<?xml version="1.0" encoding="UTF-8" ?><rss version="2.0"><channel><title>Filosofia Clinica - Instituto Sul Catarinense</title><description>Artigos publicados no site www.filosofiaclinicasc.com.br</description><link>http://www.filosofiaclinicasc.com.br/</link><item><title>Pensar dilético</title><link>http://www.filosofiaclinicasc.com.br/artigo/pensar-dil-tico-103</link><guid>http://www.filosofiaclinicasc.com.br/artigo/pensar-dil-tico-103</guid><description>&lt;p class=&#039;legenda&#039;&gt;&lt;img src=&#039;http://www.filosofiaclinicasc.com.br/image/YTozOntzOjU6IndpZHRoIjtpOjQyNjtzOjc6ImVubGFyZ2UiO2k6MTtzOjM6InNyYyI7czozMjoiaW1hZ2Vucy9ub3RpY2lhcy9ub3RpY2lhXzEwMy5qcGciO30=/img.jpg&#039; alt=&#039;Pensar dilético&#039; /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;
	Inicio por lembrar que cada pessoa &amp;eacute; um mundo, uma realidade completamente diferente de todas as outras. Isso faz com que cada um de n&amp;oacute;s seja diferente, desde nossa realidade f&amp;iacute;sica at&amp;eacute; a cognitiva. Digo isto apenas para salientar que, quando usar neste artigo a express&amp;atilde;o &amp;ldquo;tipo de pessoa&amp;rdquo; estou me referindo a uma forma de se relacionar com a exterioridade que &amp;eacute; o mundo. O mundo &amp;eacute; tudo aquilo que &amp;eacute; exterior a mim, ou seja, o sol, as nuvens, as &amp;aacute;rvores, etc. Al&amp;eacute;m de tudo isso que existe e constitui o mundo de cada um h&amp;aacute; tamb&amp;eacute;m pessoas, os outros. N&amp;oacute;s, no dia-a-dia nos relacionamos, inevitavelmene, com o mundo e com os outros.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Das v&amp;aacute;rias formas de se relacionar vamos nos dedicar a uma em especial, a rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o dial&amp;eacute;tica. A dial&amp;eacute;tica enquanto m&amp;eacute;todo ganhou conhecimento por Hegel, mas diz-se que o pai desta teoria pode ser Zen&amp;atilde;o de El&amp;eacute;ia ou at&amp;eacute; mesmo S&amp;oacute;crates, o qual se popularizou entre os gregos por levar as pessoas &amp;agrave; verdade. O pensamento dial&amp;eacute;tico cresceu, se popularizou na filosofia e foi adotado por muitos fil&amp;oacute;sofos como m&amp;eacute;todo cient&amp;iacute;fico, assim como foi condenado por muitos outros como n&amp;atilde;o sendo nada cient&amp;iacute;fico. Enfim, cient&amp;iacute;fico ou n&amp;atilde;o, interessa em que medida essa metodologia contribui para a Filosofia Cl&amp;iacute;nica.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	A dial&amp;eacute;tica enquanto m&amp;eacute;todo se realiza em tr&amp;ecirc;s est&amp;aacute;gios: a tese, a ant&amp;iacute;tese e a s&amp;iacute;ntese. Na tese eu tenho aquilo que &amp;eacute; como teoria, ou seja, tenho uma ideia j&amp;aacute; formada. Pense no conceito que voc&amp;ecirc; tem de voc&amp;ecirc; mesmo: essa ideia que voc&amp;ecirc; elaborou de voc&amp;ecirc; mesmo pode ser considerada uma tese. Num segundo momento vem uma ideia contr&amp;aacute;ria a que voc&amp;ecirc; formou de si mesmo, essa ideia contr&amp;aacute;ria &amp;eacute; a ant&amp;iacute;tese. Vamos dizer que voc&amp;ecirc; se considera uma pessoa bondosa e desprendida, essa &amp;eacute; a sua tese, mas um amigo seu, muito sincero, diz que voc&amp;ecirc; n&amp;atilde;o &amp;eacute; bom e muito menos desprendido. Para ser mais sincero, este amigo diz que voc&amp;ecirc; &amp;eacute; avarento. Agora, com a tese a respeito de voc&amp;ecirc; e a ant&amp;iacute;tese dada por seu amigo tamb&amp;eacute;m a respeito de voc&amp;ecirc;, ir&amp;aacute; surgir uma terceira e nova ideia: a s&amp;iacute;ntese. A s&amp;iacute;ntese &amp;eacute; o resultado da uni&amp;atilde;o da tese com a ant&amp;iacute;tese, n&amp;atilde;o a simples nega&amp;ccedil;&amp;atilde;o de uma pela outra.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Pessoas que t&amp;ecirc;m o pensamento dial&amp;eacute;tico costumam ter uma ideia feita, pronta a respeito das coisas da vida. No entanto, no dia-a-dia, no conv&amp;iacute;vio com as pessoas e com as coisas, elas podem tanto receber quanto perceber opini&amp;otilde;es diferentes das que t&amp;ecirc;m. Quando isto acontece, elas entram num processo de reflex&amp;atilde;o a respeito daquilo que sabiam com o que receberam, para ent&amp;atilde;o formular algo novo. Se o processo dial&amp;eacute;tico foi feito por simples nega&amp;ccedil;&amp;atilde;o, pode acontecer o famoso oito ou oitenta, onde a pessoa aceita ou nega aquilo que veio de fora.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	O processo dial&amp;eacute;tico n&amp;atilde;o precisa necessariamente de um agente externo, algumas pessoas fazem esse caminho sozinhas. Elas mesmas, pela maneira como se desenvolveram na vida, precisam da contradi&amp;ccedil;&amp;atilde;o como maneira de desenvolver o seu pensamento. N&amp;atilde;o &amp;eacute; certo, nem errado, bom, nem mau, &amp;eacute; apenas uma das formas de se pensar. H&amp;aacute; tantas outras com efic&amp;aacute;cia igual ou maior e tamb&amp;eacute;m menor do que esta.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Na rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o com o outro, seja ele coisa ou pessoa, qualquer processo de conhecimento s&amp;oacute; acontece na medida em que eu recebo o outro. Alguns fil&amp;oacute;sofos falaram em sair de si como processo de ant&amp;iacute;tese, mas a ant&amp;iacute;tese s&amp;oacute; acontecer&amp;aacute; realmente se eu me abrir para o outro, &amp;eacute; ele quem me trar&amp;aacute; o diferente, e n&amp;atilde;o eu. Como em Her&amp;aacute;clito, s&amp;oacute; me darei conta de que n&amp;atilde;o me banho duas vezes no mesmo rio se eu deixar que o rio passe por mim e n&amp;atilde;o eu por ele.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Rosemiro A. Sefstrom&lt;/p&gt;
</description><author>Instituto Sul Catarinense de Filosofia Clínica</author><pubDate>Wed, 01 Feb 2012 13:01:00 -0200</pubDate></item><item><title>Lei da atração</title><link>http://www.filosofiaclinicasc.com.br/artigo/lei-da-atra-o-102</link><guid>http://www.filosofiaclinicasc.com.br/artigo/lei-da-atra-o-102</guid><description>&lt;p class=&#039;legenda&#039;&gt;&lt;img src=&#039;http://www.filosofiaclinicasc.com.br/image/YTozOntzOjU6IndpZHRoIjtpOjQyNjtzOjc6ImVubGFyZ2UiO2k6MTtzOjM6InNyYyI7czozMjoiaW1hZ2Vucy9ub3RpY2lhcy9ub3RpY2lhXzEwMi5qcGciO30=/img.jpg&#039; alt=&#039;Lei da atração&#039; /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;
