circunst&amp;acirc;ncia. Caso o homem ou a mulher esteja vivendo esse casamento apenas de apar&amp;ecirc;ncia por vontade, ou seja, vive desta maneira, mas se quiser sai a qualquer momento, provavelmente &amp;eacute; um padr&amp;atilde;o. No entanto, se a pessoa vive certa situa&amp;ccedil;&amp;atilde;o da qual n&amp;atilde;o consegue sair, sente-se preso, ai sim estamos falando de armadilha conceitual. Este tipo de amarra &amp;eacute; chamada de armadilha conceitual porque a pris&amp;atilde;o s&amp;oacute; existe para a pessoa que vive, para uma pessoa que v&amp;ecirc; a situa&amp;ccedil;&amp;atilde;o de fora tudo seria facilmente resolvido. &lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Uma armadilha conceitual &amp;eacute;, ent&amp;atilde;o, qualquer conceito ao qual uma pessoa sinta-se presa. Como nos casos anteriores, pode ser posi&amp;ccedil;&amp;atilde;o social, podem ser os filhos, pode ser o dinheiro, qualquer que seja o conceito que prende a pessoa, ai est&amp;aacute; a armadilha conceitual. Quando se diz que &amp;eacute; a pessoa quem determina essa amarra&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;eacute; justamente porque s&amp;oacute; quem est&amp;aacute; realmente presa &amp;eacute; ela. Se ela vive um casamento de apar&amp;ecirc;ncia e n&amp;atilde;o consegue sair, seja qual for o motivo, eis uma armadilha conceitual. &lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Assim como um padr&amp;atilde;o, a armadilha conceitual n&amp;atilde;o &amp;eacute; boa nem m&amp;aacute;, s&amp;oacute; podem ser consideradas a partir de um ju&amp;iacute;zo de valor de acordo com a vida de cada um. Para voc&amp;ecirc;, fazer as coisas sempre iguais ou ter uma rotina faz bem? Ou o contr&amp;aacute;rio, para voc&amp;ecirc; estar amarrado a certas coisas faz bem? Atendo muitas pessoas que chegam ao consult&amp;oacute;rio desesperadas porque n&amp;atilde;o sabem como viver com d&amp;iacute;vidas. Para estas pessoas uma d&amp;iacute;vida &amp;eacute; uma pris&amp;atilde;o, elas sentem-se sufocadas por contas e precisam pagar para sair desta pris&amp;atilde;o. Enquanto conhe&amp;ccedil;o outras que dizem o contr&amp;aacute;rio, dever &amp;eacute; uma forma de estimular o trabalho, para estas a d&amp;iacute;vida &amp;eacute; o que estimula. Dever para estas pessoas &amp;eacute; o padr&amp;atilde;o e n&amp;atilde;o tem nada de errado.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	O padr&amp;atilde;o &amp;eacute; uma linha condutora e a armadilha &amp;eacute; o fim dessa mesma linha. Quando se chegar ao fim da linha e n&amp;atilde;o souber como continuar se pode pedir ajuda. No entanto, cada um, a sua maneira, tem muitas ferramentas para criar os caminhos para al&amp;eacute;m do fim da linha. N&amp;atilde;o h&amp;aacute; nada mais vasto que a alma humana, entre tudo o que se conhece e que est&amp;aacute; ainda por conhecer o ser humano &amp;eacute; &amp;ldquo;in-conhec&amp;iacute;vel&amp;rdquo;.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Rosemiro A. Sefstrom&lt;/p&gt;
</description><author>Instituto Sul Catarinense de Filosofia Clínica</author><pubDate>Thu, 01 Mar 2012 15:57:00 -0300</pubDate></item><item><title>Deus É...</title><link>http://www.filosofiaclinicasc.com.br/artigo/deus-105</link><guid>http://www.filosofiaclinicasc.com.br/artigo/deus-105</guid><description>&lt;p class=&#039;legenda&#039;&gt;&lt;img src=&#039;http://www.filosofiaclinicasc.com.br/image/YTozOntzOjU6IndpZHRoIjtpOjQyNjtzOjc6ImVubGFyZ2UiO2k6MTtzOjM6InNyYyI7czozMjoiaW1hZ2Vucy9ub3RpY2lhcy9ub3RpY2lhXzEwNS5qcGciO30=/img.jpg&#039; alt=&#039;Deus É...&#039; /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;
	Um dos assuntos mais complicados de em Filosofia &amp;eacute; aquele que trata de Deus, sua exist&amp;ecirc;ncia ou n&amp;atilde;o e sua presen&amp;ccedil;a. Deus, na Filosofia foi definido como sendo o &amp;ldquo;primeiro motor im&amp;oacute;vel&amp;rdquo; aristot&amp;eacute;lico, tamb&amp;eacute;m como o &amp;ldquo;Demiurgo&amp;rdquo; de Plat&amp;atilde;o. Afora a Filosofia na B&amp;iacute;blia Deus aparece basicamente de duas formas: a primeira no Antigo Testamento, onde Ele &amp;eacute; duro, de certa forma at&amp;eacute; mau. Nestes livros b&amp;iacute;blicos se pode ver um Deus que castiga, mas mesmo ap&amp;oacute;s o castigo retorna a rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o com o homem. Numa segunda parte da B&amp;iacute;blia, Deus &amp;eacute; descrito a partir de Jesus Cristo, onde este o coloca como sendo Pai, Filho e Esp&amp;iacute;rito Santo. Agora Ele &amp;eacute; amor, perd&amp;atilde;o, Aquele que entregou o seu Filho para redimir a humanidade dos seus pecados. &lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Tanto no Antigo quanto no Novo Testamento Deus tem uma significa&amp;ccedil;&amp;atilde;o a qual exige daqueles que acreditam uma forma de se relacionar. A orienta&amp;ccedil;&amp;atilde;o do que fazer ou n&amp;atilde;o em rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o