<?xml version="1.0" encoding="UTF-8" ?><rss version="2.0"><channel><title>Filosofia Clinica - Instituto Sul Catarinense</title><description>Artigos publicados no site www.filosofiaclinicasc.com.br</description><link>http://www.filosofiaclinicasc.com.br/</link><item><title>Quem é sua família?</title><link>http://www.filosofiaclinicasc.com.br/artigo/quem-sua-fam-lia-30</link><guid>http://www.filosofiaclinicasc.com.br/artigo/quem-sua-fam-lia-30</guid><description>&lt;p&gt;
	Voc&amp;ecirc; provavelmente j&amp;aacute; viu atr&amp;aacute;s dos autom&amp;oacute;veis aqueles adesivos representando a fam&amp;iacute;lia do condutor ou da condutora do ve&amp;iacute;culo, esses adesivos tornaram-se um modismo nas grandes cidades, ou como se diz por aqui, tornaram-se uma febre.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Como fica uma situa&amp;ccedil;&amp;atilde;o em que o homem separa-se da primeira mulher, onde teve uma filha, depois ele se casa novamente com outra mulher e atualmente tem dois filhos nesse segundo casamento? E para complicar um pouco mais, a esposa atual resolve representar sua fam&amp;iacute;lia com bonequinhos do pai de um lado, a m&amp;atilde;e do outro lado e no meio, como que bem protegidos, os dois filhos, excluindo a filha do primeiro casamento? Sobre a &amp;oacute;tica da nova esposa est&amp;aacute; correto, pois para ela a sua fam&amp;iacute;lia &amp;eacute; aquela. E como fica a cabe&amp;ccedil;a da adolescente ao visitar o pai e, no passeio do fim de semana, descobre que foi exclu&amp;iacute;da da nova &amp;ldquo;fam&amp;iacute;lia&amp;rdquo; do pai, representada pelas figuras no adesivo da traseira do seu autom&amp;oacute;vel da fam&amp;iacute;lia?&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Outro caso. Domingo, num passeio, encontrei um autom&amp;oacute;vel com um adesivo ainda mais estranho. A fam&amp;iacute;lia, nesse caso, &amp;eacute; representada no lado esquerdo por um homem, uma mulher e uma filha e no lado direito, bem longe, dois meninos. Perguntei ao pai, que dirigia o autom&amp;oacute;vel, qual o significado e ele me respondeu que se tratava de filhos de outros dois casamentos. &lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Algu&amp;eacute;m disse a Jesus: &amp;ldquo;Olha! Tua m&amp;atilde;e e teus irm&amp;atilde;os est&amp;atilde;o a&amp;iacute; fora e querem falar contigo&amp;rdquo;. Jesus perguntou aquele que tinha falado: &amp;ldquo;Quem &amp;eacute; minha m&amp;atilde;e e quem s&amp;atilde;o meus irm&amp;atilde;os?&amp;rdquo; E estendendo a m&amp;atilde;o para os disc&amp;iacute;pulos, Jesus disse: &amp;ldquo;Aqui est&amp;atilde;o minha m&amp;atilde;e e meus irm&amp;atilde;os&amp;rdquo;.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Quem &amp;eacute; sua m&amp;atilde;e e quem s&amp;atilde;o seus irm&amp;atilde;os? Algumas pessoas t&amp;ecirc;m muito mais rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o fraternal com um colega de escola, do trabalho, do que com o irm&amp;atilde;o de sangue. N&amp;atilde;o h&amp;aacute; certo ou errado nisso. Essa conven&amp;ccedil;&amp;atilde;o que fam&amp;iacute;lia &amp;eacute; somente os parentes de sangue me parece que est&amp;aacute; se transformando e &amp;eacute; preciso prestar aten&amp;ccedil;&amp;atilde;o nisso, sem oferecer julgamento. &lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Algumas pessoas s&amp;atilde;o cru&amp;eacute;is com elas mesmas tentando for&amp;ccedil;ar uma rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o com irm&amp;atilde;os de sangue, onde n&amp;atilde;o h&amp;aacute; intera&amp;ccedil;&amp;atilde;o alguma, fazem isso somente por ser filho do mesmo pai e da mesma m&amp;atilde;e. &lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Algumas pessoas com valores crist&amp;atilde;os se condenam por n&amp;atilde;o amar seu pai, sua m&amp;atilde;e, seus irm&amp;atilde;os, suas irm&amp;atilde;s. E como fica o quarto mandamento de Deus? Voc&amp;ecirc; j&amp;aacute; se deu conta que esse mandamento fala de honrar e n&amp;atilde;o de amar, de ter intera&amp;ccedil;&amp;atilde;o? Ser&amp;aacute; que &amp;eacute; preciso for&amp;ccedil;ar uma conviv&amp;ecirc;ncia?&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	J&amp;aacute; atendi m&amp;atilde;e destru&amp;iacute;da, desesperada, triste por ter brigado com o filho que foi embora de casa e o estopim causador foi a proibi&amp;ccedil;&amp;atilde;o da partida. &amp;ldquo;Ele &amp;eacute; meu filho e filho n&amp;atilde;o pode abandonar a m&amp;atilde;e&amp;rdquo;, disse-me ela.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Talvez uma das chaves desta rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o que causa tanto trauma esteja aqui, no pronome possessivo, no &amp;ldquo;meu&amp;rdquo;, no &amp;ldquo;nosso&amp;rdquo;. Dizer que os filhos s&amp;atilde;o nossos &amp;eacute; o mesmo que o mar afirmar que o rio &amp;eacute; de sua propriedade.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Eu sei que como pai, queremos tanto o bem deles, amamos tanto, que muitas vezes atrapalhamos esse fluxo natural do &amp;ldquo;rio&amp;rdquo;. Em alguns, esse processo possessivo sufoca-os a ponto de preferirem amigos cibern&amp;eacute;ticos a amizades com o pai, m&amp;atilde;e, irm&amp;atilde;os do mesmo teto ou at&amp;eacute; com colegas pr&amp;oacute;ximos.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Kahlil Gibran, fil&amp;oacute;sofo liban&amp;ecirc;s, diz que nossos filhos n&amp;atilde;o s&amp;atilde;o nossos, s&amp;atilde;o sim filhos e filhas dos desejos que a vida tem de si mesma.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Quem &amp;eacute; seu pai, quem &amp;eacute; sua m&amp;atilde;e, quem s&amp;atilde;o seus irm&amp;atilde;os, suas irm&amp;atilde;s? Quem foram as pessoas que fizeram diferen&amp;ccedil;a na estrutura&amp;ccedil;&amp;atilde;o de seu pensamento? E ser&amp;aacute; que essas pessoas que fizeram diferen&amp;ccedil;a podem ser chamadas de m&amp;atilde;e, de pai, de irm&amp;atilde;o, de irm&amp;atilde;? Quem foram e quem s&amp;atilde;o essas pessoas que fazem diferen&amp;ccedil;a na sua vida? Quem &amp;eacute; seu pai, quem &amp;eacute; sua m&amp;atilde;e, quem s&amp;atilde;o suas irm&amp;atilde;s, quem s&amp;atilde;o seus irm&amp;atilde;os?&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Isso &amp;eacute; assim para mim.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Estamos juntos&lt;br /&gt;
	Beto Colombo&lt;br /&gt;
	_______________________________________________________________________________________&lt;br /&gt;
	&lt;em&gt;Artigo publicado no Jornal A Tribuna em 26/08/2010.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
</description><author>Instituto Sul Catarinense de Filosofia Clínica</author><pubDate>Thu, 26 Aug 2010 13:46:00 -0300</pubDate></item><item><title>Solidão</title><link>http://www.filosofiaclinicasc.com.br/artigo/solid-o-29</link><guid>http://www.filosofiaclinicasc.com.br/artigo/solid-o-29</guid><description>&lt;p&gt;
	H&amp;aacute; algum tempo ouvia algumas pessoas falarem da solid&amp;atilde;o nos tempos atuais, mas se referiam a esta quest&amp;atilde;o como conseq&amp;uuml;&amp;ecirc;ncia da vida nos dias atuais. Diziam que a solid&amp;atilde;o &amp;eacute; algo comum para um tempo onde as pessoas se relacionam com m&amp;aacute;quinas e n&amp;atilde;o tem mais aquela conversa de final de tarde. Aquela velha e boa conversa, em que sentavam-se nas poucas cadeiras que tinham e compartilhavam um bom papo com um mate amargo, com um cafezinho ou qualquer outro tempero. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	Mas, n&amp;atilde;o me parece que a solid&amp;atilde;o seja apenas resultado da moderniza&amp;ccedil;&amp;atilde;o, da conviv&amp;ecirc;ncia entre homem e m&amp;aacute;quina. Afinal, nunca se teve tantos aparelhos celulares, nunca tivemos tantos computadores ligado &amp;agrave; internet, tantos perfis no Orku, Facebook e tantos outros sites de relacionamento. Poder&amp;iacute;amos, inclusive, buscar dados na internet, das horas de conversa dos telefones que temos nos dias atuais. Por essa l&amp;oacute;gica, posso dizer, com tranq&amp;uuml;ilidade que n&amp;atilde;o &amp;eacute; por falta de companhia que muitas pessoas sofrem de solid&amp;atilde;o.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	Um dos fatores que tenho acompanhado &amp;eacute; a crescente quantidade de pessoas que fala e n&amp;atilde;o diz nada, assim como aqueles que escutam , mas nada ouvem. &amp;Eacute; um fen&amp;ocirc;meno f&amp;aacute;cil de se observar, a quantidade de livros, sites, revistas, palestras e tantas outras fontes de informa&amp;ccedil;&amp;atilde;o que falam muito, mas nada dizem. Algumas pessoas precisam falar, n&amp;atilde;o estou dizendo do ato da fala, mas de colocar para fora o que tem dentro de si e n&amp;atilde;o encontram mais lugar. Tem muito mais pessoas com quem conversar do que tinham seus pais, seus av&amp;oacute;s e assim por diante, mas n&amp;atilde;o conseguem se sentir ouvidas. Por isso, muitas vezes os partilhantes saem do consult&amp;oacute;rio t&amp;atilde;o bem ap&amp;oacute;s uma consulta de cinq&amp;uuml;enta minutos, pois foram ouvidos, o interlocutor fez parte do seu jogo de linguagem.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	N&amp;atilde;o &amp;eacute; a quantidade de palavras que essas pessoas dizem que faz com que elas coloquem para fora seus conte&amp;uacute;dos, mas a maneira como fazem isto. Essas pessoas geralmente sentem-se sozinhas, visto que parecem estar conversando com pedras, n&amp;atilde;o tem retorno al&amp;eacute;m do eco. Pior do que isso, s&amp;atilde;o cada vez mais jovens as pessoas que vem reclamando de solid&amp;atilde;o. Voc&amp;ecirc; sente que est&amp;aacute; conseguindo dizer o que est&amp;aacute; dentro de voc&amp;ecirc;, e voc&amp;ecirc; ouve as pessoas com quem est&amp;aacute;. Para alguns a solid&amp;atilde;o &amp;eacute; uma generosa companhia, aquela que n&amp;atilde;o incomoda, mas que conduz o sil&amp;ecirc;ncio do pensamento. Mas, para outras pessoas, a solid&amp;atilde;o &amp;eacute; como um carrasco, que tortura, machuca, pelo simples fato de ficar ali, parado, quieto, avisando algo que n&amp;atilde;o temos como saber.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Pense nisso!&lt;br /&gt;
	Rosemiro A. Sefstrom&lt;/p&gt;
</description><author>Instituto Sul Catarinense de Filosofia Clínica</author><pubDate>Tue, 24 Aug 2010 16:29:00 -0300</pubDate></item><item><title>Cativar</title><link>http://www.filosofiaclinicasc.com.br/artigo/cativar-28</link><guid>http://www.filosofiaclinicasc.com.br/artigo/cativar-28</guid><description>&lt;p&gt;