	N&amp;atilde;o s&amp;atilde;o poucas as vezes que ouvi perguntas sobre mentaliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o, pessoas querendo saber o que &amp;eacute; e como ela funciona. Por detr&amp;aacute;s desta t&amp;eacute;cnica existe o que chamam de Lei da Atra&amp;ccedil;&amp;atilde;o, ou seja, aquilo que voc&amp;ecirc; pensa &amp;eacute; o que voc&amp;ecirc; atrai. Segundo alguns, a teoria vai ainda mais longe: aquilo que voc&amp;ecirc; mentaliza se materializa. Dizem ainda que as pessoas de um modo geral n&amp;atilde;o melhoram de vida porque n&amp;atilde;o colocam isso em suas mentes, n&amp;atilde;o colocam isso como futuro. Sendo assim, se penso que estou doente ou ficando doente, logo ficarei doente. Alguns podem dizer que n&amp;atilde;o &amp;eacute; t&amp;atilde;o simples assim, concordo. Mas h&amp;aacute; ainda a quest&amp;atilde;o: e as pessoas que fazem mentaliza&amp;ccedil;&amp;otilde;es e nada acontece? Segundo os pregadores destas teorias, a pessoa est&amp;aacute; fazendo errado.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	A Lei da Atra&amp;ccedil;&amp;atilde;o encontra seus opositores h&amp;aacute; muito tempo, entre as cr&amp;iacute;ticas &amp;agrave; teoria, duas s&amp;atilde;o interessantes e relevantes. A primeira cr&amp;iacute;tica diz respeito a cientificidade do assunto: n&amp;atilde;o h&amp;aacute; na f&amp;iacute;sica nada que possa provar que realmente o pensamento possa atrair algo, quanto mais materializar. Sendo assim, por falta de cientificidade a comunidade cient&amp;iacute;fica desacredita na Lei da Atra&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Outra cr&amp;iacute;tica, n&amp;atilde;o menos verdadeira, &amp;eacute; a de que este tipo de pensamento pode levar quem mentaliza a culpar a v&amp;iacute;tima. Como? &amp;Eacute; a hist&amp;oacute;ria de pessoas que outorgam culpa aos outros, ou seja, se eu mentalizo s&amp;oacute; depende de mim, mas se n&amp;atilde;o der certo outras pessoas receber&amp;atilde;o a culpa.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	A Lei da Atra&amp;ccedil;&amp;atilde;o existe e pode ser provada cientificamente no que diz respeito &amp;agrave; eletricidade e ao magnetismo. Ali sim, a lei realmente &amp;eacute; uma lei. Pois lei &amp;eacute; um processo cient&amp;iacute;fico que foi testado e comprovado como infal&amp;iacute;vel, como a lei da gravidade. At&amp;eacute; o momento n&amp;atilde;o sabemos de algu&amp;eacute;m que conseguiu desfazer a gravidade. S&amp;oacute; que, mesmo assim, ainda fica aquele ponto de interroga&amp;ccedil;&amp;atilde;o sobre o fato do pensamento atrair ou n&amp;atilde;o coisas boas e ruins. &lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Das v&amp;aacute;rias formas de se trabalhar a quest&amp;atilde;o do pensamento coloco duas, as mais comuns. O pensamento por si s&amp;oacute; &amp;eacute; apenas pensamento de alguma coisa, mas algumas pessoas aprenderam a ligar o pensamento ao corpo, ou seja, o que elas pensam se reflete no corpo. Nestes casos, a for&amp;ccedil;a do pensamento est&amp;aacute; intimamente ligada ao corpo, se elas estiverem mal nos pensamentos provavelmente o corpo tamb&amp;eacute;m estar&amp;aacute; mal. Este mal se manifesta de diversas formas, um deles &amp;eacute; a afta na boca (alguns empres&amp;aacute;rios devem saber do que estou falando). H&amp;aacute; ainda a famosa gastrite, quando a pessoa est&amp;aacute; com a cabe&amp;ccedil;a muito atribulada &amp;eacute; o est&amp;ocirc;mago o primeiro a dar o sinal. Para isto a explica&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;eacute; muito simples: chama-se somatiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o, algumas pessoas conseguem fazer isto, outras n&amp;atilde;o.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Outra maneira de se tratar disto &amp;eacute; pela dire&amp;ccedil;&amp;atilde;o em que o pensamento est&amp;aacute;, pelos conte&amp;uacute;dos que tenho no meu pensamento. Cada um durante o dia pensa em muitas coisas, alguns mais, outros menos. Mas, de qualquer forma o pensamento &amp;eacute; pensamento de alguma coisa. Assim, quando eu passo o dia pensando nas minhas d&amp;iacute;vidas, no que tenho para pagar e n&amp;atilde;o me concentro em outras coisas que tem o meu dia, provavelmente minhas dividas ir&amp;atilde;o aparecer bem mais que todo o resto. &amp;Eacute; assim tamb&amp;eacute;m com um namoro, o menino come&amp;ccedil;a o relacionamento e logo pensa que n&amp;atilde;o vai dar certo, est&amp;aacute; sempre tenso porque sabe que n&amp;atilde;o vai dar certo. O seu pensamento, n&amp;atilde;o por ser negativo, mas por tirar sua aten&amp;ccedil;&amp;atilde;o ao momento faz com que ele torne-se uma p&amp;eacute;ssima companhia e a&amp;iacute; sim, pode dar tudo errado.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	O pensamento positivo, ou seja, em torno de coisas que se quer, se deseja, s&amp;atilde;o sim bons e deveriam ser cultivados. Ao cultivar bons pensamento provavelmente terei sempre boas companhias, bons momentos. Ao pensar estou vivendo as situa&amp;ccedil;&amp;otilde;es, assim, quando o meu pensamento se colocar numa certa dire&amp;ccedil;&amp;atilde;o, antes mesmo de chegar l&amp;aacute; j&amp;aacute; estarei vivendo o acontecimento, mesmo que nunca se torne material. &lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Rosemiro A. Sefstrom&lt;/p&gt;
</description><author>Instituto Sul Catarinense de Filosofia Clínica</author><pubDate>Thu, 26 Jan 2012 12:41:00 -0200</pubDate></item><item><title>O elo mais fraco!</title><link>http://www.filosofiaclinicasc.com.br/artigo/o-elo-mais-fraco-101</link><guid>http://www.filosofiaclinicasc.com.br/artigo/o-elo-mais-fraco-101</guid><description>&lt;p&gt;
	No artigo anterior abordei a quest&amp;atilde;o das rela&amp;ccedil;&amp;otilde;es exemplificando algumas possibilidades de rela&amp;ccedil;&amp;otilde;es e o perigo impl&amp;iacute;cito em cada uma delas, no entanto, n&amp;atilde;o propus um formato de rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o saud&amp;aacute;vel. Antes de propor uma forma &amp;eacute; interessante retomar um tipo de rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o que tem se acentuado nos dias de hoje e &amp;eacute; quase palavra de ordem: a rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o de igualdade. Quando se fala em rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o de igualdade &amp;eacute; praticamente imposs&amp;iacute;vel deixar de fora Friedrich Wilhelm Nietzsche, fil&amp;oacute;sofo alem&amp;atilde;o conhecido por ser, ainda hoje, &amp;agrave; frente do seu tempo. &lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Partindo de algumas ideias do fil&amp;oacute;sofo alem&amp;atilde;o pensemos na rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o de igualdade. A rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o de igualdade procura nivelar os seres humanos de tal forma que ningu&amp;eacute;m seja prejudicado. Podemos ilustrar pensando numa professora que, em sala de aula com os seus alunos, espera at&amp;eacute; o mais lento de todos terminar para depois apagar o quadro. Essa atitude abona o aluno mais lento a continuar lento e faz com que os alunos r&amp;aacute;pidos se tornem lentos enquanto grupo. Desta maneira, pela condi&amp;ccedil;&amp;atilde;o do mais fraco, a turma toda se nivela pelo mais fraco. H&amp;aacute; um ditado que diz que: &amp;ldquo;Uma corrente &amp;eacute; t&amp;atilde;o forte quanto o seu elo mais fraco&amp;rdquo;. &lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Para Nietzsche, essa moral de rebanho, onde o mais forte &amp;eacute; subjugado pelo mais fraco &amp;eacute; o que faz a sociedade fraca. Para ele h&amp;aacute; de vir ainda o tempo em que ser&amp;aacute; valorizado o mais forte, porque ele se far&amp;aacute; valorizar. O tempo em que o forte n&amp;atilde;o ter&amp;aacute; medo de ser forte e subjugar os mais fracos at&amp;eacute; que estes se esforcem para conquistar