ao pr&amp;oacute;prio Deus &amp;eacute; dada pela significa&amp;ccedil;&amp;atilde;o que ele ganha em cada cultura. No Antigo Testamento, quando Mois&amp;eacute;s se aproxima da sar&amp;ccedil;a ardente, ele tira as sand&amp;aacute;lias, cobre o rosto para n&amp;atilde;o ver. Aqui fica clara a dist&amp;acirc;ncia que se coloca entre a divindade e o humano, a separa&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;eacute; f&amp;iacute;sica mesmo. A partir do momento em que Jesus, enquanto representante do Pai, retira todo o afastamento e se permite morrer pelo humano, pela carne, a rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o com Deus sup&amp;otilde;e significados diferentes dependendo da cultura na qual a religiosidade est&amp;aacute; inserida. &lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	&amp;Eacute; importante destacar que n&amp;atilde;o &amp;eacute; s&amp;oacute; de maneira coletiva que se significa Deus e por conseq&amp;uuml;&amp;ecirc;ncia se orienta a maneira de se relacionar com Ele. Em muitos casos se esquece de que quando se atribui um significado est&amp;aacute; se depositando no significante uma s&amp;eacute;rie de predicados. Para ficar mais claro digamos que Deus pode ser significado como pai, pastor, amor, etc.. Socialmente cada uma destas palavras tem em si uma maneira de ser entendida, mas tamb&amp;eacute;m tem uma forma pessoal de compreens&amp;atilde;o. E &amp;eacute; muitas vezes nesta rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o de significado pessoal que se encontra o grande problema no que diz respeito &amp;agrave; rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o do homem com Deus. &lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Quando se diz que Deus &amp;eacute; Pai, est&amp;aacute; se colocando em uma entidade as caracter&amp;iacute;sticas de um ser. Em outras palavras, pegamos Deus e o vestimos como sendo Pai, mas o pai tem em si uma s&amp;eacute;rie de caracter&amp;iacute;sticas que o fazem pai, como por exemplo: ter filhos. S&amp;oacute; que nem todos os pais poderiam servir como modelo para representar Deus. A&amp;iacute; surgem as contradi&amp;ccedil;&amp;otilde;es que causam as confus&amp;otilde;es para algumas pessoas, dizem-lhes que Deus &amp;eacute; Pai, mas a elas pai &amp;eacute; aquele que foi embora, deixou a m&amp;atilde;e e cinco filhos pequenos para criar. Pai &amp;eacute; aquele que bebe e bate na m&amp;atilde;e cada vez que chega em casa, uma pessoa violenta que em nada lembra amor. Ser&amp;aacute; que este pai que a pessoa gravou pela vida vai ser harm&amp;ocirc;nico com Deus?&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Existem ainda aqueles que pregam que Deus &amp;eacute; amor, certo, mas que amor? N&amp;atilde;o &amp;eacute; dif&amp;iacute;cil aparecer na televis&amp;atilde;o, internet, r&amp;aacute;dio, revistas e outros meios de comunica&amp;ccedil;&amp;atilde;o um indiv&amp;iacute;duo que matou a namorada dizendo que a ama. Complicado. Imagine a cabe&amp;ccedil;a de uma crian&amp;ccedil;a ao ouvir que Deus &amp;eacute; amor, mas todo o exemplo de amor que tem &amp;eacute; quando a m&amp;atilde;e diz que o ama depois de espanc&amp;aacute;-lo por causa do uso de drogas. &lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	A tentativa de diminuir a dist&amp;acirc;ncia entre a divindade e as pessoas, o humano, muitas vezes cai em deturpa&amp;ccedil;&amp;otilde;es como estas. Sabe-se que para a Igreja o amor, pai, salvador, tem um significado muito espec&amp;iacute;fico, mas este significado pode ser diferente em cada um. Nos dias de hoje, a rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o com um Deus Pai leva muitos fi&amp;eacute;is a exigirem um milagre de Deus, assim como fazem com seus pais quando querem alguma coisa. Isso &amp;eacute; bem diferente da postura na qual se seguia os mandamentos antes para se esperar por uma gra&amp;ccedil;a, se assim fosse da vontade. Na maior parte das vezes as pessoas n&amp;atilde;o se relacionam com o ser em si, mas como o significado que t&amp;ecirc;m deles.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Rosemiro A. Sefstrom&lt;/p&gt;
</description><author>Instituto Sul Catarinense de Filosofia Clínica</author><pubDate>Thu, 16 Feb 2012 13:05:00 -0200</pubDate></item><item><title>Ser - Humano</title><link>http://www.filosofiaclinicasc.com.br/artigo/ser-humano-104</link><guid>http://www.filosofiaclinicasc.com.br/artigo/ser-humano-104</guid><description>&lt;p class=&#039;legenda&#039;&gt;&lt;img src=&#039;http://www.filosofiaclinicasc.com.br/image/YTozOntzOjU6IndpZHRoIjtpOjQyNjtzOjc6ImVubGFyZ2UiO2k6MTtzOjM6InNyYyI7czozMjoiaW1hZ2Vucy9ub3RpY2lhcy9ub3RpY2lhXzEwNC5qcGciO30=/img.jpg&#039; alt=&#039;Ser - Humano&#039; /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;