	O Pr&amp;iacute;ncipe encontrou-se com um bichinho em um distante mundo, bichinho esse que ele nunca havia encontrado antes, uma raposa. A raposa lhe disse:&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	- Voc&amp;ecirc; quer me cativar?&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	- O que &amp;eacute; isso? &amp;ndash; Perguntou o menino.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	- Cativar &amp;eacute; assim. &amp;ndash; Disse a raposa: - Eu me assento aqui, voc&amp;ecirc; se assenta l&amp;aacute;, bem longe. Amanh&amp;atilde; a gente se assenta mais perto e assim aos poucos, cada vez mais perto...&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	O tempo passou, o Principezinho cativou a raposa e chegou a hora de partir. &lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	- Eu vou chorar. &amp;ndash; Disse a raposa.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	- N&amp;atilde;o &amp;eacute; minha culpa. &amp;ndash; Desculpou-se a crian&amp;ccedil;a. &amp;ndash; Eu lhe disse, eu n&amp;atilde;o queria cativ&amp;aacute;-lo. N&amp;atilde;o valeu a pena, voc&amp;ecirc; percebe? Agora voc&amp;ecirc; vai chorar!&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	- Valeu a pena sim. &amp;ndash; Respondeu a raposa &amp;ndash; Quer saber por qu&amp;ecirc;? Sou uma raposa, n&amp;atilde;o como trigo, s&amp;oacute; como galinha. O trigo n&amp;atilde;o significa absolutamente nada para mim, mas voc&amp;ecirc; me cativou. Seu cabelo &amp;eacute; louro e agora, na sua aus&amp;ecirc;ncia, quando o vento fizer balan&amp;ccedil;ar o campo de trigo eu ficarei feliz pensando em voc&amp;ecirc;. &lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	&lt;em&gt;(Texto retirado do livro O Pequeno Pr&amp;iacute;ncipe, de Antoine de Saint-Exup&amp;eacute;ry, jornalista e piloto franc&amp;ecirc;s.)&lt;br /&gt;
	&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;
	Com esse texto batemos aquele papo gostoso na sexta-feira &amp;agrave; tarde na Feira do Livro na Pra&amp;ccedil;a Nereu Ramos. &lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Algumas pessoas n&amp;atilde;o est&amp;atilde;o satisfeitas com o rumo que levou sua vida, reclamam que ficou mon&amp;oacute;tona, que virou rotina, o livro O Pequeno Pr&amp;iacute;ncipe tamb&amp;eacute;m trata desse assunto, quando a raposa se queixa da sua vida. &amp;ldquo;Eu ca&amp;ccedil;o galinhas e os homens me ca&amp;ccedil;am. Todas as galinhas se parecem e todos os homens se parecem tamb&amp;eacute;m e por isso fico aborrecida, mas se tu me cativas, minha vida ser&amp;aacute; como que cheia de sol&amp;rdquo;.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Quando o Pr&amp;iacute;ncipe disse que n&amp;atilde;o tinha mais tempo para cativar-lhe, a raposa diz:&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	- Os homens n&amp;atilde;o t&amp;ecirc;m mais tempo para conhecer coisa alguma. Compram tudo prontinho nas lojas, como n&amp;atilde;o existem lojas de amigos, os homens n&amp;atilde;o t&amp;ecirc;m mais amigos.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	E a dica de como cativar est&amp;aacute; nesse livro escrito em 1943 e observem que na &amp;eacute;poca a televis&amp;atilde;o e os meios que enclausuram os homens ainda n&amp;atilde;o existiam do jeito de hoje.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	- Tu queres ser meu amigo, cativa-me.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	- Que &amp;eacute; preciso fazer? &amp;ndash; Perguntou a crian&amp;ccedil;a.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	- &amp;Eacute; preciso ser paciente (paz-ci&amp;ecirc;ncia). &amp;ndash; Respondeu a raposa.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	E assim, mesmo ausente em cada balan&amp;ccedil;ar dos trigos, o Pr&amp;iacute;ncipe se fazia presente para a raposa naquele distante planeta.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	- Cada vez que ofere&amp;ccedil;o a outra face, cada vez que amo o pr&amp;oacute;ximo, Cristo se faz presente.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	- Cada vez que quero mudar o mundo do outro sem mudar a mim mesmo, Gandhi se faz presente.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	- Cada vez que fico em paz fazendo o bem, trago de volta Victor Hugo. &amp;ldquo;O bem que se faz purifica a alma&amp;rdquo; e de novo ele volta quando vejo uma dedicada professora pacientemente ensinando uma crian&amp;ccedil;a, quando ele diz: &amp;ldquo;Cada crian&amp;ccedil;a que se ensina &amp;eacute; um homem que se conquista&amp;rdquo;.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Algumas pessoas est&amp;atilde;o esquecendo o encantamento do cativar. Algumas pessoas est&amp;atilde;o se fechando em seus quartos, em seus mundos com suas televis&amp;otilde;es, seus telefones celulares, internet... e perdendo o sabor do encontro, do bate-papo, da troca de experi&amp;ecirc;ncia, de informa&amp;ccedil;&amp;atilde;o, do conhecimento e deixam de sentir a magia do cativar.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	E voc&amp;ecirc;, o que tem feito para cativar?&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Isso &amp;eacute; assim para mim.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Estamos juntos&lt;br /&gt;
	Beto Colombo&lt;br /&gt;
	_____________________________________________________________________________________________________________________&lt;br /&gt;
	&lt;em&gt;Artigo publicado no Jornal A Tribuna em 19/08/2010.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
</description><author>Instituto Sul Catarinense de Filosofia Clínica</author><pubDate>Thu, 19 Aug 2010 10:29:00 -0300</pubDate></item><item><title>A Ditadura da Razão</title><link>http://www.filosofiaclinicasc.com.br/artigo/a-ditadura-da-raz-o-27</link><guid>http://www.filosofiaclinicasc.com.br/artigo/a-ditadura-da-raz-o-27</guid><description>&lt;p&gt;
	Houve uma &amp;eacute;poca conhecida como medieval em que a filosofia diminuiu e alguns fil&amp;oacute;sofos at&amp;eacute; deixaram de fazer os questionamentos tradicionais: Quem Somos, De Onde Viemos, Para Onde Vamos. Nessa &amp;eacute;poca, a principal ocupa&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos fil&amp;oacute;sofos era responder a pergunta fundamental que a ci&amp;ecirc;ncia se propunha: Pra que?&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	N&amp;atilde;o bastava conhecer, imaginar, sentir... Era preciso responder a que fim cada objeto, ser vivo, planetas e tudo mais se destinava, para que serviam. Assim, os fil&amp;oacute;sofos medievais passaram a se empenhar para dar respostas &amp;agrave;s autoridades.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Inserido nesse contexto, houve um homem conhecido como Kepler, nascido em Wurttemberg, atual Alemanha, que dedicou toda a sua vida a astronomia. Para Kepler, Deus n&amp;atilde;o havia colocado os planetas daquele jeito no c&amp;eacute;u por acaso. Ele escreveu sua teoria acreditando que Deus era um grande M&amp;uacute;sico Ge&amp;ocirc;metra e as regularidades matem&amp;aacute;ticas dos movimentos dos astros podiam ser decifradas de sorte a revelar a melodia que ele fazia os planetas cantarem em coro no Firmamento para o &amp;ecirc;xtase dos homens.&lt;br /&gt;
	Johannes Kepler, no final de suas investiga&amp;ccedil;&amp;otilde;es, chegou a representar cada planeta por meio de uma nota musical.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	O que Kepler faz em rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o aos planetas, outros fil&amp;oacute;sofos e tamb&amp;eacute;m cientistas fizeram com as plantas, as pedras, os animais, os fen&amp;ocirc;menos f&amp;iacute;sicos e qu&amp;iacute;micos, perguntando acerca de suas finalidades est&amp;eacute;ticas, &amp;eacute;ticas, humanas... Para ter valor precisava ser respondido para que servia e assim, o universo inteiro precisava ter uma compreens&amp;atilde;o humana. Como Kepler, em rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o aos astros, houve os que tentaram explicar a exist&amp;ecirc;ncia de Deus pela raz&amp;atilde;o e assim por diante. O racioc&amp;iacute;nio finalista que vem l&amp;aacute; dos tempos de Arist&amp;oacute;teles estava de volta e para tudo tinha que ter uma explica&amp;ccedil;&amp;atilde;o e tudo tinha que ter uma fun&amp;ccedil;&amp;atilde;o.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Pensam que &amp;eacute; diferente hoje? Existem casos que &amp;eacute; exatamente assim. Na biologia, por exemplo, voc&amp;ecirc; v&amp;ecirc; um bicho com dentes compridos e na cabe&amp;ccedil;a do bi&amp;oacute;logo vem a resposta &amp;ldquo;esse nasceu para ser roedor&amp;rdquo; e &amp;eacute; assim para cada &amp;oacute;rg&amp;atilde;o do corpo, o cora&amp;ccedil;&amp;atilde;o serve para isso, o rim para aquilo, os pulm&amp;otilde;es... Mas diferente da biologia, nem tudo na vida precisa ser respondido somente pela l&amp;oacute;gica, pela raz&amp;atilde;o, como se tudo na vida nascesse para ter somente fun&amp;ccedil;&amp;atilde;o, finalidade. Isso &amp;eacute; assim para os racionalistas, algumas pessoas n&amp;atilde;o est&amp;atilde;o atr&amp;aacute;s dessas respostas, pelo menos desse jeito.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Por que isso, para que aquilo. Para alguns, isso j&amp;aacute; vem l&amp;aacute; de criancinha e muitas perguntas continuam sem respostas, nem tudo precisa ter uma explica&amp;ccedil;&amp;atilde;o racional. Quantas decis&amp;otilde;es s&amp;atilde;o tomadas pela intui&amp;ccedil;&amp;atilde;o? Como explicar a intui&amp;ccedil;&amp;atilde;o pelo racioc&amp;iacute;nio? De onde tiramos que tudo precisa ter uma resposta? A resposta mais usada na filosofia cl&amp;iacute;nica &amp;eacute; n&amp;atilde;o sei.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Parece-me que h&amp;aacute; s&amp;eacute;culos vivemos na ditadura da raz&amp;atilde;o. A emo&amp;ccedil;&amp;atilde;o pode at&amp;eacute; aparecer de vez em quando, por&amp;eacute;m comportadamente. A emo&amp;ccedil;&amp;atilde;o precisa ficar no cabresto e controlada pela raz&amp;atilde;o. Lembro-me de um pai dizendo para seu filho &amp;ldquo;aqui n&amp;atilde;o &amp;eacute; lugar para chorar, deixa para chorar em casa seu frouxo&amp;rdquo;. Certo e errado, ser ou n&amp;atilde;o ser. Algumas pessoas que n&amp;atilde;o t&amp;ecirc;m como t&amp;oacute;pico determinante a raz&amp;atilde;o sofrem com os racionalistas de hoje e o contr&amp;aacute;rio tamb&amp;eacute;m &amp;eacute; verdadeiro.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	N&amp;atilde;o &amp;eacute; certo ou errado ser raz&amp;atilde;o ou emo&amp;ccedil;&amp;atilde;o, o importante para mim &amp;eacute; saber que somos diferentes e que a individualidade de cada um precisa ser respeitada.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Lembrei agora dos conselhos dos mais velhos naquele contexto que me criei: &amp;ldquo;homem n&amp;atilde;o chora&amp;rdquo;, ou ent&amp;atilde;o &amp;ldquo;agora voc&amp;ecirc; j&amp;aacute; &amp;eacute; um homem feito e precisa ser dur&amp;atilde;o&amp;rdquo;. Quantos agendamentos e quanto sofrimento causado. Pelo menos no meu caso n&amp;atilde;o precisava ser assim. &lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Lembre-se, isso &amp;eacute; assim para mim.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Estamos juntos&lt;br /&gt;