o lugar do mais forte. Para ele n&amp;atilde;o h&amp;aacute; igualdade, somos diferentes. Desde o nosso DNA at&amp;eacute; nosso esp&amp;iacute;rito, somos diferentes. Igualar &amp;eacute; menosprezar as capacidades individuais, desprezar o potencial dos mais fortes em favor da morosidade dos mais fracos. Mesmo numa rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o entre diferentes pode haver respeito, n&amp;atilde;o h&amp;aacute; necessidade de alegar uma igualdade que justifique atitudes diferentes. H&amp;aacute; sim, a necessidade de entender que somos diferentes e dentro dessa diferen&amp;ccedil;a constroem-se as rela&amp;ccedil;&amp;otilde;es. &lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	O que proponho neste escrito &amp;eacute; a rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o como uma constru&amp;ccedil;&amp;atilde;o, ou seja, uma rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o que n&amp;atilde;o seja unilateral, mas bilateral. A rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o onde eu e o outro nos colocamos num espa&amp;ccedil;o comum, de modo a aprendermos um com o outro qual &amp;eacute; a melhor maneira de conduzir. Neste espa&amp;ccedil;o, veremos qual tipo de rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;eacute; mais saud&amp;aacute;vel, se &amp;eacute; de neg&amp;oacute;cio, como muitos casamentos nos dias de hoje, se &amp;eacute; de casamento, se &amp;eacute; de depend&amp;ecirc;ncia, se &amp;eacute; de posse. N&amp;atilde;o interessa o tipo de rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o, mas sim a presen&amp;ccedil;a dos dois envolvidos na constru&amp;ccedil;&amp;atilde;o deste v&amp;iacute;nculo.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Esta constru&amp;ccedil;&amp;atilde;o se dar&amp;aacute; a partir do momento em que eu entender que o outro me ensina qual &amp;eacute; o melhor tipo de rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o para se ter com ele, assim como o outro aprende comigo qual &amp;eacute; a melhor maneira de se relacionar comigo. Muitos casamentos n&amp;atilde;o d&amp;atilde;o certo porque o marido emprega &amp;agrave; for&amp;ccedil;a o seu jeito de se relacionar, assim como a esposa pode fazer o mesmo. A constru&amp;ccedil;&amp;atilde;o da rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o se dar&amp;aacute; de maneira saud&amp;aacute;vel quando o outro for o meu professor no que diz respeito a ele.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Rosemiro A. Sefstrom&lt;/p&gt;
</description><author>Instituto Sul Catarinense de Filosofia Clínica</author><pubDate>Thu, 19 Jan 2012 13:28:00 -0200</pubDate></item><item><title>Fora de mim!</title><link>http://www.filosofiaclinicasc.com.br/artigo/fora-de-mim-100</link><guid>http://www.filosofiaclinicasc.com.br/artigo/fora-de-mim-100</guid><description>&lt;p class=&#039;legenda&#039;&gt;&lt;img src=&#039;http://www.filosofiaclinicasc.com.br/image/YTozOntzOjU6IndpZHRoIjtpOjQyNjtzOjc6ImVubGFyZ2UiO2k6MTtzOjM6InNyYyI7czozMjoiaW1hZ2Vucy9ub3RpY2lhcy9ub3RpY2lhXzEwMC5qcGciO30=/img.jpg&#039; alt=&#039;Fora de mim!&#039; /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;
	Diariamente estamos em rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o com pessoas, objetos, sentimentos, pensamentos, sensa&amp;ccedil;&amp;otilde;es. Nossas rela&amp;ccedil;&amp;otilde;es podem, em certa medida, mostrar como estamos em rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o ao mundo e alguns dos motivos pelos quais sofremos. Relacionar-se &amp;eacute; estar em contato, ou seja, criar uma ponte que me liga ao outro, ao diferente, &amp;agrave;quilo que n&amp;atilde;o sou eu. Essa rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o pode ocorrer em car&amp;aacute;ter positivo, negativo, confuso ou indefnido. O recomend&amp;aacute;vel &amp;eacute; o positivo, mas algumas rela&amp;ccedil;&amp;otilde;es s&amp;oacute; ser&amp;atilde;o produtivas se forem negativas. Este, no entanto, n&amp;atilde;o &amp;eacute; o foco do que estamos trabalhando neste escrito. O que interessa aqui s&amp;atilde;o as formas como criamos essas pontes em rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o ao outro.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Uma forma de se construir uma rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o com o outro &amp;eacute; pela necessidade, ou seja, a falta me leva a buscar o outro. Nesta rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o eu me coloco em dire&amp;ccedil;&amp;atilde;o ao outro porque preciso dele, como o corpo que precisa de alimento, e essa necessidade s&amp;oacute; passar&amp;aacute; quando for saciada. Este tipo de rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o, a necessidade, torna-me dependente do outro na medida em que preciso dele. Precisar &amp;eacute; inevitavelmente estar amarrado, fadado a viver na depend&amp;ecirc;ncia daquilo que preciso e a sua aus&amp;ecirc;ncia ter&amp;aacute; consequ&amp;ecirc;ncias. Esta rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o de necessidade torna tanto o sujeito quanto o objeto prisioneiros de sua condi&amp;ccedil;&amp;atilde;o, &amp;eacute; uma rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o de causa e efeito.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Outro tipo de rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;eacute; a de propriedade, muito comum nos dias de hoje, onde eu me relaciono com as coisas porque elas me pertencem. Aqui a rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o se d&amp;aacute; no n&amp;iacute;vel de perten&amp;ccedil;a, sendo assim, a minha ponte com o outro &amp;eacute; a minha propriedade sobre ele: eu sou aquele a quem o objeto pertence. Pode-se pensar no caso dos relacionamentos, onde a menina ou o menino diz que o outro &amp;eacute; &amp;ldquo;seu&amp;rdquo; namorado ou namorada, assim como a &amp;ldquo;minha&amp;rdquo; esposa e assim por diante. A rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o de propriedade reduz o objeto a minha vontade, &amp;eacute; meu, fa&amp;ccedil;o o que me for conveniente, perigosa esta ideia, mas fora da &amp;eacute;tica ela anda solta. &lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	H&amp;aacute; uma forma de rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o da qual se fala pouco, mas que a ci&amp;ecirc;nca tem feito de tudo para alcan&amp;ccedil;ar: a rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o de domina&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Diferente da rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o de perten&amp;ccedil;a onde o outro &amp;eacute; meu, agora eu domino, posso n&amp;atilde;o ter propriedade, mas tenho controle. Forma estranha de se criar uma ponte com o outro, como se fosse realmente poss&amp;iacute;vel dominar pensamentos, emo&amp;ccedil;&amp;otilde;es, etc. Mas mesmo sendo um tipo de rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o pouco falada &amp;eacute; por ela que muitos relacionamentos afetivos se d&amp;atilde;o, onde o marido controla a esposa, os filhos. Esse tipo de rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;eacute; quase o &amp;ldquo;p&amp;aacute;trio poder&amp;rdquo; que se vivia na Gr&amp;eacute;cia Antiga, mas &amp;eacute; uma rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o que d&amp;aacute; certa seguran&amp;ccedil;a a quem domina. Uma ponte em que um lado est&amp;aacute; acima do outro, onde o dominador tem o controle, uma rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o em que pode haver oprimidos. Algumas pessoas gostam de ser controladas, precisam disso, mas ser&amp;aacute; que &amp;eacute; para todos assim?