	H&amp;aacute; em filosofia alguns termos ou formas de se abordar as rela&amp;ccedil;&amp;otilde;es. Tais termos foram trabalhados nos &amp;uacute;ltimos artigos. O tema das rela&amp;ccedil;&amp;otilde;es est&amp;aacute; presente em nosso cotidiano, refor&amp;ccedil;ado por determinadas not&amp;iacute;cias que se espalham pela televis&amp;atilde;o, internet e outros ve&amp;iacute;culos de comunica&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Sendo assim, acredito ser pertinente, por exemplo, a not&amp;iacute;cia que apareceu hoje, ter&amp;ccedil;a-feira, dia 07 de fevereiro de 2012, referente &amp;agrave; troca de casais que est&amp;aacute; ocorrendo num programa de televis&amp;atilde;o. Parece que aos poucos a rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o entre uma pessoa e outra pessoa est&amp;aacute; se tornando uma rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o entre uma pessoa e um objeto. &amp;Eacute; interessante observar que este comportamento n&amp;atilde;o se v&amp;ecirc; s&amp;oacute; l&amp;aacute; na televis&amp;atilde;o, tamb&amp;eacute;m se v&amp;ecirc; no dia-a-dia, em casa, na escola, no trabalho, etc.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Nos artigos anteriores, talvez a linguagem usada, por se tratar de filosofia, tenha ficado um tanto inacess&amp;iacute;vel. No presente artigo, usarei argumenta&amp;ccedil;&amp;otilde;es muito simples. Em Filosofia Cl&amp;iacute;nica, h&amp;aacute; um termo chamado Interse&amp;ccedil;&amp;atilde;o de Estruturas de Pensamento, ou seja, a rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o que se d&amp;aacute; entre dois seres vivos, a rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o que se d&amp;aacute; como troca. A Interse&amp;ccedil;&amp;atilde;o de Estruturas de Pensamento sup&amp;otilde;e que eu entre em contato com o outro na medida em que ele entra em contato comigo, o outro pode ser uma pessoa ou mesmo meu animal de estima&amp;ccedil;&amp;atilde;o. O outro na interse&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;eacute; algu&amp;eacute;m que, como eu, contribui na rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o e n&amp;atilde;o &amp;eacute; objeto dela. Uma interse&amp;ccedil;&amp;atilde;o de EP, como &amp;eacute; mais comumente conhecida, pode ser positiva, negativa, vari&amp;aacute;vel ou indefinida.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Desenvolver uma interse&amp;ccedil;&amp;atilde;o, ou seja, amarrar la&amp;ccedil;os com outra pessoa &amp;eacute; se colocar e receber o outro num espa&amp;ccedil;o de constru&amp;ccedil;&amp;atilde;o coletiva. Esse espa&amp;ccedil;o normalmente n&amp;atilde;o depende somente de uma das partes, mas das duas partes. Se, pela manh&amp;atilde; voc&amp;ecirc; vai at&amp;eacute; a padaria comprar p&amp;atilde;es e &amp;eacute; gentil com o vizinho que mora duas casas al&amp;eacute;m da sua na dire&amp;ccedil;&amp;atilde;o da padaria, ser&amp;aacute; que lhe ser&amp;aacute; grosseiro? Ainda que ele o seja, a parte para a constru&amp;ccedil;&amp;atilde;o de uma interse&amp;ccedil;&amp;atilde;o positiva partiu de voc&amp;ecirc;. Uma rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o agrad&amp;aacute;vel na qual tanto eu quanto o outro estejam bem &amp;eacute; uma interse&amp;ccedil;&amp;atilde;o positiva.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Quanto voc&amp;ecirc; sai nervoso pela manh&amp;atilde;, entra em seu carro e se transforma, fica grosseiro, mal educado, ser&amp;aacute; recebido com gentileza? Neste exemplo, caso a interse&amp;ccedil;&amp;atilde;o ocorra de maneira negativa, partiu de voc&amp;ecirc;. Este tipo de interse&amp;ccedil;&amp;atilde;o se d&amp;aacute; quando uma ou as duas partes n&amp;atilde;o se sentem bem na rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o. &lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Uma rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o na qual voc&amp;ecirc; est&amp;aacute; com a pessoa e hora est&amp;aacute; bem, hora est&amp;aacute; mal, tanto para voc&amp;ecirc; quanto para ela, &amp;eacute; uma interse&amp;ccedil;&amp;atilde;o vari&amp;aacute;vel. E h&amp;aacute; ainda interse&amp;ccedil;&amp;otilde;es que acontecem e que n&amp;atilde;o se pode dizer se s&amp;atilde;o positivas ou negativas, sendo caracterizadas provavelmente por indefinidas. &lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Mas veja, em todo o caso, as interse&amp;ccedil;&amp;otilde;es se d&amp;atilde;o entre seres com vontade pr&amp;oacute;pria, com arb&amp;iacute;trio sobre suas a&amp;ccedil;&amp;otilde;es, pelo menos at&amp;eacute; certo ponto. Em se tratando de pessoas, n&amp;atilde;o &amp;eacute; voc&amp;ecirc; e nem ele o culpado, mas voc&amp;ecirc;s. Mas, e numa rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o com objetos inanimados, quem &amp;eacute; o culpado quando o objeto estraga? Quem &amp;eacute; o culpado pelo mal uso de um objeto? Diferente de uma interse&amp;ccedil;&amp;atilde;o, onde voc&amp;ecirc; e o outro t&amp;ecirc;m vida, numa rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o em que voc&amp;ecirc; coloca