	Beto Colombo&lt;br /&gt;
	__________________________________________________________________________________________________________&lt;br /&gt;
	&lt;em&gt;Artigo publicado no Jornal A Tribuna em 12/08/2010.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
</description><author>Instituto Sul Catarinense de Filosofia Clínica</author><pubDate>Fri, 13 Aug 2010 13:45:00 -0300</pubDate></item><item><title>Confiar em processos ou em pessoas?</title><link>http://www.filosofiaclinicasc.com.br/artigo/confiar-em-processos-ou-em-pessoas-26</link><guid>http://www.filosofiaclinicasc.com.br/artigo/confiar-em-processos-ou-em-pessoas-26</guid><description>&lt;p&gt;
	No Caminho de Santiago de Compostela vemos, em muitas igrejas, bancas de livros e uma caixa de papel&amp;atilde;o com os dizeres: pegas o que necessitas e pague aqui. Isso mesmo, voc&amp;ecirc; compra os livros e outros artigos, ou at&amp;eacute; comida, e deixa o dinheiro numa caixa de papel&amp;atilde;o e n&amp;atilde;o tem ningu&amp;eacute;m para conferir ou vigiar. Os padres e as freiras confiam nos peregrinos.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Lembro-me quando eu ia ao armaz&amp;eacute;m do Seu Vit&amp;oacute;rio fazer compras com a caderneta. Tanto a m&amp;atilde;e confiava no seu Vit&amp;oacute;rio, tanto este confiava em nossa fam&amp;iacute;lia. Que legal!&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Nos EUA e tamb&amp;eacute;m em algumas cidades da Europa e da &amp;Aacute;sia, n&amp;atilde;o entendia aquelas caixas autom&amp;aacute;ticas que vendem jornais. &amp;Eacute; s&amp;oacute; colocar uma moeda e a tampa se abre, voc&amp;ecirc; pega seu jornal e vai embora, e se voc&amp;ecirc; pegar mais que um n&amp;atilde;o tem problema, porque n&amp;atilde;o tem ningu&amp;eacute;m para vigiar ou conferir, eles confiam nos compradores, s&amp;atilde;o pa&amp;iacute;ses administrados confiando nos processos e as estat&amp;iacute;sticas mostram que funcionam.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Aqui no Brasil nossa cultura n&amp;atilde;o &amp;eacute; confiar em processo e sim em pessoas. Ent&amp;atilde;o ficamos dependentes de l&amp;iacute;deres bem intencionados para atribuirmos poderes e direitos e torcendo que eles utilizem com honestidade a chave da nossa casa, do nosso cofre.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Carlos Drummond de Andrade escreveu que &amp;ldquo;a confian&amp;ccedil;a &amp;eacute; um ato de f&amp;eacute;, e esta dispensa racioc&amp;iacute;nio&amp;rdquo;. Se ele tiver raz&amp;atilde;o, estamos em maus len&amp;ccedil;&amp;oacute;is, pois nossos processos aqui n&amp;atilde;o funcionam ou pouco funciona. Vou dar um exemplo do que estou falando: &lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Na Finl&amp;acirc;ndia existe uma sociedade que tudo parece funcionar, desde ruas limpas at&amp;eacute; os hor&amp;aacute;rios que s&amp;atilde;o cumpridos a risca, e todo ou quase todos ficam tranquilos, pois sabem que o combinado vai ser cumprido. Eles confiam nos processos.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Verificada a hist&amp;oacute;ria, descobrimos que a Finl&amp;acirc;ndia, ap&amp;oacute;s a 2&amp;ordf; Guerra Mundial, ficou pressionada entre a Europa e a Uni&amp;atilde;o Sovi&amp;eacute;tica. Os finlandeses escolheram o caminho do consenso, do equil&amp;iacute;brio, desde ent&amp;atilde;o foram governados por coaliz&amp;otilde;es entre partidos de todos os credos pol&amp;iacute;ticos. As elei&amp;ccedil;&amp;otilde;es s&amp;atilde;o feitas sem mentiras, n&amp;atilde;o distorcem verdades tentando quebrar a confian&amp;ccedil;a no partido da oposi&amp;ccedil;&amp;atilde;o. E vice-versa. &amp;Eacute; comum ver governo, empres&amp;aacute;rios e sindicatos conversando civilizadamente para buscar entendimento. A Finl&amp;acirc;ndia &amp;eacute; uma sociedade baseada na confian&amp;ccedil;a, &amp;ldquo;eles confiam nos seus processos&amp;rdquo;, nas transpar&amp;ecirc;ncias das transa&amp;ccedil;&amp;otilde;es, nas leis, tratando todos com direitos e deveres por igual. &lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Se confiar &amp;eacute; uma quest&amp;atilde;o de f&amp;eacute; e dispensa racioc&amp;iacute;nio, ser&amp;aacute; ent&amp;atilde;o que os finlandeses n&amp;atilde;o raciocinam? &amp;Eacute; claro que raciocinam e raciocinam tanto que confiam primeiro nos processos e sabem que as leis naquele pa&amp;iacute;s s&amp;atilde;o cumpridas, seja l&amp;aacute; quem for o governante e os fora da lei s&amp;atilde;o punidos. Ser&amp;aacute; que na Finl&amp;acirc;ndia tamb&amp;eacute;m tem os do &amp;ldquo;dar um jeitinho&amp;rdquo;? Talvez sim, mas tenho certeza que l&amp;aacute; essas pessoas s&amp;atilde;o tratadas como exce&amp;ccedil;&amp;atilde;o.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Confiar quer dizer FIAR &amp;ndash; COM, isso mesmo, confiar nada mais &amp;eacute; do que FIAR com agulhas COM outra pessoa. Pergunto ent&amp;atilde;o: &lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Com qual desses candidatos que a&amp;iacute; est&amp;atilde;o voc&amp;ecirc; (com) fiaria? Qual desses candidatos voc&amp;ecirc; daria a chave da sua casa, do seu cofre? Pois &amp;eacute; com-pa-nheiros se a resposta &amp;eacute; a que imagino, ent&amp;atilde;o estamos em maus len&amp;ccedil;&amp;oacute;is ou como se diz por aqui &amp;ldquo; estamos ferrados&amp;rdquo; isto &amp;eacute;, com as ferraduras nos p&amp;eacute;s, pra n&amp;atilde;o dizer algo mais forte.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	A boa not&amp;iacute;cia, a meu ver, &amp;eacute; que j&amp;aacute; esteve pior e tomara que o que eu estou dizendo &amp;eacute; impress&amp;atilde;o errada minha, que &amp;eacute; s&amp;oacute; uma maneira err&amp;ocirc;nea de ver esse processo. &amp;Eacute; assim que eu vejo as coisas, e com a idade, h&amp;aacute; quem diga que estou cada ano mais m&amp;iacute;ope. E voc&amp;ecirc;, como v&amp;ecirc; todo esse processo?&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Isso &amp;eacute; assim para mim.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Estamos juntos&lt;br /&gt;
	Beto Colombo&lt;br /&gt;
	&lt;a href=&quot;mailto:beto@anjo.com.br&quot;&gt;beto@anjo.com.br&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
	____________________________________________________________________________________&lt;br /&gt;
	&lt;em&gt;Artigo publicado no Jornal A Tribuna em 05/08/2010.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
</description><author>Instituto Sul Catarinense de Filosofia Clínica</author><pubDate>Thu, 05 Aug 2010 08:54:00 -0300</pubDate></item><item><title>Conhece-te a ti mesmo</title><link>http://www.filosofiaclinicasc.com.br/artigo/conhece-te-a-ti-mesmo-25</link><guid>http://www.filosofiaclinicasc.com.br/artigo/conhece-te-a-ti-mesmo-25</guid><description>&lt;p&gt;
	Segundo Plat&amp;atilde;o, S&amp;oacute;crates teria tomado a inscri&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;ldquo;conhece-te a ti mesmo&amp;rdquo; da entrada do templo de Delfos como inspira&amp;ccedil;&amp;atilde;o para construir sua filosofia.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	O que S&amp;oacute;crates pregava era que n&amp;oacute;s devemos nos ocupar menos com coisas (riqueza, fama, poder, afazeres) e passarmos a nos ocupar com n&amp;oacute;s mesmos.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	O importante para S&amp;oacute;crates &amp;eacute; &amp;ldquo;conhecer a si mesmo&amp;rdquo; para saber modificar minha rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o para comigo, com o outro e o planeta. Algumas pessoas funcionam assim...&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Tem uma hist&amp;oacute;ria que eu gosto muito, intitulada &amp;ldquo;O Tesouro de Bresa&amp;rdquo;. Essa hist&amp;oacute;ria &amp;eacute; sobre uma pessoa muito pobre que compra um livro com um segredo de um tesouro.&lt;br /&gt;
	Para descobrir esse segredo e chegar at&amp;eacute; o tesouro, ele tem que decifrar todos os idiomas escritos no livro e ent&amp;atilde;o estuda e aprende cada l&amp;iacute;ngua estrangeira do livro e as oportunidades come&amp;ccedil;am a aparecer e lentamente sua vida come&amp;ccedil;a a melhorar.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Depois de estudar os idiomas, ele precisa decifrar c&amp;aacute;lculos matem&amp;aacute;ticos e continua estudando e se desenvolvendo e prospera ainda mais.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Para encurtar o relato, no final das contas n&amp;atilde;o existe tesouro algum. Na busca do segredo do tesouro ele se desenvolve tanto que descobre ser ele pr&amp;oacute;prio o tesouro.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	No s&amp;aacute;bado, numa dessas lojas especializada em materiais voltados a caminhadas, encontrei dona Maria Concei&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Ela me contou que estava se preparando para fazer o caminho de Santiago de Compostela e me reconheceu pela leitura de nosso livro Compostela - Miuto Al&amp;eacute;m do da Caminho de Santiago.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Dizia-me ela que nunca tirou um tempo para ela, que viveu mais de 30 anos em fun&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos filhos e do marido e que em fun&amp;ccedil;&amp;atilde;o da morte do marido e inspirada no livro resolveu se conhecer. Fez um curso de espanhol e no domingo dia 25 de julho, dia de S&amp;atilde;o Tiago partiria para as terras galegas na expectativa do &amp;ldquo;conhece-te a ti mesmo&amp;rdquo;.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Algumas pessoas passam a vida conhecendo melhor marido, filho, amigo, amiga e n&amp;atilde;o se conhece. Algumas pessoas, quando caem numa armadilha existencial, &amp;agrave;s vezes t&amp;ecirc;m dificuldades de se libertar por n&amp;atilde;o conhecer seu acervo e qual das ferramentas deve ser utilizada nesses casos.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Que bom seria se cada um de n&amp;oacute;s fosse o seu pr&amp;oacute;prio guru. Se cada um fosse seu terapeuta, se cada um de n&amp;oacute;s tirasse 30 dias como a dona Maria que resolveu tirar e ficar esse tempo com ela mesma como num ritual de passagem na busca do auto conhecimento, ou na autotranscend&amp;ecirc;ncia. Minha torcida &amp;eacute; que na sua caminhada a grande descoberta &amp;eacute; ser ela um grande tesouro como no tesouro de Bresa.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Isso &amp;eacute; assim para mim&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Estamos juntos&lt;br /&gt;
	Beto Colombo&lt;br /&gt;
	&lt;a href=&quot;mailto:beto@anjo.com.bra&quot;&gt;beto@anjo.com.br&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
	_________________________________________________________________________________&lt;br /&gt;