&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Nos dias atuais, depois de centenas de anos de escravid&amp;atilde;o e discrimina&amp;ccedil;&amp;atilde;o, o discurso &amp;eacute; que temos de ter rela&amp;ccedil;&amp;otilde;es de igualdade, afinal somos todos iguais. &amp;Eacute; um discurso amplamente estranho, uma vez que me relaciono com o outro como me relaciono comigo. Ent&amp;atilde;o, o outro &amp;eacute; nada mais do que um eu copiado em outro corpo, &amp;eacute; o mesmo eu vivendo numa roupagem nova, o eu que n&amp;atilde;o est&amp;aacute; em mim. Esse tipo de rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;eacute; a mais perigosa, visto que algumas pessoas n&amp;atilde;o se tratam muito bem, n&amp;atilde;o se cuidam. Apenas como iustra&amp;ccedil;&amp;atilde;o, se eu fumo e acho isso bom, ent&amp;atilde;o isso &amp;eacute; bom para todos, porque somos todos iguais.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	O melhor ou a melhor forma de construir uma rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;eacute; entender que o outro, por mais que seja como eu, &amp;eacute; ainda diferente. &amp;Eacute; justamente na igualdade que somos t&amp;atilde;o difentes, somo seres de diferen&amp;ccedil;a. S&amp;oacute; &amp;eacute; poss&amp;iacute;vel acessar ao outro realmente se ele se deixar vir a mim, &amp;eacute; na rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o com o outro que chego a ele, pela vontade dele e n&amp;atilde;o pela minha. &amp;Eacute; o outro quem se doa a mim e n&amp;atilde;o eu que entro na realidade dele. &lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Rosemiro A. Sefstrom&lt;/p&gt;
</description><author>Instituto Sul Catarinense de Filosofia Clínica</author><pubDate>Sun, 15 Jan 2012 11:10:00 -0200</pubDate></item><item><title>Quanto vale uma vida?</title><link>http://www.filosofiaclinicasc.com.br/artigo/quanto-vale-uma-vida-99</link><guid>http://www.filosofiaclinicasc.com.br/artigo/quanto-vale-uma-vida-99</guid><description>&lt;p&gt;
	Antes de quaquer resposta a priori &amp;eacute; necess&amp;aacute;rio entender que n&amp;atilde;o h&amp;aacute; uma medida de valor que possa quantificar uma vida. Cada ser em s&amp;iacute; &amp;eacute; &amp;uacute;nico, insubstitu&amp;iacute;vel, com suas caracter&amp;iacute;sticas, jeito de ser, maneira de ver o mundo. No entanto, &amp;eacute; interessante pensar em algo que comumente se v&amp;ecirc; e n&amp;atilde;o se percebe: que a vida de uma pessoa &amp;eacute; tratada, em muitos casos, a partir de um juizo de valor. Nesses casos, nem sempre muito claros, as pessoas que dependem do outro ficam a merc&amp;ecirc; de seu ju&amp;iacute;zo de valor. Em Filosofia Cl&amp;iacute;nica todo o ju&amp;iacute;zo de valor &amp;eacute; chamado de axiologia, assim como na Filosofia Acad&amp;ecirc;mica. Assim, axiologia me diz o que &amp;eacute; importante para a outra pessoa, ou seja, o que ela considera importante para si; n&amp;atilde;o necess&amp;aacute;rio, mas importante.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Hoje pela manh&amp;atilde; ao ver o jornal, deparei-me com uma not&amp;iacute;cia muito comum nos dias de hoje. O jornalista dizia que um jogador de futebol engravidou uma mo&amp;ccedil;a. At&amp;eacute; ent&amp;atilde;o normal, mas o que espanta &amp;eacute; dizer que o jogador j&amp;aacute; avisou a fam&amp;iacute;lia que cumprir&amp;aacute; com todas as obriga&amp;ccedil;&amp;otilde;es financeiras. N&amp;atilde;o conhe&amp;ccedil;o o jogador e muito menos a mo&amp;ccedil;a, mas se pode perguntar: qual &amp;eacute; o valor desta vida gerada pelos dois? Posso arriscar, talvez cometendo um erro vergonhoso, mas parece que para ela ter um filho &amp;eacute; garantir uma boa quantia em dinheiro para si, o filho &amp;eacute; um meio para ganhar a vida. Para o jogador o filho &amp;eacute; a consequ&amp;ecirc;ncia de uma atitude que vai lhe custar dinheiro, s&amp;oacute;. A vida de uma pessoa que ainda nem nasceu j&amp;aacute; tem pre&amp;ccedil;o.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	O filme &amp;ldquo;Antes de Partir&amp;rdquo;, estrelado por Jack Nicholson no papel do rico empres&amp;aacute;rio e dono do hospital Edward Colen e Morgan Freeman no papel do mec&amp;acirc;nico Carter Chambres, apresenta uma brilhante hist&amp;oacute;ria que mostra o fim da vida de dois homens que morrer&amp;atilde;o de c&amp;acirc;ncer, Neste filme, ao chegar ao hospital, por se saber uma pessoa simples, humilde, Chambers pede apenas que o m&amp;eacute;dico olhe seus exames. O mesmo se nega, pois n&amp;atilde;o &amp;eacute; sua compet&amp;ecirc;nca, isso deveria ser feito pelo m&amp;eacute;dico que acompanhava seu caso. Em contrapartida, o rico Colen reclama do fato de ser colocado em um quarto com outra pessoa, quando ele mesmo disse que hospital n&amp;atilde;o &amp;eacute; hotel. Naquele momento ele se colocou acima de todas as outras pessoas, queria que fosse feita a sua vontade, como se afirmasse que &amp;ldquo;a vida de uma pessoa tem seu pre&amp;ccedil;o e &amp;eacute; sempre menor que o meu&amp;rdquo;.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Ontem, um daqueles jornais sensacionalistas noticiava a morte de uma jovem pelo namorado. Segundo a not&amp;iacute;cia, o jovem assassinou a ex-namorada a facadas porque estava apaixonado por ela e ela o deixou. N&amp;atilde;o &amp;eacute; dif&amp;iacute;cil ver meninos e meninas que condenam o seu companheiro ao seu amor, alguns condenam a si pr&amp;oacute;prio. Um amor que sufoca, que faz do outro objeto de uso, que transforma a outra vida em posse. A vida tem valor quando &amp;eacute; minha, se n&amp;atilde;o for minha n&amp;atilde;o ser&amp;aacute; de ningu&amp;eacute;m.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Desde sempre, para n&amp;atilde;o dizer h&amp;aacute; muito tempo, israelenses e palestinos que vivem num pequeno peda&amp;ccedil;o de terra no Oriente M&amp;eacute;dio est&amp;atilde;o em guerra. L&amp;aacute;, antes de tudo, sua guerra &amp;eacute; por terra e &amp;aacute;gua, recursos escassos naquela regi&amp;atilde;o. Um pouco al&amp;eacute;m deste lugar, outras regi&amp;otilde;es tamb&amp;eacute;m est&amp;atilde;o em guerra e al&amp;eacute;m de terra, &amp;aacute;gua, riquezas e poder existe a quest&amp;atilde;o religiosa envolvida. O interessante &amp;eacute; que a maioria das religi&amp;otilde;es prega o respeito e o valor &amp;agrave; vida, mas ap&amp;oacute;iam pr&amp;aacute;ticas violentas contra pessoas que n&amp;atilde;o t&amp;ecirc;m o mesmo credo. Estou falando de pa&amp;iacute;ses distantes, mas aqui, do lado da nossa casa, pode haver uma pessoa de outra religi&amp;atilde;o. Alguns pensam: &amp;ldquo;a vida dessa pessoa tem valor se ela tiver a mesma religi&amp;atilde;o que eu.&amp;rdquo;&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	N&amp;atilde;o &amp;eacute; por um destes fatores isolados, mas o conjunto de v&amp;aacute;rios fatores que mostra para cada um quanto vale uma vida. Pense um pouco sobre isso, veja se as suas atitudes mostram que voc&amp;ecirc; valoriza a vida. Lembre-se que, assim como voc&amp;ecirc; mede, tamb&amp;eacute;m pode ser medido.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Rosemiro A. Sefstrom&lt;/p&gt;