o outro como algo separado, este outro se tornou objeto. Voc&amp;ecirc;, por si mesmo, pode se fazer objeto quando n&amp;atilde;o entrar em interse&amp;ccedil;&amp;atilde;o consigo mesmo como pessoa. &lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Ser: uma palavra que define movimento, indica o que cada um &amp;eacute; agora, mas isto a partir de si mesmo e do outro. Uma interse&amp;ccedil;&amp;atilde;o, ou seja, uma rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o entre dois seres deve ser constru&amp;iacute;da num espa&amp;ccedil;o comum aos dois seres. Relacionar-se com coisas &amp;eacute; se colocar acima delas, ter o poder de fazer nascer e morrer, talvez. O entendimento de que voc&amp;ecirc; n&amp;atilde;o &amp;eacute; objeto e o outro n&amp;atilde;o &amp;eacute; objeto deveria faz&amp;ecirc;-lo compreender que a sua vida est&amp;aacute; diretamente ligada a do outro, seja ele quem for.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Rosemiro A. Sefstrom&lt;/p&gt;
</description><author>Instituto Sul Catarinense de Filosofia Clínica</author><pubDate>Thu, 09 Feb 2012 18:35:00 -0200</pubDate></item><item><title>Pensar dialético</title><link>http://www.filosofiaclinicasc.com.br/artigo/pensar-dial-tico-103</link><guid>http://www.filosofiaclinicasc.com.br/artigo/pensar-dial-tico-103</guid><description>&lt;p class=&#039;legenda&#039;&gt;&lt;img src=&#039;http://www.filosofiaclinicasc.com.br/image/YTozOntzOjU6IndpZHRoIjtpOjQyNjtzOjc6ImVubGFyZ2UiO2k6MTtzOjM6InNyYyI7czozMjoiaW1hZ2Vucy9ub3RpY2lhcy9ub3RpY2lhXzEwMy5qcGciO30=/img.jpg&#039; alt=&#039;Pensar dialético&#039; /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;
	Inicio por lembrar que cada pessoa &amp;eacute; um mundo, uma realidade completamente diferente de todas as outras. Isso faz com que cada um de n&amp;oacute;s seja diferente, desde nossa realidade f&amp;iacute;sica at&amp;eacute; a cognitiva. Digo isto apenas para salientar que, quando usar neste artigo a express&amp;atilde;o &amp;ldquo;tipo de pessoa&amp;rdquo; estou me referindo a uma forma de se relacionar com a exterioridade que &amp;eacute; o mundo. O mundo &amp;eacute; tudo aquilo que &amp;eacute; exterior a mim, ou seja, o sol, as nuvens, as &amp;aacute;rvores, etc. Al&amp;eacute;m de tudo isso que existe e constitui o mundo de cada um h&amp;aacute; tamb&amp;eacute;m pessoas, os outros. N&amp;oacute;s, no dia-a-dia nos relacionamos, inevitavelmene, com o mundo e com os outros.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Das v&amp;aacute;rias formas de se relacionar vamos nos dedicar a uma em especial, a rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o dial&amp;eacute;tica. A dial&amp;eacute;tica enquanto m&amp;eacute;todo ganhou conhecimento por Hegel, mas diz-se que o pai desta teoria pode ser Zen&amp;atilde;o de El&amp;eacute;ia ou at&amp;eacute; mesmo S&amp;oacute;crates, o qual se popularizou entre os gregos por levar as pessoas &amp;agrave; verdade. O pensamento dial&amp;eacute;tico cresceu, se popularizou na filosofia e foi adotado por muitos fil&amp;oacute;sofos como m&amp;eacute;todo cient&amp;iacute;fico, assim como foi condenado por muitos outros como n&amp;atilde;o sendo nada cient&amp;iacute;fico. Enfim, cient&amp;iacute;fico ou n&amp;atilde;o, interessa em que medida essa metodologia contribui para a Filosofia Cl&amp;iacute;nica.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	A dial&amp;eacute;tica enquanto m&amp;eacute;todo se realiza em tr&amp;ecirc;s est&amp;aacute;gios: a tese, a ant&amp;iacute;tese e a s&amp;iacute;ntese. Na tese eu tenho aquilo que &amp;eacute; como teoria, ou seja, tenho uma ideia j&amp;aacute; formada. Pense no conceito que voc&amp;ecirc; tem de voc&amp;ecirc; mesmo: essa ideia que voc&amp;ecirc; elaborou de voc&amp;ecirc; mesmo pode ser considerada uma tese. Num segundo momento vem uma ideia contr&amp;aacute;ria a que voc&amp;ecirc; formou de si mesmo, essa ideia contr&amp;aacute;ria &amp;eacute; a ant&amp;iacute;tese. Vamos dizer que voc&amp;ecirc; se considera uma pessoa bondosa e desprendida, essa &amp;eacute; a sua tese, mas um amigo seu, muito sincero, diz que voc&amp;ecirc; n&amp;atilde;o &amp;eacute; bom e muito menos desprendido. Para ser mais sincero, este amigo diz que voc&amp;ecirc; &amp;eacute; avarento. Agora, com a tese a respeito de voc&amp;ecirc; e a ant&amp;iacute;tese dada por seu amigo tamb&amp;eacute;m a respeito de voc&amp;ecirc;, ir&amp;aacute; surgir uma terceira e nova ideia: a s&amp;iacute;ntese. A s&amp;iacute;ntese &amp;eacute; o resultado da uni&amp;atilde;o da tese com a ant&amp;iacute;tese, n&amp;atilde;o a simples nega&amp;ccedil;&amp;atilde;o de uma pela outra.