	&lt;em&gt;Artigo publicado no Jornal A Tribuna em 29/07/2010.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;</description><author>Instituto Sul Catarinense de Filosofia Clínica</author><pubDate>Fri, 30 Jul 2010 11:21:00 -0300</pubDate></item><item><title>Perdemos a Copa do Mundo, e daí?</title><link>http://www.filosofiaclinicasc.com.br/artigo/perdemos-a-copa-do-mundo-e-da-24</link><guid>http://www.filosofiaclinicasc.com.br/artigo/perdemos-a-copa-do-mundo-e-da-24</guid><description>&lt;p&gt;
	J&amp;aacute; ouvi, por diversas vezes, muitas pessoas dizerem que para n&amp;oacute;s brasileiros &amp;eacute; muito importante ganhar a Copa do Mundo. A&amp;iacute; vem a Holanda e acaba com o sonho dos 190 milh&amp;otilde;es de brasileiros. Opa, 190 milh&amp;otilde;es menos 1, pois esse n&amp;atilde;o &amp;eacute; meu sonho, talvez no m&amp;aacute;ximo, meu desejo.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Algumas pessoas equivocadamente est&amp;atilde;o levando essa vis&amp;atilde;o distorcida das disputas para as rela&amp;ccedil;&amp;otilde;es e para quase tudo na vida. Parece-me que o mundo se tornou uma copa do mundo, onde o mais importante &amp;eacute; vencer, &amp;eacute; ganhar. Talvez fazer bonito j&amp;aacute; seria suficiente.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Ser&amp;aacute; que nas rela&amp;ccedil;&amp;otilde;es de amizade, rela&amp;ccedil;&amp;otilde;es entre pais e filhos, irm&amp;atilde;os e irm&amp;atilde;s, marido e mulher, precisam estar relacionadas a perder ou ganhar? Conhe&amp;ccedil;o pessoas que talvez, de tanto vivenciar as disputas como se fosse um grande campeonato de futebol, acham que at&amp;eacute; uma simples discuss&amp;atilde;o familiar tem que ter um vencedor e quando est&amp;atilde;o com a raz&amp;atilde;o atropelam o outro, diminuindo a um objeto a ser chutado. Outros tratam suas amizades como um escambo &amp;ldquo;veja bem amigo, nessa semana o jantar foi na tua casa logo, na pr&amp;oacute;xima semana, ser&amp;aacute; na minha&amp;rdquo;. Ou ainda: &amp;ldquo;Fiz um favor para um amigo e ele nunca me retribuiu com outro favor&amp;rdquo;.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Para algumas pessoas &amp;eacute; assim que o mundo funciona, como um grande escambo, como um c&amp;aacute;lculo matem&amp;aacute;tico a ponto de pesquisar se a garrafa de vinho que abrir&amp;aacute; na sua casa se equivale ao pre&amp;ccedil;o da garrafa aberta na semana passada na casa do amigo convidado. &lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	A boa noticia &amp;eacute; que isso n&amp;atilde;o &amp;eacute; certo nem errado se voc&amp;ecirc; funciona assim, se &amp;eacute; assim que voc&amp;ecirc; v&amp;ecirc; o mundo. Agora, cabe aqui um alerta: lembre-se que nem todos funcionam desse jeito. Algumas pessoas, na estrutura de pensamento, esse t&amp;oacute;pico n&amp;atilde;o tem peso nenhum, nesse caso ele n&amp;atilde;o vai perceber que para o outro a retribui&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;eacute; importante, ele simplesmente ignora por n&amp;atilde;o estar estruturado desse jeito. Para aqueles que enxergam o mundo como escambo, ao se relacionar com pessoas que n&amp;atilde;o v&amp;ecirc;em o mundo assim, acabam sofrendo, se magoando com esses amigos, com esses familiares, achando que &amp;eacute; uma grande ingratid&amp;atilde;o do outro ou coisa parecida e na verdade n&amp;atilde;o &amp;eacute; nada disso, apenas esse t&amp;oacute;pico n&amp;atilde;o tem peso nenhum na estrutura de pensamento dele.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Para mim, vida real &amp;eacute; muito mais que um campeonato. H&amp;aacute; milhares de anos a civiliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o ocidental &amp;eacute; competitiva, e ser competitivo nos neg&amp;oacute;cios, nos ambientes de trabalho, faz com que fiquemos mais ligados, sejamos mais criativos, inovemos mais, encantemos mais o cliente, mas que fique nisso. N&amp;atilde;o podemos fanatizar e levar isso at&amp;eacute; para os relacionamentos. Alguns empres&amp;aacute;rios acham que o mais importante que ter uma empresa lucrativa &amp;eacute; vender mais que o vizinho, mesmo que para isso se comprometa a sa&amp;uacute;de financeira da pr&amp;oacute;pria empresa.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	&amp;Agrave;s vezes, quando ganhamos uma partida, achamos que somos &amp;ldquo;os caras&amp;rdquo;. J&amp;aacute; vi a arrog&amp;acirc;ncia do sucesso destruir muitas rela&amp;ccedil;&amp;otilde;es e tamb&amp;eacute;m muitas empresas. J&amp;aacute; vi alguns campeonatos de futebol serem perdidos por esse motivo.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Penso que nas rela&amp;ccedil;&amp;otilde;es entre empres&amp;aacute;rios, colegas de trabalho e tamb&amp;eacute;m nas rela&amp;ccedil;&amp;otilde;es pessoais, a humildade deve se sobrepor ao achar que estamos sempre certos, imbat&amp;iacute;veis e cegar-se aos sinais que a vida insiste em nos mostrar. No caso da sele&amp;ccedil;&amp;atilde;o de Dunga, os sinais estavam vis&amp;iacute;veis na altera&amp;ccedil;&amp;atilde;o de comportamento dos jogadores e ignorados pelo comandante. Estar no comando, para mim, &amp;eacute; estar atento a tudo, (inclusive h&amp;aacute; sinais) o tempo todo, acreditando que poder&amp;aacute; sempre melhorar. Um dia algu&amp;eacute;m melhor preparado vai aparecer e nos derrotar, lembrando que nem o Brasil, o Real Madrid e o Milan ganham todas. Se todas as outras li&amp;ccedil;&amp;otilde;es n&amp;atilde;o valeram, ao menos isso temos que aprender com o futebol.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Isso &amp;eacute; assim para mim.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Estamos juntos&lt;br /&gt;
	Beto Colombo&lt;br /&gt;
	beto@anjo.com.br&lt;br /&gt;
	_________________________________________________________________________________________&lt;br /&gt;
	&lt;em&gt;Artigo publicado no Jornal A Tribuna em 22/07/2010.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
</description><author>Instituto Sul Catarinense de Filosofia Clínica</author><pubDate>Thu, 22 Jul 2010 16:43:00 -0300</pubDate></item><item><title>O Caso do Goleiro Bruno</title><link>http://www.filosofiaclinicasc.com.br/artigo/o-caso-do-goleiro-bruno-23</link><guid>http://www.filosofiaclinicasc.com.br/artigo/o-caso-do-goleiro-bruno-23</guid><description>&lt;p&gt;
	Numa entrevista no Programa Adelor Lessa, na &amp;uacute;ltima ter&amp;ccedil;a-feira, ele perguntou como a Filosofia Cl&amp;iacute;nica v&amp;ecirc; esse caso do goleiro Bruno.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Minha resposta foi que tenho ouvido tantas coisas, tantas controv&amp;eacute;rsias a respeito desse caso que est&amp;aacute; abalando o pa&amp;iacute;s, do goleiro Bruno, seu amigo Macarr&amp;atilde;o e os demais envolvidos e tamb&amp;eacute;m li nos jornais tantos absurdos de algumas pessoas que d&amp;atilde;o seu ponto de vista apenas pelos notici&amp;aacute;rios e de &amp;ldquo;ouvir dizer que...&amp;rdquo;.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Lembro-me do livro &amp;ldquo;O Caso dos Exploradores de Caverna&amp;rdquo;, onde depois de ficar presos (desmoronamento) dentro de uma caverna por mais de trinta dias e por faltar comida, fizeram um acordo e tiraram a sorte para saber qual deles seria morto e devorado pelos companheiros pela sobreviv&amp;ecirc;ncia dos demais. Depois de libertados, acabaram sendo condenados &amp;agrave; forca pelo que fizeram dentro da caverna.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Ser&amp;aacute; que os j&amp;uacute;ris que condenaram a forca aqueles exploradores realmente conheciam o que aconteceu dentro da caverna? Conhecer &amp;eacute; uma coisa, agora viver o acontecido &amp;eacute; outra coisa.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	O que vejo nesse caso do Bruno &amp;eacute; muitas pessoas falando e escrevendo de fora da caverna, julgando, condenando, dando seu ponto de vista, se posicionando conforme a estrutura de seu pensamento, portanto que tem muito a ver com ela mesma do que realmente aconteceu naquele contexto. O caso &amp;eacute; grave, eu sei, e tamb&amp;eacute;m estou comovido, agora como eu posso opinar com tantas opini&amp;otilde;es, com tantos termos, equ&amp;iacute;vocos, t&amp;atilde;o longe e principalmente do lado de fora da caverna? O que realmente aconteceu? N&amp;atilde;o sei. Essa &amp;eacute; minha resposta. N&amp;atilde;o conhe&amp;ccedil;o o contexto, n&amp;atilde;o tenho a historicidade, a n&amp;atilde;o ser pelo que ouvi dizer.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Podemos, nesse caso, fazer tantas leituras. Um psic&amp;oacute;logo pode fazer a sua leitura. Do ponto de vista m&amp;eacute;dico, pode se fazer ainda outra, do ponto de vista &amp;eacute;tico ainda outra, religioso provavelmente &amp;eacute; outra leitura e diferente das demais.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Sobre a &amp;oacute;tica da filosofia cl&amp;iacute;nica, falo por mim, penso que a melhor leitura &amp;eacute; a leitura de dentro da caverna. N&amp;oacute;s n&amp;atilde;o sabemos, de fato, o que aconteceu, o que se passou, e alguns de n&amp;oacute;s ficam atirando contra o inimigo de dentro da trincheira e comemorando quando acerta. Talvez se conhecesse o inimigo, sua historicidade, sua intimidade, sua fam&amp;iacute;lia, seus amigos, filhos, m&amp;atilde;e, pai, irm&amp;atilde;o. Ser&amp;aacute; que um tiro acertado seria motivo de comemora&amp;ccedil;&amp;atilde;o?&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	O que tenho lido e ouvido sobre esse caso do goleiro Bruno &amp;eacute; um grande tiroteio. E se aparecer um fato novo que muda toda a trajet&amp;oacute;ria investigativa? Estou dizendo que n&amp;atilde;o cabe a n&amp;oacute;s julgar, atirar pedras, condenar sem saber o que aconteceu dentro da caverna. Os ju&amp;iacute;zes v&amp;atilde;o aplicar a lei dos homens e se os envolvidos forem condenados v&amp;atilde;o pagar conforme essas leis. E quem comete delitos como esse que supostamente foram cometidos, v&amp;atilde;o pagar a conta com ele mesmo e tamb&amp;eacute;m com a justi&amp;ccedil;a dos homens.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Ser&amp;aacute; que a resposta para esse e tantos outros casos est&amp;aacute; nessas leis e nessas puni&amp;ccedil;&amp;otilde;es? Penso que de fora da caverna s&amp;oacute; me resta ouvir, anotar, me comover e esperar.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Isso &amp;eacute; assim para mim.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Estamos juntos&lt;br /&gt;
	Beto Colombo &lt;br /&gt;
	____________________________________________________________________________________________&lt;br /&gt;
	&lt;em&gt;Artigo publicado no Jornal A Tribuna em 15/07/2010.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