</description><author>Instituto Sul Catarinense de Filosofia Clínica</author><pubDate>Thu, 05 Jan 2012 12:58:00 -0200</pubDate></item><item><title>Quem somos!</title><link>http://www.filosofiaclinicasc.com.br/artigo/quem-somos-98</link><guid>http://www.filosofiaclinicasc.com.br/artigo/quem-somos-98</guid><description>&lt;p class=&#039;legenda&#039;&gt;&lt;img src=&#039;http://www.filosofiaclinicasc.com.br/image/YTozOntzOjU6IndpZHRoIjtpOjQyNjtzOjc6ImVubGFyZ2UiO2k6MTtzOjM6InNyYyI7czozMToiaW1hZ2Vucy9ub3RpY2lhcy9ub3RpY2lhXzk4LmpwZyI7fQ==/img.jpg&#039; alt=&#039;Quem somos!&#039; /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;
	Em nossa vida, nem sempre somos os primeiros, nem precisamos ou at&amp;eacute; mesmo queremos ser. Assim acontece no consult&amp;oacute;rio, lugar onde a vaidade de achar que se sabe alguma coisa sobre o homem, as pessoas, o ser, cai por terra trinta segundos depois de olhar para o outro. Quando olhamos no fundo dos olhos, n&amp;atilde;o interessa a idade, sabemos que aqueles olhos, al&amp;eacute;m de tudo que se possa dizer, nos trazem uma representa&amp;ccedil;&amp;atilde;o de mundo. Al&amp;eacute;m dos olhos temos ainda todos os outros cinco sentidos, al&amp;eacute;m daqueles que ainda n&amp;atilde;o conhecemos, mas podemos conhecer na singularidade existencial. &amp;Eacute; no consult&amp;oacute;rio e com este outro, diferente de mim, com quem vou construir uma caminhada, longa ou curta, tanto faz, mas uma caminhada que leve o outro &amp;agrave; paradeiros por mim ainda desconhecidos.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Quando a pessoa senta-se diante de mim, numa sala de aula, numa conversa, no consult&amp;oacute;rio, sei profundamente que n&amp;atilde;o sei nada al&amp;eacute;m daquilo que sei. Devo estar profundamente aberto, por meio dos olhos, ouvidos, olfato e todos os outros sentidos, para poder acompanhar a pessoa em sua caminhada. As minhas ferramentas, apenas teorias, quem me d&amp;aacute; &amp;eacute; o outro, pessoa da qual terei de tirar a experi&amp;ecirc;ncia para poder vencer o caminho que ela me prop&amp;ocirc;s quando come&amp;ccedil;ou a partilha comigo. A coragem, o ser destemido, nada al&amp;eacute;m de boatos, sou como um ser qualquer, que tem medo, chora e erra, mas ao lado daquele outro preciso ser mais forte que ele ou ser mais fraco, para que ele seja forte. &lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Depois de um tempo caminhando juntos me sinto ambientado, acho at&amp;eacute; que posso perguntar algumas coisas, conhecer de maneira interessada o que ainda n&amp;atilde;o est&amp;aacute; claro para mim. Mas mesmo quando pego e tomo a dire&amp;ccedil;&amp;atilde;o da conversa fa&amp;ccedil;o de maneira singela, simples, de acordo com a caminhada do outro. Com minhas perguntas conhe&amp;ccedil;o um pouco melhor os porqu&amp;ecirc;s, significados, lembran&amp;ccedil;as, sentimentos, verdades, enfim, conhe&amp;ccedil;o um pouco melhor o caminho e a maneira de caminhar deste outro. Quando percebo que minhas perguntas causam dor, procuro parar e retomo o mesmo assunto por outras veredas, que causem menos sofrimento.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Caminhando junto aprendo a seguir o ritmo do outro, seu tempo. O meu de nada serve. De nada me adiantaria entrar no mundo do outro e caminhar &amp;agrave; frente dele, pois n&amp;atilde;o veria o que ele v&amp;ecirc;. Sigo seu passo, marco a passada e caminho junto, se poss&amp;iacute;vel respiro no mesmo ritmo, quem sabe assim sentirei como &amp;eacute; estar no lugar dele. A cada paisagem que acompanho olho atentamente, n&amp;atilde;o para o que gostaria de ver, mas para aquilo que o outro quer me mostrar. Olho o seu mundo pelos seus olhos, durante esta caminhada deixo meus olhos guardados para as minhas coisas. &lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Quando a caminhada j&amp;aacute; est&amp;aacute; avan&amp;ccedil;ada, conhecendo bem o caminho e o caminhante, com minhas ferramentas sugiro formas mais adequadas de se caminhar, ferramentas mais eficientes ou at&amp;eacute; mesmo eficazes para o trajeto que o outro caminha. Agora, com todo o percurso que percorremos juntos, sou t&amp;atilde;o pr&amp;oacute;ximo dele que algumas vezes posso retirar um obst&amp;aacute;culo do caminho antes mesmo que ele escolha caminhar por aquela estrada.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Sei profundamente que n&amp;atilde;o sou eu o ator principal nesta caminhada, e sim, o outro. Sou um coadjuvante, aquele que aparece bem no fundo das cenas. N&amp;atilde;o &amp;eacute; para ser o primeiro, nem o &amp;uacute;ltimo, mas &amp;eacute; para estar sempre ao seu lado que sou o que sou e fa&amp;ccedil;o o que fa&amp;ccedil;o. Eu sou um Fil&amp;oacute;sofo Cl&amp;iacute;nico e trabalho com gente.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Rosemiro A. Sefstrom&lt;/p&gt;
</description><author>Instituto Sul Catarinense de Filosofia Clínica</author><pubDate>Fri, 23 Dec 2011 17:39:00 -0200</pubDate></item><item><title>Visão Econômica</title><link>http://www.filosofiaclinicasc.com.br/artigo/vis-o-econ-mica-97</link><guid>http://www.filosofiaclinicasc.com.br/artigo/vis-o-econ-mica-97</guid><description>&lt;p class=&#039;legenda&#039;&gt;&lt;img src=&#039;http://www.filosofiaclinicasc.com.br/image/YTozOntzOjU6IndpZHRoIjtpOjQyNjtzOjc6ImVubGFyZ2UiO2k6MTtzOjM6InNyYyI7czozMToiaW1hZ2Vucy9ub3RpY2lhcy9ub3RpY2lhXzk3LmpwZyI7fQ==/img.jpg&#039; alt=&#039;Visão Econômica&#039; /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;
	Estamos no per&amp;iacute;odo de festas, &amp;eacute;poca de Natal e Ano Novo, &amp;eacute;poca em que as familias se reunem e festejam o final de um e o inicio de outro ano. Mas tamb&amp;eacute;m &amp;eacute; a epoca do ano em que muitos trabalham dobrado, pessoas cujos dias come&amp;ccedil;am muito cedo e terminam muito mais tarde. As reflex&amp;otilde;es feitas a respeito deste per&amp;iacute;odo em sua maioria s&amp;atilde;o otimistas e mostram um mundo perfeito, mas nem todos vivem este mundo perfeito. Um dos fil&amp;oacute;sofos que se ocupou de mostrar uma das mazelas vividas at&amp;eacute; os dias atuais &amp;eacute; Karl Marx, acompanhado por seu amigo Engels. &lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Marx &amp;eacute; um fil&amp;oacute;sofo com uma bibiografia muito extensa e dizer resumidamente como foi o seu pensamento &amp;eacute; certamente incorrer em erro. Dizem que sua extensa obra esteve em evolu&amp;ccedil;&amp;atilde;o durante toda a sua vida, sendo dividida em novo e velho Marx. Outros dividem sua produ&amp;ccedil;ao do jovem humanista ao materialismo hist&amp;oacute;rico. A vida do fil&amp;oacute;sofo era muito simples, passando por vezes dificuldades econ&amp;ocirc;micas muito s&amp;eacute;rias, das quais era tirada por seu amigo Engels. J&amp;aacute; no final de sua vida completou sua obra falando de economia, uma parte da hist&amp;oacute;ria at&amp;eacute; ent&amp;atilde;o ignorada pelos historiadores.