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Pessoas que t&amp;ecirc;m o pensamento dial&amp;eacute;tico costumam ter uma ideia feita, pronta a respeito das coisas da vida. No entanto, no dia-a-dia, no conv&amp;iacute;vio com as pessoas e com as coisas, elas podem tanto receber quanto perceber opini&amp;otilde;es diferentes das que t&amp;ecirc;m. Quando isto acontece, elas entram num processo de reflex&amp;atilde;o a respeito daquilo que sabiam com o que receberam, para ent&amp;atilde;o formular algo novo. Se o processo dial&amp;eacute;tico foi feito por simples nega&amp;ccedil;&amp;atilde;o, pode acontecer o famoso oito ou oitenta, onde a pessoa aceita ou nega aquilo que veio de fora.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	O processo dial&amp;eacute;tico n&amp;atilde;o precisa necessariamente de um agente externo, algumas pessoas fazem esse caminho sozinhas. Elas mesmas, pela maneira como se desenvolveram na vida, precisam da contradi&amp;ccedil;&amp;atilde;o como maneira de desenvolver o seu pensamento. N&amp;atilde;o &amp;eacute; certo, nem errado, bom, nem mau, &amp;eacute; apenas uma das formas de se pensar. H&amp;aacute; tantas outras com efic&amp;aacute;cia igual ou maior e tamb&amp;eacute;m menor do que esta.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Na rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o com o outro, seja ele coisa ou pessoa, qualquer processo de conhecimento s&amp;oacute; acontece na medida em que eu recebo o outro. Alguns fil&amp;oacute;sofos falaram em sair de si como processo de ant&amp;iacute;tese, mas a ant&amp;iacute;tese s&amp;oacute; acontecer&amp;aacute; realmente se eu me abrir para o outro, &amp;eacute; ele quem me trar&amp;aacute; o diferente, e n&amp;atilde;o eu. Como em Her&amp;aacute;clito, s&amp;oacute; me darei conta de que n&amp;atilde;o me banho duas vezes no mesmo rio se eu deixar que o rio passe por mim e n&amp;atilde;o eu por ele.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Rosemiro A. Sefstrom&lt;/p&gt;
</description><author>Instituto Sul Catarinense de Filosofia Clínica</author><pubDate>Wed, 01 Feb 2012 13:01:00 -0200</pubDate></item><item><title>Lei da atração</title><link>http://www.filosofiaclinicasc.com.br/artigo/lei-da-atra-o-102</link><guid>http://www.filosofiaclinicasc.com.br/artigo/lei-da-atra-o-102</guid><description>&lt;p class=&#039;legenda&#039;&gt;&lt;img src=&#039;http://www.filosofiaclinicasc.com.br/image/YTozOntzOjU6IndpZHRoIjtpOjQyNjtzOjc6ImVubGFyZ2UiO2k6MTtzOjM6InNyYyI7czozMjoiaW1hZ2Vucy9ub3RpY2lhcy9ub3RpY2lhXzEwMi5qcGciO30=/img.jpg&#039; alt=&#039;Lei da atração&#039; /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;
	N&amp;atilde;o s&amp;atilde;o poucas as vezes que ouvi perguntas sobre mentaliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o, pessoas querendo saber o que &amp;eacute; e como ela funciona. Por detr&amp;aacute;s desta t&amp;eacute;cnica existe o que chamam de Lei da Atra&amp;ccedil;&amp;atilde;o, ou seja, aquilo que voc&amp;ecirc; pensa &amp;eacute; o que voc&amp;ecirc; atrai. Segundo alguns, a teoria vai ainda mais longe: aquilo que voc&amp;ecirc; mentaliza se materializa. Dizem ainda que as pessoas de um modo geral n&amp;atilde;o melhoram de vida porque n&amp;atilde;o colocam isso em suas mentes, n&amp;atilde;o colocam isso como futuro. Sendo assim, se penso que estou doente ou ficando doente, logo ficarei doente. Alguns podem dizer que n&amp;atilde;o &amp;eacute; t&amp;atilde;o simples assim, concordo. Mas h&amp;aacute; ainda a quest&amp;atilde;o: e as pessoas que fazem mentaliza&amp;ccedil;&amp;otilde;es e nada acontece? Segundo os pregadores destas teorias, a pessoa est&amp;aacute; fazendo errado.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	A Lei da Atra&amp;ccedil;&amp;atilde;o encontra seus opositores h&amp;aacute; muito tempo, entre as cr&amp;iacute;ticas &amp;agrave; teoria, duas s&amp;atilde;o interessantes e relevantes. A primeira cr&amp;iacute;tica diz respeito a cientificidade do assunto: n&amp;atilde;o h&amp;aacute; na f&amp;iacute;sica nada que possa provar que realmente o pensamento possa atrair algo, quanto mais materializar. Sendo assim, por falta de cientificidade a comunidade cient&amp;iacute;fica desacredita na Lei da Atra&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Outra cr&amp;iacute;tica, n&amp;atilde;o menos verdadeira, &amp;eacute; a de que este tipo de pensamento pode levar quem mentaliza a culpar a v&amp;iacute;tima. Como? &amp;Eacute; a hist&amp;oacute;ria de pessoas que outorgam culpa aos outros, ou seja, se eu mentalizo s&amp;oacute; depende de mim, mas se n&amp;atilde;o der certo outras pessoas receber&amp;atilde;o a culpa.