</description><author>Instituto Sul Catarinense de Filosofia Clínica</author><pubDate>Thu, 15 Jul 2010 13:29:00 -0300</pubDate></item><item><title>Tristeza não é Doença</title><link>http://www.filosofiaclinicasc.com.br/artigo/tristeza-n-o-doen-a-22</link><guid>http://www.filosofiaclinicasc.com.br/artigo/tristeza-n-o-doen-a-22</guid><description>&lt;p&gt;
	Depois da palestra que fiz aqui no Centro-Oeste, recebi a visita de uma empres&amp;aacute;ria dizendo estar insatisfeita com seu neg&amp;oacute;cio e perguntando se eu tinha alguma dica para dar a ela, pois pretendia mudar de ramo, fazer outra coisa&lt;br /&gt;
	. &lt;br /&gt;
	De pronto perguntei:&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	- Me fale mais sobre isso. O que est&amp;aacute; te motivando a fazer outra coisa? &lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Descobri, no decorrer da conversa, que n&amp;atilde;o se tratava de problemas financeiros, muito pelo contr&amp;aacute;rio, sua empresa &amp;eacute; bem rent&amp;aacute;vel. &amp;ldquo;O problema &amp;eacute; que enchi o saco do ramo de com&amp;eacute;rcio&amp;rdquo;, disse-me. Ela falou ainda que n&amp;atilde;o sabia direito, mas estava passando por um momento de insatisfa&amp;ccedil;&amp;atilde;o, de melancolia, de tristeza.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Sei que muitos de n&amp;oacute;s j&amp;aacute; passamos por momentos como esse, momentos de insatisfa&amp;ccedil;&amp;atilde;o, momentos de altos e baixos. Algumas vezes nos entusiasmamos, outras nos decepcionamos, nos entristecemos. Quando isso acontece comigo, sei que n&amp;atilde;o tem nada de errado em ficar triste. E sei tamb&amp;eacute;m que eu n&amp;atilde;o posso achar que na vida tudo &amp;eacute; alegria, que tudo pode ser perfeito, pois estarei me enganando. Ainda n&amp;atilde;o conheci uma fam&amp;iacute;lia perfeita, uma empresa perfeita, uma religi&amp;atilde;o perfeita. Para mim, isso n&amp;atilde;o quer dizer muita coisa, apenas que estou num momento de tristeza. N&amp;atilde;o estou dizendo que &amp;eacute; o caso daquela empres&amp;aacute;ria, estou falando em rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o a mim.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Quando estou nesses momentos de autogenia baixa, procuro n&amp;atilde;o tomar decis&amp;otilde;es, pois poderei ser mal influenciado pelos sentimentos que, quando estou em estado &amp;ldquo;normal&amp;rdquo; s&amp;atilde;o diferentes. Quantas vezes me deparei com esses maus momentos e pensei em mudar de ramo, de vida e, no dia seguinte, soube que era apenas um mau momento?&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	De tempos em tempos preciso fazer um exerc&amp;iacute;cio para lembrar dos momentos bons e tamb&amp;eacute;m dos momentos ruins, dos bons pensamentos e dos pensamentos ruins, dos problemas e de como solucionei-os. &lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Conhe&amp;ccedil;o algumas pessoas que passam a vida focadas apenas nos momentos ruins, no que deu errado, nos problemas. Penso que dificilmente atingiremos todos os nossos objetivos, nossas metas. Alcan&amp;ccedil;ar ou n&amp;atilde;o alcan&amp;ccedil;ar meus sonhos n&amp;atilde;o significa que a vida deixou de ser boa.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Para algumas pessoas &amp;eacute; bom lutar, &amp;eacute; bom crescer, melhorar de vida, alegrar-se com as pr&amp;oacute;prias conquistas, agora n&amp;atilde;o d&amp;aacute; para vencer sempre, viver em constante alegria.&lt;br /&gt;
	Nas empresas n&amp;oacute;s sabemos que jamais podemos avaliar um vendedor, um gerente, um executivo, apenas por um &amp;uacute;nico m&amp;ecirc;s trabalhado e sim analisar um trimestre, um semestre ou ainda um ano. E se nos entristecemos por algo que deu errado naquele m&amp;ecirc;s &amp;eacute; s&amp;oacute; um momento ruim que estamos passando.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Parece-me que ficar triste virou doen&amp;ccedil;a e alguns &amp;ldquo;m&amp;eacute;dicos&amp;rdquo; est&amp;atilde;o exagerando e receitando antidepressivos sem mesmo antes ter um diagn&amp;oacute;stico definitivo. Alguns est&amp;atilde;o achando que ficar triste e insatisfeito com a fam&amp;iacute;lia, com o neg&amp;oacute;cio, com a religi&amp;atilde;o, com o emprego j&amp;aacute; &amp;eacute; motivo para remediar. Talvez seja apenas um mau momento e, quem sabe, pode ser resolvido com uma semanada de f&amp;eacute;rias ou at&amp;eacute; mesmo com uma boa noite de sono.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Lembre-se: Isso &amp;eacute; assim para mim.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Estamos juntos&lt;br /&gt;
	Beto Colombo &lt;br /&gt;
	&lt;em&gt;&lt;a href=&quot;mailto:beto@anjo.com.br&quot;&gt;beto@anjo.com.br&lt;/a&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;
	______________________________________________________________________________________________________________&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&lt;em&gt;Artigo publicado no Jornal A Tribuna em 08/07/2010.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
</description><author>Instituto Sul Catarinense de Filosofia Clínica</author><pubDate>Fri, 09 Jul 2010 08:43:00 -0300</pubDate></item><item><title>Religiosidade ou Espiritualidade</title><link>http://www.filosofiaclinicasc.com.br/artigo/religiosidade-ou-espiritualidade-21</link><guid>http://www.filosofiaclinicasc.com.br/artigo/religiosidade-ou-espiritualidade-21</guid><description>&lt;p&gt;
	&amp;ldquo;Imagine que n&amp;atilde;o h&amp;aacute; para&amp;iacute;so, nenhum inferno abaixo de n&amp;oacute;s, e acima de n&amp;oacute;s apenas o c&amp;eacute;u, imagine todas as pessoas vivendo para o hoje. Imagine n&amp;atilde;o existir religi&amp;otilde;es, pa&amp;iacute;ses, nada pelo que lutar ou morrer, imagine todas as pessoas vivendo em paz...&amp;rdquo; Para mim isso &amp;eacute; um muito mais que uma m&amp;uacute;sica de John Lennon...&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Quantas &amp;ldquo;guerras santas&amp;rdquo; (existe guerra santa?)... Provavelmente matou-se mais em nome de Deus do que qualquer outro motivo; quantas ideologias religiosas que serviram e servem de estopim para separar, distanciar pessoas somente por ter um credo diferente.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Veja esse epis&amp;oacute;dio envolvendo os jogadores do Santos numa visita ao Lar Esp&amp;iacute;rita Mensageiros da Luz, que cuida de crian&amp;ccedil;as com defici&amp;ecirc;ncia cerebral, para entregar ovos de P&amp;aacute;scoa. Uma parte dos atletas, entre eles, Robinho, Neymar, Ganso e Fabio Costa, se recusaram a entrar na entidade e preferiram ficar dentro do &amp;ocirc;nibus do clube, sob a alega&amp;ccedil;&amp;atilde;o que s&amp;atilde;o evang&amp;eacute;licos. &lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Criticado, como os demais do grupo resistente, Robinho exigiu: &amp;quot;&amp;eacute; preciso que respeitem a religi&amp;atilde;o da gente&amp;quot;.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Ed Ren&amp;eacute; Kivitz &amp;eacute; te&amp;oacute;logo, mestre, escritor e pastor. Mestre em Ci&amp;ecirc;ncias da Religi&amp;atilde;o pela Universidade Metodista de S&amp;atilde;o Paulo, evang&amp;eacute;lico e santista desde pequenino. Fez as seguintes pondera&amp;ccedil;&amp;otilde;es: &lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	&amp;ldquo;Os meninos da Vila pisaram na bola, mas prefiro sair em sua defesa. Eles n&amp;atilde;o erraram sozinhos, fizeram a cabe&amp;ccedil;a deles. O mundo religioso &amp;eacute; mestre em fazer a cabe&amp;ccedil;a dos outros, por isso, cada vez mais me conven&amp;ccedil;o que o Cristianismo implica a supera&amp;ccedil;&amp;atilde;o da religi&amp;atilde;o, e cada vez mais me dedico a pensar nas categorias da espiritualidade, em detrimento das categorias da religi&amp;atilde;o&amp;rdquo;. E continua dizendo ele que &amp;ldquo;a religi&amp;atilde;o est&amp;aacute; baseada nos ritos, dogmas e credos, tabus e c&amp;oacute;digos morais de cada tradi&amp;ccedil;&amp;atilde;o de f&amp;eacute;. A espiritualidade est&amp;aacute; fundamentada nos conte&amp;uacute;dos universais da B&amp;iacute;blia e de cada uma das tradi&amp;ccedil;&amp;otilde;es de f&amp;eacute;&amp;rdquo;. &lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Quando voc&amp;ecirc; come&amp;ccedil;a a discutir quem vai para c&amp;eacute;u e quem vai para o inferno, ou se Deus &amp;eacute; a favor ou contra a pr&amp;aacute;tica do homossexualismo, ou mesmo se voc&amp;ecirc; tem que subir uma escada de joelhos ou dar o d&amp;iacute;zimo na igreja para alcan&amp;ccedil;ar o favor de Deus, voc&amp;ecirc; est&amp;aacute; discutindo religi&amp;atilde;o. &lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Quando voc&amp;ecirc; come&amp;ccedil;a a discutir se o correto &amp;eacute; a reencarna&amp;ccedil;&amp;atilde;o ou a ressurrei&amp;ccedil;&amp;atilde;o, a teoria de Darwin ou a narrativa do G&amp;ecirc;nesis, e se o livro certo &amp;eacute; a B&amp;iacute;blia ou o Cor&amp;atilde;o, voc&amp;ecirc; est&amp;aacute; discutindo religi&amp;atilde;o. Quando voc&amp;ecirc; fica perguntando se a institui&amp;ccedil;&amp;atilde;o social &amp;eacute; esp&amp;iacute;rita kardecista, evang&amp;eacute;lica ou cat&amp;oacute;lica, voc&amp;ecirc; est&amp;aacute; discutindo religi&amp;atilde;o. &lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	O problema &amp;eacute; que toda vez que voc&amp;ecirc; discute religi&amp;atilde;o voc&amp;ecirc; afasta as pessoas umas das outras, promove o sectarismo e a intoler&amp;acirc;ncia. A religi&amp;atilde;o coloca de um lado os adoradores de All&amp;aacute;, de outro os adoradores de Yahweh, e de outro os adoradores de Jesus. Isso sem falar nos adoradores de Shiva, de Krishna e devotos do Buda, e por a&amp;iacute; vai. &lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	E cada grupo de adoradores deseja a extin&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos outros, ou pela convers&amp;atilde;o &amp;agrave; sua religi&amp;atilde;o, o que faz com que os outros deixem de existir enquanto outros e se tornem iguais a n&amp;oacute;s, ou pelo exterm&amp;iacute;nio atrav&amp;eacute;s do assassinato em nome de Deus, ou melhor, em nome de um deus, com d min&amp;uacute;sculo, isto &amp;eacute;, um &amp;iacute;dolo que pretende se passar por Deus. &lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Mas quando voc&amp;ecirc; concentra sua aten&amp;ccedil;&amp;atilde;o e a&amp;ccedil;&amp;atilde;o, sua pr&amp;aacute;xis, em valores como reconcilia&amp;ccedil;&amp;atilde;o, perd&amp;atilde;o, miseric&amp;oacute;rdia, compaix&amp;atilde;o, solidariedade, amor e caridade, voc&amp;ecirc; est&amp;aacute; no horizonte da espiritualidade, comum a todas as tradi&amp;ccedil;&amp;otilde;es religiosas. E quando voc&amp;ecirc; est&amp;aacute; com o cora&amp;ccedil;&amp;atilde;o cheio de espiritualidade, e n&amp;atilde;o de religi&amp;atilde;o, voc&amp;ecirc; promove a justi&amp;ccedil;a e a paz. &lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Em s&amp;iacute;ntese, quando voc&amp;ecirc; vive no mundo da religi&amp;atilde;o, voc&amp;ecirc; fica no &amp;ocirc;nibus. Quando voc&amp;ecirc; vive no mundo da espiritualidade que a sua religi&amp;atilde;o ensina &amp;ndash; ou pelo menos deveria ensinar - voc&amp;ecirc; desce do &amp;ocirc;nibus e d&amp;aacute; um ovo de p&amp;aacute;scoa para uma crian&amp;ccedil;a que sofre a trag&amp;eacute;dia e mis&amp;eacute;ria de uma paralisia mental.