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	A mazela a que me referia no in&amp;iacute;cio deste escrito&amp;eacute; a explora&amp;ccedil;&amp;atilde;o de uma classe social por outra e a falsa impress&amp;atilde;o de liberdade na escolha da profiss&amp;atilde;o, estilo de vida, lugar onde se vai morar, etc. Sabe-se que toda a riqueza produzida vem do trabalho e se uma classe &amp;eacute; mais rica que outra &amp;eacute; porque uma classe est&amp;aacute; abusando da riqueza da outra. Em outras palavras a riqueza da classe A &amp;eacute; fruto da explora&amp;ccedil;&amp;atilde;o da riqueza da classe B. Esse fato faz com que a rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o entre as pessoas no capitalismo aconte&amp;ccedil;a de forma que n&amp;atilde;o h&amp;aacute; mais rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o entre pessoas, mas entre objetos.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Assim como o trabalhador, o trabalho tamb&amp;eacute;m se torna um objeto que &amp;eacute; vendido em troca de sal&amp;aacute;rio, o qual em maior ou menor escala vai garantir a subsist&amp;ecirc;ncia da fam&amp;iacute;lia. O capitalista, por sua vez, trabalha para produzir lucro, ou seja, controla os meios de produ&amp;ccedil;&amp;atilde;o para que se tenha lucro. Atrav&amp;eacute;s do controle, o capitalista obtem a mais valia, que &amp;eacute; aquilo que o trabalhador produz al&amp;eacute;m do que &amp;eacute; pago. Ent&amp;atilde;o, a mais valia, ou seja, o que o trabalhador faz a mais do que recebe &amp;eacute; o lucro do capitalista. Quanto mais o trabalhador fizer, maior ser&amp;aacute; o lucro. Para Marx este entendimento s&amp;oacute; &amp;eacute; poss&amp;iacute;vel porque o ser social das pessoas &amp;eacute; que determina sua consci&amp;ecirc;ncia.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Para Marx e muitos outros fil&amp;oacute;sofos o mundo &amp;eacute; que determina a forma como o ser humano pensa, mas isto &amp;eacute; uma verdade que se aplica a ele, Marx. Muitas pessoas olham pela janela e n&amp;atilde;o olham seu trabalho sendo vendido a um patr&amp;atilde;o, mas veem o dia de sol, sentem o perfume das flores, conversam com as pessoas e fazem aquilo que gostam. Trabalhar, assim como outras coisas da vida pode ser muito mais que obriga&amp;ccedil;&amp;atilde;o, venda, troca, mais valia, pode ser a realiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o pessoal. Olhar a vida como uma rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o de com&amp;eacute;rcio &amp;eacute; torn&amp;aacute;-la muito pobre. Aqui fiz apenas um pequeno recorte do pensamento de Marx, o qual &amp;eacute; muito usado como justificativa para ser ou fazer determinadas coisas. &amp;Eacute; importante ter em mente que uma frase de um autor n&amp;atilde;o reflete o pensamento e o trabalho de uma vida inteira.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Rosemiro A. Sefstrom&lt;/p&gt;
</description><author>Instituto Sul Catarinense de Filosofia Clínica</author><pubDate>Wed, 21 Dec 2011 18:22:00 -0200</pubDate></item><item><title>Valor não tem preço!</title><link>http://www.filosofiaclinicasc.com.br/artigo/valor-n-o-tem-pre-o-96</link><guid>http://www.filosofiaclinicasc.com.br/artigo/valor-n-o-tem-pre-o-96</guid><description>&lt;p class=&#039;legenda&#039;&gt;&lt;img src=&#039;http://www.filosofiaclinicasc.com.br/image/YTozOntzOjU6IndpZHRoIjtpOjQyNjtzOjc6ImVubGFyZ2UiO2k6MTtzOjM6InNyYyI7czozMToiaW1hZ2Vucy9ub3RpY2lhcy9ub3RpY2lhXzk2LmpwZyI7fQ==/img.jpg&#039; alt=&#039;Valor não tem preço!&#039; /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;
	Quando voc&amp;ecirc; entra numa loja, pede por um produto e pergunta por aquilo que ser&amp;aacute; cobrado, est&amp;aacute; falando em valor ou pre&amp;ccedil;o? Este &amp;eacute; um tema aparentemente f&amp;aacute;cil de resolver, mas &amp;eacute; preciso investigar um pouco melhor antes de atribuir ju&amp;iacute;zos. Um fil&amp;oacute;sofo que pode ajudar a pensar melhor sobre isso &amp;eacute; Max Scheler, fil&amp;oacute;sofo alem&amp;atilde;o que trabalhou com profundidade esta quest&amp;atilde;o, criando inclusive uma tabela que define uma escala de valores. Para ele o valor &amp;eacute; anterior ao objetvo, ou seja, a escala de valores &amp;eacute; objetiva e independe do objeto em quest&amp;atilde;o. &lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Quando voc&amp;ecirc; chega numa loja e pergunta pelo valor de um produto est&amp;aacute; cometendo um engano, pois quem atribui valor &amp;eacute; voc&amp;ecirc;. Caso pergunte sobre o pre&amp;ccedil;o, essa sim &amp;eacute; a maneira certa, pois quem atribui o pre&amp;ccedil;o &amp;eacute; o dono do produto. O propriet&amp;aacute;rio estabelece o pre&amp;ccedil;o de acordo com uma s&amp;eacute;rie de custos que ele tem para produzir e leva em conta ainda a lei da oferta e da procura. Para o propriet&amp;aacute;rio n&amp;atilde;o existe uma hierarquia de pre&amp;ccedil;os, cada produto ter&amp;aacute; uma margem de lucro, algumas maiores, outras menores. O valor &amp;eacute; individual e geralmente se d&amp;aacute; em escala, ou seja, a pessoa tem uma liga&amp;ccedil;&amp;atilde;o com o produto, pessoa, conceito, havendo uma liga&amp;ccedil;&amp;atilde;o entre pessoa e objeto em escala de import&amp;acirc;ncia.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	A maneira como cada um elabora sua escala de import&amp;acirc;ncia depende de v&amp;aacute;rios fatores, mas pode-se resumir dizendo que depende da hist&amp;oacute;ria de vida da pessoa. Algumas pessoas aprenderam que tem valor aquilo que elas n&amp;atilde;o t&amp;ecirc;m. Para elas, tudo o que elas n&amp;atilde;o tiverem ser&amp;aacute; valorado. H&amp;aacute; outras pessoas que aprenderam que tem valor o que os outros dizem que tem valor, assim a elas ter&amp;aacute; valor o que a televis&amp;atilde;o disser que tem valor, por exemplo. H&amp;aacute; casos de pessoas que d&amp;atilde;o valor ao que a f&amp;eacute; diz que tem valor, sendo assim, o que estiver fora dos conceitos da f&amp;eacute;, n&amp;atilde;o ter&amp;aacute; valor. Existem tantas formas de valorar quantos existem pessoas sobre a terra, nenhuma certa e nenhuma errada, cada uma com o seu jeito.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	H&amp;aacute; um mito, algumas vezes j&amp;aacute; relatado, mas n&amp;atilde;o custa relembrar. Midas, rei grego, homem muito ganancioso, queria ser o homem mais rico do mundo. Em certa oportunidade Zeus, rei dos deuses gregos, perguntou-lhe porque n&amp;atilde;o distribu&amp;iacute;a sua riqueza aos pobres. Midas, por sua vez, disse que se pudesse transformava tudo o que tocasse em ouro. Logo que chegou em casa pediu um banquete, mas n&amp;atilde;o conseguia comer porque tudo o que tocava virava ouro. Enquanto jantava chegou sua filha. O rei a tocou e ela logo se tornou uma est&amp;aacute;tua de ouro. Esta &amp;eacute; apenas uma das centenas de vers&amp;otilde;es que existem. &lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Midas aprendeu a duras penas a diferen&amp;ccedil;a entre dinheiro e valor.. H&amp;aacute; um tempo um amigo me contou uma hist&amp;oacute;ria. Dizia ele que um amigo, muito rico tinha v&amp;aacute;rios carros na garagem, mas os filhos n&amp;atilde;o dirigiam nenhum deles. N&amp;atilde;o porque n&amp;atilde;o soubessem dirigir, n&amp;atilde;o tivessem carteira ou a permiss&amp;atilde;o do pai, todos eles estavam livres para pegar qualquer um dos carros, mas mesmo assim n&amp;atilde;o os dirigiam. Quando foram questionados sobre o motivo de tal comportamento, relataram que aqueles carros era o que, na vida, o pai mais dava valor. Nenhum deles sentia-se &amp;agrave; vontade de dirigir uma coisa que n&amp;atilde;o tinha pre&amp;ccedil;o.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Rosemiro A. Sefstrom&lt;/p&gt;