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	A Lei da Atra&amp;ccedil;&amp;atilde;o existe e pode ser provada cientificamente no que diz respeito &amp;agrave; eletricidade e ao magnetismo. Ali sim, a lei realmente &amp;eacute; uma lei. Pois lei &amp;eacute; um processo cient&amp;iacute;fico que foi testado e comprovado como infal&amp;iacute;vel, como a lei da gravidade. At&amp;eacute; o momento n&amp;atilde;o sabemos de algu&amp;eacute;m que conseguiu desfazer a gravidade. S&amp;oacute; que, mesmo assim, ainda fica aquele ponto de interroga&amp;ccedil;&amp;atilde;o sobre o fato do pensamento atrair ou n&amp;atilde;o coisas boas e ruins. &lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Das v&amp;aacute;rias formas de se trabalhar a quest&amp;atilde;o do pensamento coloco duas, as mais comuns. O pensamento por si s&amp;oacute; &amp;eacute; apenas pensamento de alguma coisa, mas algumas pessoas aprenderam a ligar o pensamento ao corpo, ou seja, o que elas pensam se reflete no corpo. Nestes casos, a for&amp;ccedil;a do pensamento est&amp;aacute; intimamente ligada ao corpo, se elas estiverem mal nos pensamentos provavelmente o corpo tamb&amp;eacute;m estar&amp;aacute; mal. Este mal se manifesta de diversas formas, um deles &amp;eacute; a afta na boca (alguns empres&amp;aacute;rios devem saber do que estou falando). H&amp;aacute; ainda a famosa gastrite, quando a pessoa est&amp;aacute; com a cabe&amp;ccedil;a muito atribulada &amp;eacute; o est&amp;ocirc;mago o primeiro a dar o sinal. Para isto a explica&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;eacute; muito simples: chama-se somatiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o, algumas pessoas conseguem fazer isto, outras n&amp;atilde;o.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Outra maneira de se tratar disto &amp;eacute; pela dire&amp;ccedil;&amp;atilde;o em que o pensamento est&amp;aacute;, pelos conte&amp;uacute;dos que tenho no meu pensamento. Cada um durante o dia pensa em muitas coisas, alguns mais, outros menos. Mas, de qualquer forma o pensamento &amp;eacute; pensamento de alguma coisa. Assim, quando eu passo o dia pensando nas minhas d&amp;iacute;vidas, no que tenho para pagar e n&amp;atilde;o me concentro em outras coisas que tem o meu dia, provavelmente minhas dividas ir&amp;atilde;o aparecer bem mais que todo o resto. &amp;Eacute; assim tamb&amp;eacute;m com um namoro, o menino come&amp;ccedil;a o relacionamento e logo pensa que n&amp;atilde;o vai dar certo, est&amp;aacute; sempre tenso porque sabe que n&amp;atilde;o vai dar certo. O seu pensamento, n&amp;atilde;o por ser negativo, mas por tirar sua aten&amp;ccedil;&amp;atilde;o ao momento faz com que ele torne-se uma p&amp;eacute;ssima companhia e a&amp;iacute; sim, pode dar tudo errado.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	O pensamento positivo, ou seja, em torno de coisas que se quer, se deseja, s&amp;atilde;o sim bons e deveriam ser cultivados. Ao cultivar bons pensamento provavelmente terei sempre boas companhias, bons momentos. Ao pensar estou vivendo as situa&amp;ccedil;&amp;otilde;es, assim, quando o meu pensamento se colocar numa certa dire&amp;ccedil;&amp;atilde;o, antes mesmo de chegar l&amp;aacute; j&amp;aacute; estarei vivendo o acontecimento, mesmo que nunca se torne material. &lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Rosemiro A. Sefstrom&lt;/p&gt;
</description><author>Instituto Sul Catarinense de Filosofia Clínica</author><pubDate>Thu, 26 Jan 2012 12:41:00 -0200</pubDate></item><item><title>O elo mais fraco!</title><link>http://www.filosofiaclinicasc.com.br/artigo/o-elo-mais-fraco-101</link><guid>http://www.filosofiaclinicasc.com.br/artigo/o-elo-mais-fraco-101</guid><description>&lt;p&gt;
	No artigo anterior abordei a quest&amp;atilde;o das rela&amp;ccedil;&amp;otilde;es exemplificando algumas possibilidades de rela&amp;ccedil;&amp;otilde;es e o perigo impl&amp;iacute;cito em cada uma delas, no entanto, n&amp;atilde;o propus um formato de rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o saud&amp;aacute;vel. Antes de propor uma forma &amp;eacute; interessante retomar um tipo de rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o que tem se acentuado nos dias de hoje e &amp;eacute; quase palavra de ordem: a rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o de igualdade. Quando se fala em rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o de igualdade &amp;eacute; praticamente imposs&amp;iacute;vel deixar de fora Friedrich Wilhelm Nietzsche, fil&amp;oacute;sofo alem&amp;atilde;o conhecido por ser, ainda hoje, &amp;agrave; frente do seu tempo. &lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Partindo de algumas ideias do fil&amp;oacute;sofo alem&amp;atilde;o pensemos na rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o de igualdade. A rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o de igualdade procura nivelar os seres humanos de tal forma que ningu&amp;eacute;m seja prejudicado. Podemos ilustrar pensando numa professora que, em sala de aula com os seus alunos, espera at&amp;eacute; o mais lento de todos terminar para depois apagar o quadro. Essa atitude abona o aluno mais lento a continuar lento e faz com que os alunos r&amp;aacute;pidos se tornem lentos enquanto grupo. Desta maneira, pela condi&amp;ccedil;&amp;atilde;o do mais fraco, a turma toda se nivela pelo mais fraco. H&amp;aacute; um ditado que diz que: &amp;ldquo;Uma corrente &amp;eacute; t&amp;atilde;o forte quanto o seu elo mais fraco&amp;rdquo;. &lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Para