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Estou relatando um fato concreto acontecido dias atr&amp;aacute;s, triste &amp;eacute; saber pela hist&amp;oacute;ria que isso se repete por s&amp;eacute;culos e s&amp;eacute;culos da humanidade.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	&amp;Agrave;s vezes fico pensando quais as raz&amp;otilde;es que fazem os homens construir os mundos imagin&amp;aacute;rios da religi&amp;atilde;o. Se somos animais, porque ent&amp;atilde;o criamos as religi&amp;otilde;es e a&amp;iacute; ca&amp;iacute;mos nas armadilhas da neurose e da ang&amp;uacute;stia?&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Criamos as religi&amp;otilde;es e por interm&amp;eacute;dio delas, valores, mandamentos, dogmas, leis que nos pro&amp;iacute;bem, que castram nossos desejos, vontades. &amp;Eacute; como no dizer de Roberto Carlos. &amp;ldquo;Tudo que eu gosto &amp;eacute; ilegal, imoral ou engorda&amp;rdquo;.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Talvez tenha raz&amp;atilde;o Freud, ao expressa que a inten&amp;ccedil;&amp;atilde;o de que f&amp;ocirc;ssemos felizes n&amp;atilde;o se acha inscrita no plano da cria&amp;ccedil;&amp;atilde;o. &lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Envelhecemos, adoecemos, sentimos dores, nossos corpos se tornam fl&amp;aacute;cidos, a beleza se vai, os &amp;oacute;rg&amp;atilde;os sexuais n&amp;atilde;o mais respondem aos est&amp;iacute;mulos do odor, da vista, do tato e a morte se aproxima inexor&amp;aacute;vel. N&amp;atilde;o h&amp;aacute; desejo que possa alterar o caminhar do princ&amp;iacute;pio da realidade.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Provavelmente criamos a religi&amp;atilde;o por sermos o &amp;uacute;nico animal que sabe que vai morrer. E em meio a essa situa&amp;ccedil;&amp;atilde;o sem sa&amp;iacute;da, a imagina&amp;ccedil;&amp;atilde;o cria mecanismos de consolo e fuga por meio dos quais o homem pretende encontrar, na fantasia, o prazer que a realidade lhe nega. Evidentemente, nada mais que ilus&amp;otilde;es e narc&amp;oacute;ticos destinados a tornar nosso dia-a-dia menos miser&amp;aacute;vel. E o que t&amp;ecirc;m feito algumas de nossas atuais religi&amp;otilde;es se n&amp;atilde;o explorar ainda mais o pobre e j&amp;aacute; oprimido povo?&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Lembro-me dos escritos do Profeta Ezequiel: &amp;ldquo;Eles enganam meu povo dizendo que tudo vai bem quando nada vai bem. Pretendem esconder as rachaduras na parede com uma m&amp;atilde;o de cal...&amp;rdquo;. (Ez: 13,10). Ele diz isso alertando o povo oprimido quando explorado pelas Religi&amp;otilde;es/Estados que usavam os s&amp;iacute;mbolos sagrados para uso econ&amp;ocirc;mico. Ser&amp;aacute; que algumas de nossas religi&amp;otilde;es s&amp;atilde;o sucessoras do Deus dos Profetas? &lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Sobre guerras santas, opress&amp;atilde;o, com&amp;eacute;rcio da f&amp;eacute;... Penso que muito depende daqueles que manipulam os s&amp;iacute;mbolos sagrados. A religi&amp;atilde;o pode ser usada para iluminar ou para cegar, para libertar ou escravizar, e a B&amp;iacute;blia se referia a esse Deus de o Deus dos oprimidos. &amp;ldquo;Eu vi e ouvi os clamores do meu povo por causa dos seus opressores&amp;rdquo;. (&amp;Ecirc;xodo: 3,7). Assim era o Deus e a religi&amp;atilde;o dos antigos profetas.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	E o que se tornaram algumas de nossas religi&amp;otilde;es se n&amp;atilde;o apenas neg&amp;oacute;cios? E voc&amp;ecirc; que continua pregando placa de igrejas j&amp;aacute; refletiu a respeito de religiosidade e espiritualidade?&lt;br /&gt;
	Lembre-se que isso &amp;eacute; assim para mim.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Estamos juntos&lt;br /&gt;
	Beto Colombo&lt;br /&gt;
	___________________________________________________________________________________________________&lt;br /&gt;
	&lt;em&gt;Artigo publicado no Jornal A Tribuna em 01/07/2010.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
</description><author>Instituto Sul Catarinense de Filosofia Clínica</author><pubDate>Mon, 05 Jul 2010 11:33:00 -0300</pubDate></item><item><title>Coisas que significam outras coisas</title><link>http://www.filosofiaclinicasc.com.br/artigo/coisas-que-significam-outras-coisas-20</link><guid>http://www.filosofiaclinicasc.com.br/artigo/coisas-que-significam-outras-coisas-20</guid><description>&lt;p&gt;
	Na colina tinha uma bica d&amp;rsquo;&amp;aacute;gua onde agricultores serviam-se dela e saciavam a sede. Ent&amp;atilde;o, uma gruta de pedra foi erguida e dentro dela uma imagem da Santa colocada, agora aquela &amp;aacute;gua virou &amp;aacute;gua benta e milagrosa. Ser&amp;aacute; que verdadeiramente ela &amp;eacute; milagrosa?&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Tomo um copo d&amp;rsquo;&amp;aacute;gua, a &amp;aacute;gua mata a minha sede. N&amp;atilde;o me pergunto se a &amp;aacute;gua &amp;eacute; verdadeira, ela apenas &amp;eacute; cristalina, fria... O fogo &amp;eacute; o fogo e ele significa apenas fogo, significa a si mesmo. Ele aquece, ele ilumina, ele queima. Perguntar se ele &amp;eacute; verdadeiro n&amp;atilde;o faz sentido. Assim como a flor &amp;eacute; uma flor, o m&amp;aacute;ximo que posso perguntar &amp;eacute; se ela &amp;eacute; perfumada, se ela &amp;eacute; bela...&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Aquela &amp;aacute;gua da torneira clorificada torna-se benta se colocada num c&amp;acirc;ntaro no altar da gruta, assim como a flor pode ser uma confiss&amp;atilde;o de amor ou at&amp;eacute; uma afirma&amp;ccedil;&amp;atilde;o de saudade, se jogada sobre uma sepultura. O fogo torna-se s&amp;iacute;mbolo sagrado nas velas dos altares e nas piras ol&amp;iacute;mpicas.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Rubem Alves, no livro O Que &amp;eacute; Religi&amp;atilde;o, com sabedoria diz que h&amp;aacute; coisas que significam outras, s&amp;atilde;o as coisas / s&amp;iacute;mbolos. &amp;ldquo;Uma alian&amp;ccedil;a significa casamento; uma c&amp;eacute;dula significa um valor; uma afirma&amp;ccedil;&amp;atilde;o significa um estado de coisas al&amp;eacute;m dela mesma.&amp;rdquo;&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	E se algu&amp;eacute;m simplesmente usar uma alian&amp;ccedil;a na m&amp;atilde;o esquerda sem ser casado? Uma c&amp;eacute;dula pode ser falsa. Uma afirma&amp;ccedil;&amp;atilde;o pode ser uma mentira. Por isso, quando nos defrontamos com as coisas que significam outras coisas, &amp;eacute; inevit&amp;aacute;vel que levantemos perguntas acerca de sua verdade ou falsidade.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Aquela fonte no morro, que era apenas uma bica d&amp;rsquo;&amp;aacute;gua, tornou-se um lugar de peregrina&amp;ccedil;&amp;atilde;o porque aquela gruta constru&amp;iacute;da deu um novo significado e a &amp;aacute;gua que brota dela, agora &amp;eacute; benta e cura gastrite, reumatismo e faz milagres.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Fui &amp;agrave; casa de um bom amigo e encontrei um antigo altar da igreja de Santo Agostinho que outrora era a mesa de celebra&amp;ccedil;&amp;atilde;o da Eucaristia nas missas dos domingos, onde o vinho transformava-se em sangue de Cristo e o p&amp;atilde;o no corpo de Cristo, e agora &amp;eacute; apenas uma mesa de jantar de uma fam&amp;iacute;lia como outra qualquer.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Quando um artista pinta um quadro, ele est&amp;aacute; dando o seu significado &amp;agrave;quela pintura. Outra pessoa que nada sabe sobre aquele artista dar&amp;aacute; a sua interpreta&amp;ccedil;&amp;atilde;o conforme o acervo agendado no seu intelecto, na sua estrutura de pensamento.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Um beijo dado por Maria em Jesus Cristo provavelmente &amp;eacute; amor e carinho, agora um beijo dado por Judas significa outra coisa.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Algumas vezes nos deparamos com palavras de algu&amp;eacute;m que fala e o interpretamos dando o nosso significado &amp;agrave;quela situa&amp;ccedil;&amp;atilde;o sem dar a chance dele colocar &amp;ldquo;sua verdade&amp;rdquo;, apenas julgamos e condenamos como se f&amp;ocirc;ssemos ju&amp;iacute;zes: isso &amp;eacute; verdade, isso &amp;eacute; mentira. Verdade pra quem? E mentira pra quem? Aquela verdade pode ser a interpreta&amp;ccedil;&amp;atilde;o da minha verdade.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Algumas vezes, antes mesmo de ouvir o outro, antes de prestar aten&amp;ccedil;&amp;atilde;o naquilo que ele est&amp;aacute; dizendo, apenas estamos ouvindo nossos pensamentos para formularmos o que vamos dizer em seguida. Ser&amp;aacute; que estamos ouvindo o que o outro fala ou apenas o que estamos sentindo e significando conforme nossa estrutura de pensamento e talvez com nossas verdades? E &amp;agrave;s vezes n&amp;oacute;s transformamos o que o outro est&amp;aacute; falando conforme nosso significado em objeto de concord&amp;acirc;ncia ou discord&amp;acirc;ncia. Tenho aprendido que &amp;eacute; preciso manter-se a literalidade do falante, limpando a mente de todos os ru&amp;iacute;dos e interfer&amp;ecirc;ncias durante a fala alheia. Ouvir o outro sem oferecer julgamento, sem significar, apenas entregar-se ao outro e diluir-se nele. No in&amp;iacute;cio da minha pr&amp;aacute;tica como terapeuta em consult&amp;oacute;rio esse foi um grande desafio, n&amp;atilde;o foi f&amp;aacute;cil, mas hoje sei que &amp;eacute; necess&amp;aacute;rio e poss&amp;iacute;vel. Sou testemunha disso.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Estamos juntos&lt;br /&gt;
	Beto Colombo&lt;br /&gt;
	&lt;em&gt;&lt;a href=&quot;mailto:beto@anjo.com.br&quot;&gt;beto@anjo.com.br&lt;/a&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;
	___________________________________________________________________________________________________________________&lt;br /&gt;
	&lt;em&gt;Artigo publicado no Jornal A Tribuna em 24/06/2010.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
</description><author>Instituto Sul Catarinense de Filosofia Clínica</author><pubDate>Thu, 24 Jun 2010 17:09:00 -0300</pubDate></item><item><title>O Ouvir do Silêncio</title><link>http://www.filosofiaclinicasc.com.br/artigo/o-ouvir-do-sil-ncio-19</link><guid>http://www.filosofiaclinicasc.com.br/artigo/o-ouvir-do-sil-ncio-19</guid><description>&lt;p&gt;