</description><author>Instituto Sul Catarinense de Filosofia Clínica</author><pubDate>Fri, 16 Dec 2011 09:55:00 -0200</pubDate></item><item><title>Além!</title><link>http://www.filosofiaclinicasc.com.br/artigo/al-m-95</link><guid>http://www.filosofiaclinicasc.com.br/artigo/al-m-95</guid><description>&lt;p class=&#039;legenda&#039;&gt;&lt;img src=&#039;http://www.filosofiaclinicasc.com.br/image/YTozOntzOjU6IndpZHRoIjtpOjQyNjtzOjc6ImVubGFyZ2UiO2k6MTtzOjM6InNyYyI7czozMToiaW1hZ2Vucy9ub3RpY2lhcy9ub3RpY2lhXzk1LmpwZyI7fQ==/img.jpg&#039; alt=&#039;Além!&#039; /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;
	H&amp;aacute; um fil&amp;oacute;sofo do qual se tem falado muito nos &amp;uacute;ltimos tempo, tendo em vista que suas ideias ainda permanecem atuais. Falo de Nietzsche, cuja obra &amp;ldquo;Al&amp;eacute;m do bem e do mal&amp;rdquo;, d&amp;aacute; continuidade ao que iniciou em Zaratustra, propondo um estudo sobre a moral e suas implica&amp;ccedil;&amp;otilde;es. Nesta obra, o fil&amp;oacute;sofo aponta para dois tipos de moral, sendo que a primeira se fundamenta nos fortes, os que t&amp;ecirc;m for&amp;ccedil;a para fazer valer a sua vontade. O segundo tipo de moral &amp;eacute; aquele no qual os fortes s&amp;atilde;o subjugados pelos fracos por uma moral que valoriza a humildade, compaix&amp;atilde;o, submiss&amp;atilde;o, etc. Segundo ele, a primeira moral &amp;eacute; aquela que leva o homem para al&amp;eacute;m do homem, leva-o ao status de super-homem. O super-homem nada mais &amp;eacute; que o homem que atravessou a linha, foi al&amp;eacute;m, &amp;eacute; aquele que faz as pr&amp;oacute;prias regras, para quem ser ovelha n&amp;atilde;o &amp;eacute; mais poss&amp;iacute;vel.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Plagiando o fil&amp;oacute;sofo pode-se dizer: &amp;ldquo;Al&amp;eacute;m da alegria e da tristeza!&amp;rdquo; Ou ainda: &amp;ldquo;Al&amp;eacute;m da mania e da depress&amp;atilde;o!&amp;rdquo; &amp;Eacute; poss&amp;iacute;vel dizer tamb&amp;eacute;m: &amp;ldquo;Al&amp;eacute;m da normalidade e da insanidade&amp;rdquo;. Assim como Nietzsche, muitos outros fil&amp;oacute;sofos e pensadores descobriram o que muitas pessoas nascer&amp;atilde;o e morrer&amp;atilde;o sem saber. Os limites, as limita&amp;ccedil;&amp;otilde;es, as barreiras, cercas, grades, muros s&amp;oacute; existem porque foram colocados naquele lugar por algu&amp;eacute;m, mas se acredita com tanta for&amp;ccedil;a que estes limites est&amp;atilde;o l&amp;aacute;, que eles acabam cumprindo o seu papel. As barreiras servem como maneira de diminuir os espa&amp;ccedil;os de abrang&amp;ecirc;ncia de um conceito, s&amp;oacute; que esse conceito &amp;eacute; a pr&amp;oacute;pria vida. Quando se diz que h&amp;aacute; um bem e um mal, se diz que existe um limite, porque de alguma maneira, terei de estar em um ou em outro. Mas pode n&amp;atilde;o ser bem e nem mal, pode ser algo ainda diferente, certo e errado, por exemplo.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Ao longo dos milhares de anos em que o ser humano vem evoluindo, tamb&amp;eacute;m com ele evoluem as formas de limita&amp;ccedil;&amp;atilde;o e domina&amp;ccedil;&amp;atilde;o. N&amp;atilde;o s&amp;atilde;o poucas as pessoas que entendem que h&amp;aacute; ou existem linhas bem claras entre o certo e o errado, o bem e o mal, o feio e o bonito, conceitos que colocam cada coisa em seu lugar. Aprenderam, reproduzem e ensinam assim, contestando qualquer um que pense, diga ou tente fazer diferente. O car&amp;aacute;ter evolutivo &amp;eacute; justamente o da muta&amp;ccedil;&amp;atilde;o, ou seja, a modifica&amp;ccedil;&amp;atilde;o de algo que at&amp;eacute; ent&amp;atilde;o &amp;ldquo;era assim&amp;rdquo;. O melhoramento de uma esp&amp;eacute;cie, segundo Darwin, se d&amp;aacute; pela adapta&amp;ccedil;&amp;atilde;o ao meio como garantia de sobreviv&amp;ecirc;ncia. Mas o ser humano &amp;eacute; s&amp;oacute; isso?&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	O ser humano &amp;eacute; o &amp;uacute;nico ser que pode ir al&amp;eacute;m, porque n&amp;atilde;o &amp;ldquo;al&amp;eacute;m da natureza&amp;rdquo;. Tudo isso est&amp;aacute; dito para lembrar que n&amp;atilde;o existe algo que seja assim. Segundo a ontologia, determinada coisa &amp;eacute; assim agora, pode n&amp;atilde;o ser daqui a pouco. Se um homem, por ser homem, tem natureza de homem, qual seria a natureza da mulher? Diferente? &amp;Eacute; uma pobreza de esp&amp;iacute;rito imensa pensar que homens e mulheres s&amp;atilde;o apenas corpo e instinto, esquecendo da capacidade de pensar, escolher e decidir. Pense em voc&amp;ecirc; mesmo, em quem voc&amp;ecirc; &amp;eacute; agora e veja o quais s&amp;atilde;o os limites que impedem voc&amp;ecirc; de ir al&amp;eacute;m de si mesmo.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Quando Nietzsche mostra que existe um al&amp;eacute;m, muitos se assustam, pensam que ele prega o ate&amp;iacute;smo ou algo do g&amp;ecirc;nero. Muito pelo contr&amp;aacute;rio, ele ensina que o ser humano &amp;eacute; muito mais do que meia d&amp;uacute;zia de preceitos que o definem. Os limites existem para as pessoas que os v&amp;ecirc;em.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Rosemiro A. Sefstrom&lt;/p&gt;
</description><author>Instituto Sul Catarinense de Filosofia Clínica</author><pubDate>Thu, 08 Dec 2011 13:22:00 -0200</pubDate></item><item><title>Tristeza não é Doença</title><link>http://www.filosofiaclinicasc.com.br/artigo/tristeza-n-o-doen-a-94</link><guid>http://www.filosofiaclinicasc.com.br/artigo/tristeza-n-o-doen-a-94</guid><description>&lt;p&gt;