Nietzsche, essa moral de rebanho, onde o mais forte &amp;eacute; subjugado pelo mais fraco &amp;eacute; o que faz a sociedade fraca. Para ele h&amp;aacute; de vir ainda o tempo em que ser&amp;aacute; valorizado o mais forte, porque ele se far&amp;aacute; valorizar. O tempo em que o forte n&amp;atilde;o ter&amp;aacute; medo de ser forte e subjugar os mais fracos at&amp;eacute; que estes se esforcem para conquistar o lugar do mais forte. Para ele n&amp;atilde;o h&amp;aacute; igualdade, somos diferentes. Desde o nosso DNA at&amp;eacute; nosso esp&amp;iacute;rito, somos diferentes. Igualar &amp;eacute; menosprezar as capacidades individuais, desprezar o potencial dos mais fortes em favor da morosidade dos mais fracos. Mesmo numa rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o entre diferentes pode haver respeito, n&amp;atilde;o h&amp;aacute; necessidade de alegar uma igualdade que justifique atitudes diferentes. H&amp;aacute; sim, a necessidade de entender que somos diferentes e dentro dessa diferen&amp;ccedil;a constroem-se as rela&amp;ccedil;&amp;otilde;es. &lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	O que proponho neste escrito &amp;eacute; a rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o como uma constru&amp;ccedil;&amp;atilde;o, ou seja, uma rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o que n&amp;atilde;o seja unilateral, mas bilateral. A rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o onde eu e o outro nos colocamos num espa&amp;ccedil;o comum, de modo a aprendermos um com o outro qual &amp;eacute; a melhor maneira de conduzir. Neste espa&amp;ccedil;o, veremos qual tipo de rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;eacute; mais saud&amp;aacute;vel, se &amp;eacute; de neg&amp;oacute;cio, como muitos casamentos nos dias de hoje, se &amp;eacute; de casamento, se &amp;eacute; de depend&amp;ecirc;ncia, se &amp;eacute; de posse. N&amp;atilde;o interessa o tipo de rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o, mas sim a presen&amp;ccedil;a dos dois envolvidos na constru&amp;ccedil;&amp;atilde;o deste v&amp;iacute;nculo.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Esta constru&amp;ccedil;&amp;atilde;o se dar&amp;aacute; a partir do momento em que eu entender que o outro me ensina qual &amp;eacute; o melhor tipo de rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o para se ter com ele, assim como o outro aprende comigo qual &amp;eacute; a melhor maneira de se relacionar comigo. Muitos casamentos n&amp;atilde;o d&amp;atilde;o certo porque o marido emprega &amp;agrave; for&amp;ccedil;a o seu jeito de se relacionar, assim como a esposa pode fazer o mesmo. A constru&amp;ccedil;&amp;atilde;o da rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o se dar&amp;aacute; de maneira saud&amp;aacute;vel quando o outro for o meu professor no que diz respeito a ele.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Rosemiro A. Sefstrom&lt;/p&gt;
</description><author>Instituto Sul Catarinense de Filosofia Clínica</author><pubDate>Thu, 19 Jan 2012 13:28:00 -0200</pubDate></item><item><title>Fora de mim!</title><link>http://www.filosofiaclinicasc.com.br/artigo/fora-de-mim-100</link><guid>http://www.filosofiaclinicasc.com.br/artigo/fora-de-mim-100</guid><description>&lt;p class=&#039;legenda&#039;&gt;&lt;img src=&#039;http://www.filosofiaclinicasc.com.br/image/YTozOntzOjU6IndpZHRoIjtpOjQyNjtzOjc6ImVubGFyZ2UiO2k6MTtzOjM6InNyYyI7czozMjoiaW1hZ2Vucy9ub3RpY2lhcy9ub3RpY2lhXzEwMC5qcGciO30=/img.jpg&#039; alt=&#039;Fora de mim!&#039; /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;
	Diariamente estamos em rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o com pessoas, objetos, sentimentos, pensamentos, sensa&amp;ccedil;&amp;otilde;es. Nossas rela&amp;ccedil;&amp;otilde;es podem, em certa medida, mostrar como estamos em rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o ao mundo e alguns dos motivos pelos quais sofremos. Relacionar-se &amp;eacute; estar em contato, ou seja, criar uma ponte que me liga ao outro, ao diferente, &amp;agrave;quilo que n&amp;atilde;o sou eu. Essa rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o pode ocorrer em car&amp;aacute;ter positivo, negativo, confuso ou indefnido. O recomend&amp;aacute;vel &amp;eacute; o positivo, mas algumas rela&amp;ccedil;&amp;otilde;es s&amp;oacute; ser&amp;atilde;o produtivas se forem negativas. Este, no entanto, n&amp;atilde;o &amp;eacute; o foco do que estamos trabalhando neste escrito. O que interessa aqui s&amp;atilde;o as formas como criamos essas pontes em rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o ao outro.