	H&amp;aacute; ru&amp;iacute;dos que n&amp;atilde;o se ouve mais. O apito dos guardas noturnos, o crepitar das fogueiras, a gaitinha do afiador de facas, o chiar da chaleira no fog&amp;atilde;o a lenha de minha m&amp;atilde;e, a matraca do vendedor de cartuchos, o quebrar da geada nos potreiros das manh&amp;atilde;s geladas de julho, o canto do galo nas madrugadas da Sexta-Feira Santa, o apito do trem das 7 horas...&lt;br /&gt;
	Todos esses ru&amp;iacute;dos apenas rompiam o sil&amp;ecirc;ncio de antigamente. Hoje, o que mais desejo, &amp;eacute; de sil&amp;ecirc;ncio que interrompa o ru&amp;iacute;do.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	O tempo foi passando e outros ru&amp;iacute;dos foram se inserindo em nosso mundo. O ru&amp;iacute;do inconfund&amp;iacute;vel do seletor de canal, a voz do rep&amp;oacute;rter Esso, a sirene das 11 horas da mina de carv&amp;atilde;o, o barulho estridente do passar do Decav&amp;ecirc;, o som das cantigas de roda que faz&amp;iacute;amos com nossas primas, dos estouros irritantes das bombinhas de 500 em festas juninas, do ru&amp;iacute;do do motor do Gordini, das doces vozes do coral nas apresenta&amp;ccedil;&amp;otilde;es no coreto nas pra&amp;ccedil;as, a m&amp;uacute;sica de Tonico e Tinoco nas manh&amp;atilde;s de domingo, a descarga aberta das motocicletas, dos esmerilhos das f&amp;aacute;bricas, at&amp;eacute; chegamos &amp;agrave;s VUVUZELAS da &amp;Aacute;frica do Sul.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Os &amp;uacute;ltimos 40 anos foram de uma explos&amp;atilde;o descomunal, de novas ideias, novas a&amp;ccedil;&amp;otilde;es, per&amp;iacute;odos de inova&amp;ccedil;&amp;otilde;es, de criatividade, de crescimento e nos tornamos criaturas barulhentas.&lt;br /&gt;
	S&amp;aacute;bado eu e a Albany fomos num Shopping Center em Florian&amp;oacute;polis onde as garagens ficam no ultimo andar e, ao entrarmos, foi como entrar numa colmeia de abelhas, tamanho o ru&amp;iacute;do. Mas minha maior surpresa foi quando fui pela primeira vez no Corcovado (RJ), o ru&amp;iacute;do &amp;eacute; coisa impressionante, eu n&amp;atilde;o conseguia entender de onde vinha tanto ru&amp;iacute;do, &amp;eacute; inacredit&amp;aacute;vel. Como ser&amp;aacute; que eu reagiria aquele ru&amp;iacute;do ensurdecedor nos est&amp;aacute;dios da copa da &amp;Aacute;frica do Sul?&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Como gosto de ouvir o sil&amp;ecirc;ncio... &amp;Aacute;s vezes vou para a Ch&amp;aacute;cara da Lagoa somente para ouvir o sil&amp;ecirc;ncio. Ultimamente n&amp;atilde;o tenho conseguido, at&amp;eacute; l&amp;aacute; o barulho dos sons dos tocadores de CD&amp;acute;s dos autom&amp;oacute;veis t&amp;ecirc;m quebrado aquele para&amp;iacute;so silencioso. Ser&amp;aacute; que temos medo do sil&amp;ecirc;ncio?&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Ano passado emprestei o chal&amp;eacute; para um colega que precisava se concentrar no seu trabalho de mestrado e pediu para se hospedar por tr&amp;ecirc;s dias. Foi sem seu autom&amp;oacute;vel, pois pretendia se isolar do mundo e temia que se fosse com seu autom&amp;oacute;vel ele retornaria. N&amp;atilde;o adiantou, na madrugada do dia seguinte ele me ligou desesperado pedindo para busc&amp;aacute;-lo: &amp;ldquo;Por favor, venha me buscar, pois eu n&amp;atilde;o me suporto mais&amp;rdquo;, dizia-me ele ao telefone. &lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Parece-me que o sil&amp;ecirc;ncio se tornou um v&amp;aacute;cuo que o homem abomina. Diz-se que antes de existir o ru&amp;iacute;do havia sons, som &amp;eacute; diferente de ru&amp;iacute;do. No sil&amp;ecirc;ncio ouvimos o som do mundo. Ser&amp;aacute; que o sil&amp;ecirc;ncio &amp;eacute; apenas a aus&amp;ecirc;ncia de ru&amp;iacute;dos? Voc&amp;ecirc; j&amp;aacute; percebeu que o homem moderno come&amp;ccedil;a seu dia com o &amp;ldquo;som&amp;rdquo; do r&amp;aacute;dio despertador, usa CD&amp;rsquo;s e r&amp;aacute;dio nos autom&amp;oacute;veis, ouve &amp;ldquo;m&amp;uacute;sica de ambiente&amp;rdquo; no escrit&amp;oacute;rio e termina o dia com o ru&amp;iacute;do da TV em casa? E ainda &amp;eacute; capaz de dormir ouvindo buzinas de autom&amp;oacute;veis da avenida pr&amp;oacute;xima e o ladrar dos c&amp;atilde;es nas noites, que para alguns s&amp;atilde;o intermin&amp;aacute;veis. No Caminho de Santiago de Compostela, um peregrino me disse que estava com dificuldades de dormir, pois s&amp;oacute; conseguia dormir com o ru&amp;iacute;do do ar condicionado.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Os s&amp;aacute;bios de antigamente costumavam se fazer a seguinte pergunta: &amp;ldquo;Se uma &amp;aacute;rvore cai na floresta, far&amp;aacute; algum ru&amp;iacute;do se n&amp;atilde;o houver ningu&amp;eacute;m para ouvi-la?&amp;rdquo; Ser&amp;aacute; que o homem moderno faz tanto barulho apenas para ter certeza que ele est&amp;aacute; ali? Ser&amp;aacute; que os Sul-Africanos e suas vuvuzelas est&amp;atilde;o dizendo &amp;ldquo;Ei mundo, n&amp;oacute;s existimos&amp;rdquo;. H&amp;aacute; um pensador su&amp;iacute;&amp;ccedil;o que afirmava isso: &amp;ldquo;Os homens fazem barulho para ter certeza que existem&amp;rdquo;.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Perguntei para um colega de trabalho hospedado no chal&amp;eacute; da lagoa. &amp;ldquo;Por que voc&amp;ecirc; liga o r&amp;aacute;dio t&amp;atilde;o alto?&amp;rdquo; E a resposta foi: &amp;ldquo;&amp;Eacute; que quando fico sozinho eu gosto de som alto, acalma minha solid&amp;atilde;o&amp;rdquo;. Talvez para algumas pessoas o ru&amp;iacute;do &amp;eacute; como uma droga ac&amp;uacute;stica usada como calmante. Que coisa n&amp;atilde;o? Como somos barulhentos!&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Para mim, quando preciso me acalmar, lembro de uma passagem no livro dos salmos de Davi escrito quando pastorava ovelhas nos Ermos lugares da Mesopot&amp;acirc;nia: &amp;ldquo;Aquietai-vos e sabeis que eu sou Deus&amp;rdquo;. E para aquietar meu cora&amp;ccedil;&amp;atilde;o, o acalento &amp;eacute; fugir do ru&amp;iacute;do do mundo moderno. Ali ao ouvir o sil&amp;ecirc;ncio, aquieto meu cora&amp;ccedil;&amp;atilde;o e me apaziguo. &lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Isso &amp;eacute; assim para mim. E voc&amp;ecirc;, se acalma como?&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Estamos juntos&lt;br /&gt;
	Beto Colombo &lt;br /&gt;
	&lt;em&gt;beto@anjo.com.br&lt;br /&gt;
	&lt;/em&gt;_____________________________________________________________________________________&lt;br /&gt;
	&lt;em&gt;Artigo publicado no Jornal A Tribuna em 17/06/2010.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
</description><author>Instituto Sul Catarinense de Filosofia Clínica</author><pubDate>Fri, 18 Jun 2010 10:35:00 -0300</pubDate></item><item><title>Bananeira que já deu cacho</title><link>http://www.filosofiaclinicasc.com.br/artigo/bananeira-que-j-deu-cacho-18</link><guid>http://www.filosofiaclinicasc.com.br/artigo/bananeira-que-j-deu-cacho-18</guid><description>&lt;p&gt;
	Vejam o e-mail que recebi do Rodrigo, meu filho ca&amp;ccedil;ula.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Olha s&amp;oacute; pai, no feriado fui &amp;agrave; casa da Malu (namorada) e o tio dela me convidou para ir at&amp;eacute; o bananal buscar bananas. Quando chego l&amp;aacute;, ele come&amp;ccedil;ou a derrubar os p&amp;eacute;s de bananeiras para colher os cachos de banana. Enquanto eram somente p&amp;eacute;s altos fiquei de boca fechada, mas quando ele derrubou um p&amp;eacute; baixo que dava para cortar somente o cacho sem derrubar a &amp;aacute;rvore, fiquei indignado e disse: Bicho, tu vais acabar com o bananal! Para de derrubar as &amp;aacute;rvores. Foi quando descobri que as bananeiras d&amp;atilde;o apenas um cacho e que depois que elas param de produzir devem ser cortadas para pararem de sugar adubo e &amp;aacute;gua das outras bananeiras que ainda n&amp;atilde;o produziram.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Em nossa empresa temos um colega de trabalho muito querido, chamado &amp;ldquo;Seu&amp;rdquo; In&amp;eacute;sio, ou Colombinho como &amp;eacute; carinhosamente conhecido. O &amp;ldquo;Seu&amp;rdquo; In&amp;eacute;sio come&amp;ccedil;ou sua jornada de trabalho pelos anos 60 nas lavouras do pai, aos 18 anos foi trabalhar nas minas de carv&amp;atilde;o, se aposentou cedo e, n&amp;atilde;o conseguindo ficar parado em casa, veio trabalhar conosco. Numa escola interna em parceria com o Sesi, ele voltou a estudar, terminou o ensino fundamental e neste ano terminou o ensino m&amp;eacute;dio. Dias desses, tomando um cafezinho com ele, descobri que ele est&amp;aacute; fazendo um curso de inform&amp;aacute;tica. Questionei-o porqu&amp;ecirc;. Disse-me ele que vai precisar para os trabalhos na universidade que pretende cursar.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	O &amp;ldquo;seu&amp;rdquo; In&amp;eacute;sio j&amp;aacute; passou dos 60 h&amp;aacute; algum tempo e busca o aprendizado cont&amp;iacute;nuo. N&amp;atilde;o para ganhar mais dinheiro, apenas para realiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o pessoal, disse-me ele.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	No consult&amp;oacute;rio me deparo com algumas pessoas que alegam que j&amp;aacute; produziram o suficiente e que agora est&amp;atilde;o aposentadas, que n&amp;atilde;o buscam muito mais na vida a n&amp;atilde;o ser &amp;ldquo;ir levando&amp;rdquo;, &amp;ldquo;deixo a vida me levar&amp;rdquo;, disse uma delas &amp;ldquo;mas est&amp;aacute; dif&amp;iacute;cil&amp;rdquo;. &amp;ldquo;Minha vida virou uma rotina, saio de casa, vou para o bar, volto, almo&amp;ccedil;o, vou ao shopping, tomo um cafezinho, retorno para casa, s&amp;oacute; muda nos domingos, quando vou &amp;agrave; Igreja, fa&amp;ccedil;o exatamente as mesmas coisas h&amp;aacute; mais de 10 anos, me sinto um in&amp;uacute;til e n&amp;atilde;o consigo mudar isso&amp;rdquo;.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Em filosofia cl&amp;iacute;nica chamamos esse t&amp;oacute;pico de padr&amp;atilde;o e, &amp;agrave;s vezes, ele pode estar ligado a uma armadilha conceitual.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Quanta diferen&amp;ccedil;a com a hist&amp;oacute;ria do &amp;ldquo;Seu&amp;rdquo; In&amp;eacute;sio. Sua busca agora &amp;eacute; cursar uma universidade, &amp;eacute; uma realiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o pessoal.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Para alguns, o que vier agora &amp;eacute; lucro, e n&amp;atilde;o h&amp;aacute; nada de errado nisso, mas se esse n&amp;atilde;o &amp;eacute; o seu caso, ent&amp;atilde;o quais s&amp;atilde;o as suas buscas? Para onde voc&amp;ecirc; quer ir? Qual era o seu sonho de adolescente? Esse sonho continua guardado? &amp;Agrave;s vezes temos v&amp;aacute;rias buscas, umas mais fortes, outras mais fracas. Suas buscas est&amp;atilde;o ligadas ao crescimento pessoal, espiritual, profissional, familiar, com o planeta, com sua sa&amp;uacute;de, afetivo, sexual? H&amp;aacute; ainda aqueles que desde cedo t&amp;ecirc;m apenas uma busca e correm atr&amp;aacute;s desse sonho, como aquele craque de futebol. Para outros, a busca modificou-se, evoluiu.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	O &amp;ldquo;Seu&amp;rdquo; In&amp;eacute;sio sabe de suas buscas. E voc&amp;ecirc; ainda persegue suas buscas ou &amp;eacute; bananeira que j&amp;aacute; deu cacho?&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Estamos juntos&lt;br /&gt;
	Beto Colombo&lt;br /&gt;
	beto@anjo.com.br&lt;br /&gt;
	_______________________________________________________________________________________________&lt;br /&gt;
	&lt;em&gt;Artigo publicado no Jornal A Tribuna em 10/06/2010.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
</description><author>Instituto Sul Catarinense de Filosofia Clínica</author><pubDate>Thu, 10 Jun 2010 16:07:00 -0300</pubDate></item><item><title>Pais e mestres!</title><link>http://www.filosofiaclinicasc.com.br/artigo/pais-e-mestres-17</link><guid>http://www.filosofiaclinicasc.com.br/artigo/pais-e-mestres-17</guid><description>&lt;p&gt;
	Quando era pequeno observava meu pai como um &amp;iacute;dolo, um homem capaz de conquistar a mulher por quem eu tinha tanto amor. Vendo este &amp;iacute;dolo queria ser igual a ele, vestia sua camisa de trabalho, pois era nessa hora que ele ganhava o beijo, colocava seus sapatos, mostrando j&amp;aacute; ser &amp;ldquo;grande&amp;rdquo;. Queria comer as mesmas comidas que ele colocava no prato, ver os mesmos programas de televis&amp;atilde;o vistos por ele, me divertir com os mesmos programas de lazer que o divertiam. Meu pai era um mito de perfei&amp;ccedil;&amp;atilde;o, um exemplo vivo de como seguir minha vida para conquistar uma mulher como a que eu amava.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	Aos poucos fui crescendo, percebendo outras realidades al&amp;eacute;m da minha, fora dos muros de minha casa. Entendi que existiam outras mulheres para serem conquistadas, mas ainda assim, meu exemplo de como faz&amp;ecirc;-lo vinha do meu maior mestre, meu pai. Ao ir em busca dos meus amores percebi que reproduzia n&amp;atilde;o s&amp;oacute; os comportamentos afetivos de meu pai, mas que buscava o que buscava com o mesmo afinco que ele o fazia. Percebi que mesmo tendo sonhos diferentes, era a mesma forma de sonhar. O estranho &amp;eacute; que muitas vezes conversamos como deveriam ser as coisas para mim, que eram outros tempos e outras experi&amp;ecirc;ncias. Mas, mesmo em outros tempos, com outras experi&amp;ecirc;ncias, meu esp&amp;iacute;rito de vida se preparara para cada desafio junto com ele. Assim, em cada desafio que enfrentei na vida um pouco dele esteve comigo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	Hoje tenho filhos, um em casa e muitos fora dela. S&amp;atilde;o crian&amp;ccedil;as que encontro pelas ruas, filhos de amigos, conhecidos, parentes, estranhos e aqueles pelos quais nutro um carinho especial, meus alunos. Como posso saber o que v&amp;atilde;o aprender do que eu ensinei? Alguns deles lembrar&amp;atilde;o de minha palavras at&amp;eacute; o fim de suas vidas, lembrando frases, jarg&amp;otilde;es, brincadeiras, piadas. Mas sei que alguns deles amanh&amp;atilde; esqueceram minhas palavras, mas lembram como me vestia, como cortava o cabelo, o que comia, o que bebia, como demonstrava meu carinho e at&amp;eacute; mesmo minha raiva. Mas, sei que haver&amp;atilde;o ainda outros que n&amp;atilde;o lembrar&amp;atilde;o de minhas palavras ou de como me comportava e vestia, mas lembrar&amp;atilde;o que era o &amp;ldquo;professor&amp;rdquo;. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	Esse &amp;eacute; o tamanho de nossa responsabilidade frente a cada pessoa com quem conversamos, com quem vivemos. Se olhar para suas crian&amp;ccedil;as, de seus vizinhos, aquelas que encontram pelas ruas, vai se orgulhar do que est&amp;aacute; ensinando? Como as pessoas que convivem com voc&amp;ecirc; ir&amp;atilde;o lembr&amp;aacute;-lo? Somos um espelho exist&amp;ecirc;ncia, a partir do qual muitas pessoas medem a pr&amp;oacute;pria exist&amp;ecirc;ncia. Voc&amp;ecirc; est&amp;aacute; feliz com o que herdou dos seus pais? O que est&amp;aacute; ensinando?&lt;br /&gt;
	Pense nisso!&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	Rosemiro A. Sefstrom&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	No site h&amp;aacute; um pequeno v&amp;iacute;deo de uma propaganda, veja-o e pense sobre o que leu e viu.&lt;/p&gt;
</description><author>Instituto Sul Catarinense de Filosofia Clínica</author><pubDate>Wed, 02 Jun 2010 16:13:00 -0300</pubDate></item><item><title>Como vemos o mundo?</title><link>http://www.filosofiaclinicasc.com.br/artigo/como-vemos-o-mundo-16</link><guid>http://www.filosofiaclinicasc.com.br/artigo/como-vemos-o-mundo-16</guid><description>&lt;p&gt;
	S&amp;atilde;o seus olhos, respondi para a Mariza Niederauer (professora da p&amp;oacute;s-gradua&amp;ccedil;&amp;atilde;o em Filosofia Cl&amp;iacute;nica) quando ela se referiu com ternura e carinho as coisas e o &amp;ldquo;clima de paz e harmonia&amp;rdquo; que exala no interior de nosso lar.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Foi assim que ela &amp;ldquo;viu nosso mundo&amp;rdquo;, as formas, as cores, profundidade, luz, sombra e tantos outros aspectos visuais. &lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Estou agora me referindo a mec&amp;acirc;nica do ver, por&amp;eacute;m eles podem e provavelmente s&amp;atilde;o afetados pelo intelecto, pelas nossas ideias. Essas ideias gente, s&amp;atilde;o como filtros da nossa vis&amp;atilde;o, deixando ver apenas alguns aspectos que formam a nossa realidade. Lembre-se que realidade era aquilo que o rei dizia ser uma verdade, por isso real.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	No final do s&amp;eacute;culo XIX surgiu um movimento art&amp;iacute;stico e liter&amp;aacute;rio chamado realismo. Esses artistas tinham como empenho retratar a realidade tal como ela era. Mas como era essa realidade? E se esses artistas estivessem naquele momento com a autogenia baixa, ser&amp;aacute; que eles conseguiriam expressar a vida daquela sociedade? &lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Estudando as ra&amp;iacute;zes desse movimento que iniciou na Fran&amp;ccedil;a, ver&amp;iacute;amos apenas alguns aspectos da vida daquele povo retratados pelos artistas. Quando um artista decide retratar a realidade, de que realidade estamos falando?&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Em seu livro As Sete Leis Espirituais do Sucesso, Deepak Chopra teoriza que a realidade &amp;eacute; proje&amp;ccedil;&amp;atilde;o do passado, que muitas vezes n&amp;atilde;o conseguimos enxergar o que REALmente est&amp;aacute; acontecendo, pois estamos apegados a um acontecimento ocorrido l&amp;aacute; atr&amp;aacute;s.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Se voc&amp;ecirc; retratar a realidade de sua cidade em uma pintura, como ela seria? Provavelmente diferente do meu modo de ver as coisas.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	E se pintar nossa vida com os olhos da emo&amp;ccedil;&amp;atilde;o, quais seriam os tra&amp;ccedil;os dessas emo&amp;ccedil;&amp;otilde;es em nossa pintura? Ser&amp;aacute; que estamos vivendo durante os &amp;ldquo;dias &amp;uacute;teis&amp;rdquo; da semana como m&amp;aacute;quina e deixando para viver o amor apenas em fam&amp;iacute;lia nos finais de semana? Outros praticam o amor apenas no Natal, na P&amp;aacute;scoa, nas f&amp;eacute;rias. E se olharmos o mundo diariamente com os olhos do amor, da paix&amp;atilde;o, da alegria, do carinho, da ternura com os colegas de trabalho, com os amigos, provavelmente ele mudaria para melhor. Experimente, fa&amp;ccedil;a um teste para ver a rea&amp;ccedil;&amp;atilde;o do colega.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Alguns de n&amp;oacute;s t&amp;ecirc;m culpa por sentir raiva, &amp;oacute;dio, solid&amp;atilde;o, tristeza. N&amp;atilde;o &amp;eacute; politicamente correto sentir isso, dizem as novelas, os filmes hollywoodianos. Ora, que bobagem, somos seres humanos e isso &amp;eacute; normal. Ficar triste, introspecto em algum momento, n&amp;atilde;o expressa a realidade total da nossa vida, apenas nosso corpo est&amp;aacute; pedindo para rever o que pode evoluir. Ou ent&amp;atilde;o &amp;eacute; s&amp;oacute; um momento triste num ser feliz.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Alguns de n&amp;oacute;s v&amp;ecirc; o mundo com os olhos da f&amp;eacute;. Gostam de perceber o quanto s&amp;atilde;o acompanhados por Deus no seu dia a dia. V&amp;ecirc;em suas tristezas, alegrias, acidentes, doen&amp;ccedil;as, como prova&amp;ccedil;&amp;otilde;es divinas. Garanto para voc&amp;ecirc;s que o fardo desses s&amp;atilde;o mais leves, ser&amp;atilde;o apenas barreiras a serem ultrapassadas, e alguns deles acreditam que s&amp;oacute; conseguem pela ajuda de Deus.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Das tantas formas que temos para ver o mundo, podemos ainda olhar o mundo atrav&amp;eacute;s dos olhos dos outros. &lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Como as pessoas v&amp;ecirc;em o que estou passando? Da forma que vivo para elas &amp;eacute; bom ou ruim? Algumas pessoas n&amp;atilde;o conseguem ler a sua pr&amp;oacute;pria hist&amp;oacute;ria e precisam do outro como int&amp;eacute;rprete para enxergar com maior clareza e, garanto a voc&amp;ecirc;s que n&amp;atilde;o tem nada de errado nisso, apenas &amp;eacute; assim.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Lembro de minha m&amp;atilde;e me alertando para levar o guarda-chuva para o col&amp;eacute;gio e ainda assim eu levava aquela molhada por n&amp;atilde;o escutar, e olha que ela n&amp;atilde;o era climatologista.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Como vemos o mundo? Como aquele empres&amp;aacute;rio que v&amp;ecirc; sua empresa com dificuldades e preju&amp;iacute;zos e universaliza isso para todo o mais? &lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Ou ser&amp;aacute; que voc&amp;ecirc; v&amp;ecirc; o mundo numa tempestade e aproveita para fabricar barcos, guarda-chuvas e ainda tirar proveito dessa situa&amp;ccedil;&amp;atilde;o? Como voc&amp;ecirc; v&amp;ecirc; o mundo?&lt;br /&gt;
	Isso &amp;eacute; assim para mim.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Estamos juntos&lt;br /&gt;
	Beto Colombo&lt;br /&gt;
	beto@anjo.com.br&lt;br /&gt;
	______________________________________________________________________________________________&lt;br /&gt;
	&lt;em&gt;Artigo publicado no Jornal A Tribuna em 02/06/2010.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
</description><author>Instituto Sul Catarinense de Filosofia Clínica</author><pubDate>Wed, 02 Jun 2010 09:44:00 -0300</pubDate></item></channel></rss>