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Uma forma de se construir uma rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o com o outro &amp;eacute; pela necessidade, ou seja, a falta me leva a buscar o outro. Nesta rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o eu me coloco em dire&amp;ccedil;&amp;atilde;o ao outro porque preciso dele, como o corpo que precisa de alimento, e essa necessidade s&amp;oacute; passar&amp;aacute; quando for saciada. Este tipo de rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o, a necessidade, torna-me dependente do outro na medida em que preciso dele. Precisar &amp;eacute; inevitavelmente estar amarrado, fadado a viver na depend&amp;ecirc;ncia daquilo que preciso e a sua aus&amp;ecirc;ncia ter&amp;aacute; consequ&amp;ecirc;ncias. Esta rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o de necessidade torna tanto o sujeito quanto o objeto prisioneiros de sua condi&amp;ccedil;&amp;atilde;o, &amp;eacute; uma rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o de causa e efeito.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Outro tipo de rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;eacute; a de propriedade, muito comum nos dias de hoje, onde eu me relaciono com as coisas porque elas me pertencem. Aqui a rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o se d&amp;aacute; no n&amp;iacute;vel de perten&amp;ccedil;a, sendo assim, a minha ponte com o outro &amp;eacute; a minha propriedade sobre ele: eu sou aquele a quem o objeto pertence. Pode-se pensar no caso dos relacionamentos, onde a menina ou o menino diz que o outro &amp;eacute; &amp;ldquo;seu&amp;rdquo; namorado ou namorada, assim como a &amp;ldquo;minha&amp;rdquo; esposa e assim por diante. A rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o de propriedade reduz o objeto a minha vontade, &amp;eacute; meu, fa&amp;ccedil;o o que me for conveniente, perigosa esta ideia, mas fora da &amp;eacute;tica ela anda solta. &lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	H&amp;aacute; uma forma de rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o da qual se fala pouco, mas que a ci&amp;ecirc;nca tem feito de tudo para alcan&amp;ccedil;ar: a rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o de domina&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Diferente da rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o de perten&amp;ccedil;a onde o outro &amp;eacute; meu, agora eu domino, posso n&amp;atilde;o ter propriedade, mas tenho controle. Forma estranha de se criar uma ponte com o outro, como se fosse realmente poss&amp;iacute;vel dominar pensamentos, emo&amp;ccedil;&amp;otilde;es, etc. Mas mesmo sendo um tipo de rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o pouco falada &amp;eacute; por ela que muitos relacionamentos afetivos se d&amp;atilde;o, onde o marido controla a esposa, os filhos. Esse tipo de rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;eacute; quase o &amp;ldquo;p&amp;aacute;trio poder&amp;rdquo; que se vivia na Gr&amp;eacute;cia Antiga, mas &amp;eacute; uma rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o que d&amp;aacute; certa seguran&amp;ccedil;a a quem domina. Uma ponte em que um lado est&amp;aacute; acima do outro, onde o dominador tem o controle, uma rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o em que pode haver oprimidos. Algumas pessoas gostam de ser controladas, precisam disso, mas ser&amp;aacute; que &amp;eacute; para todos assim?&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Nos dias atuais, depois de centenas de anos de escravid&amp;atilde;o e discrimina&amp;ccedil;&amp;atilde;o, o discurso &amp;eacute; que temos de ter rela&amp;ccedil;&amp;otilde;es de igualdade, afinal somos todos iguais. &amp;Eacute; um discurso amplamente estranho, uma vez que me relaciono com o outro como me relaciono comigo. Ent&amp;atilde;o, o outro &amp;eacute; nada mais do que um eu copiado em outro corpo, &amp;eacute; o mesmo eu vivendo numa roupagem nova, o eu que n&amp;atilde;o est&amp;aacute; em mim. Esse tipo de rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;eacute; a mais perigosa, visto que algumas pessoas n&amp;atilde;o se tratam muito bem, n&amp;atilde;o se cuidam. Apenas como iustra&amp;ccedil;&amp;atilde;o, se eu fumo e acho isso bom, ent&amp;atilde;o isso &amp;eacute; bom para todos, porque somos todos iguais.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	O melhor ou a melhor forma de construir uma rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;eacute; entender que o outro, por mais que seja como eu, &amp;eacute; ainda diferente. &amp;Eacute; justamente na igualdade que somos t&amp;atilde;o difentes, somo seres de diferen&amp;ccedil;a. S&amp;oacute; &amp;eacute; poss&amp;iacute;vel acessar ao outro realmente se ele se deixar vir a mim, &amp;eacute; na rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o com o outro que chego a ele, pela vontade dele e n&amp;atilde;o pela minha. &amp;Eacute; o outro quem se doa a mim e n&amp;atilde;o eu que entro na realidade dele. &lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Rosemiro A. Sefstrom&lt;/p&gt;
</description><author>Instituto Sul Catarinense de Filosofia Clínica</author><pubDate>Sun, 15 Jan 2012 11:10:00 -0200</pubDate></item></channel></rss>