	Depois da palestra que fiz no Centro-Oeste recebi a visita de uma empres&amp;aacute;ria dizendo estar insatisfeita com seu neg&amp;oacute;cio e perguntando se eu tinha alguma dica para dar a ela, pois pretendia mudar de ramo, fazer outra coisa. &lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	De pronto perguntei:&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	- O que est&amp;aacute; acontecendo? Existe alguma raz&amp;atilde;o especial que te motiva a fazer outra coisa?&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Descobri, no decorrer da conversa, que n&amp;atilde;o se tratava de problemas financeiros, muito pelo contr&amp;aacute;rio, sua empresa &amp;eacute; bem rent&amp;aacute;vel. Disse-me ela: &amp;ldquo;O problema &amp;eacute; que me enchi com o ramo de com&amp;eacute;rcio&amp;rdquo;. Ela falou ainda que n&amp;atilde;o sabia direito, mas estava passando por um momento de insatisfa&amp;ccedil;&amp;atilde;o, de melancolia, de tristeza.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Sei que muitos de n&amp;oacute;s j&amp;aacute; passamos por momentos como esse, momentos de insatisfa&amp;ccedil;&amp;atilde;o, momentos de altos e baixos. Algumas vezes nos entusiasmamos, outras nos decepcionamos, nos entristecemos. Quando isso acontece comigo, sei que n&amp;atilde;o tem nada de errado em ficar triste. E sei tamb&amp;eacute;m que eu n&amp;atilde;o posso achar que na vida tudo &amp;eacute; alegria, que tudo pode ser perfeito, pois estarei me enganando. &lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Parece-me que ficar triste virou doen&amp;ccedil;a e alguns &amp;ldquo;m&amp;eacute;dicos&amp;rdquo; est&amp;atilde;o exagerando e receitando antidepressivos sem mesmo antes ter um diagn&amp;oacute;stico definitivo. Alguns est&amp;atilde;o achando que ficar triste e insatisfeito com a fam&amp;iacute;lia, com o neg&amp;oacute;cio, com a religi&amp;atilde;o, com o emprego j&amp;aacute; &amp;eacute; motivo para remediar. Talvez seja apenas um mau momento e, quem sabe, pode ser resolvido com uma semanada de f&amp;eacute;rias ou at&amp;eacute; mesmo com uma boa noite de sono.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Talvez a m&amp;uacute;sica N&amp;atilde;o fuja da dor, do Grupo Skank resuma minha ideia: &amp;ldquo;Querer sentir a dor, n&amp;atilde;o &amp;eacute; uma loucura, fugir da dor &amp;eacute; fugir da pr&amp;oacute;pria cura&amp;rdquo;.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	&amp;Eacute; assim como o mundo me parece hoje. E voc&amp;ecirc;, o que pensa sobre a dor?&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	&lt;em&gt;Beto Colombo&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
</description><author>Instituto Sul Catarinense de Filosofia Clínica</author><pubDate>Thu, 01 Dec 2011 15:58:00 -0200</pubDate></item><item><title>Os Três Poderes</title><link>http://www.filosofiaclinicasc.com.br/artigo/os-tr-s-poderes-93</link><guid>http://www.filosofiaclinicasc.com.br/artigo/os-tr-s-poderes-93</guid><description>&lt;p class=&#039;legenda&#039;&gt;&lt;img src=&#039;http://www.filosofiaclinicasc.com.br/image/YTozOntzOjU6IndpZHRoIjtpOjQyNjtzOjc6ImVubGFyZ2UiO2k6MTtzOjM6InNyYyI7czozMToiaW1hZ2Vucy9ub3RpY2lhcy9ub3RpY2lhXzkzLmpwZyI7fQ==/img.jpg&#039; alt=&#039;Os Três Poderes&#039; /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;
	Em Filosofia Cl&amp;iacute;nica, o trabalho consiste em conhecer a hist&amp;oacute;ria de vida da pessoa e, atrav&amp;eacute;s dessa hist&amp;oacute;ria, encontrar o seu modo de ser no mundo. Quando um fil&amp;oacute;sofo cl&amp;iacute;nico compreende o modo de ser no mundo de cada pessoa ele acaba por descobrir que ela tem conte&amp;uacute;dos que lhe s&amp;atilde;o determinantes. Os conte&amp;uacute;dos determinantes podem ser emo&amp;ccedil;&amp;otilde;es, lembran&amp;ccedil;as, quest&amp;otilde;es l&amp;oacute;gicas, quest&amp;otilde;es de f&amp;eacute;, assim ser&amp;aacute; para cada um conforme sua hist&amp;oacute;ria de vida. Conforme cada pessoa e cada situa&amp;ccedil;&amp;atilde;o, seus conte&amp;uacute;dos determinantes norteiam a dire&amp;ccedil;&amp;atilde;o existencial da pessoa, orientando o fil&amp;oacute;sofo cl&amp;iacute;nico para o que precisa fazer. &lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Antes de aprofundar as quest&amp;otilde;es referentes ao t&amp;oacute;pico determinante, vale lembrar um fil&amp;oacute;sofo franc&amp;ecirc;s chamado Charles de Montesquieu. Esse fil&amp;oacute;sofo viveu entre os anos de 1689 e 1755, bem nascido, com a morte de seu tio, herdou imensa fortuna e o t&amp;iacute;tulo de Bar&amp;atilde;o. Montesquieu se tornou ao longo da vida um cr&amp;iacute;tico determinado e bem fundamentado contra do absolutismo. O absolutismo mon&amp;aacute;rquico &amp;eacute; uma forma de governo na qual o monarca (rei) concentra todos os poderes, tudo &amp;eacute; decidido por ele. Um famoso rei que ficou quase que como s&amp;iacute;mbolo do absolutismo foi Luiz XIV, que ao ser perguntado sobre quem seria seu primeiro ministro disse: &amp;ldquo;O Estado sou eu&amp;rdquo;.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Durante o per&amp;iacute;odo das monarquias absolutistas o povo pagava a conta dos luxos vividos pela corte, tanto na Fran&amp;ccedil;a quando na Inglaterra. Como o rei tinha poderes absolutos, durante um longo per&amp;iacute;odo a popula&amp;ccedil;&amp;atilde;o n&amp;atilde;o participou das decis&amp;otilde;es pol&amp;iacute;ticas que se davam no parlamento. Este tamb&amp;eacute;m era fechado pelos reis para garantir que ningu&amp;eacute;m lhes poderia tolher a liberdade de decidir sobre o povo. Esse poder absoluto que os reis tinham e os gastos cada vez maiores levaram a Fran&amp;ccedil;a &amp;agrave; fal&amp;ecirc;ncia. Pelas m&amp;atilde;os de um &amp;uacute;nico homem, por suas vontades e caprichos, se governava um pa&amp;iacute;s e, justamente por isso, este pa&amp;iacute;s quebrou.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Pelo pensamento de Montesquieu surge a ideia de dividir o poder dos reis em tr&amp;ecirc;s, segundo ele, somente assim n&amp;atilde;o haveria como se tomar decis&amp;otilde;es que s&amp;oacute; beneficiariam um lado. Ele prop&amp;ocirc;s a forma de governo que tem o legislativo, executivo e o judici&amp;aacute;rio; essa forma de governo divide o poder e evita desmandos.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Algumas pessoas, quando o fil&amp;oacute;sofo examina suas hist&amp;oacute;rias de vida, percebe que possui t&amp;oacute;picos determinantes que s&amp;atilde;o como reis absolutistas. T&amp;oacute;picos que simplesmente comandam a vida da pessoa sem que ela se d&amp;ecirc; conta e mesmo quando percebe, algumas vezes nada consegue fazer. Segundo estas pessoas a &amp;ldquo;vontade&amp;rdquo; ou o &amp;ldquo;impulso&amp;rdquo; &amp;eacute; mais forte, n&amp;atilde;o se pode resistir aos mandos e desmandos desse t&amp;oacute;pico. O pior de tudo &amp;eacute; que, &amp;agrave;s vezes, para determinada situa&amp;ccedil;&amp;atilde;o nem &amp;eacute; o melhor t&amp;oacute;pico para aquele momento, aquela situa&amp;ccedil;&amp;atilde;o.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Uma situa&amp;ccedil;&amp;atilde;o corriqueira que pode mostrar muito do que est&amp;aacute; acima &amp;eacute; a &amp;eacute;poca das compras de Natal. Algumas pessoas saem de casa racionalmente cientes de que n&amp;atilde;o podem gastar mais do que certo valor, mas quem manda em suas vidas &amp;eacute; a emo&amp;ccedil;&amp;atilde;o e esta, por sua vez, &amp;eacute; bastante trai&amp;ccedil;oeira. A pessoa chega na loja, v&amp;ecirc; e gosta do produto, sabe que n&amp;atilde;o pode comprar, mas mesmo assim compra. Depois passa dias sem dormir porque n&amp;atilde;o sabe o que vai fazer para pagar, a emo&amp;ccedil;&amp;atilde;o para ela foi absoluta, n&amp;atilde;o deveria ou poderia, mas foi. &lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Rosemiro A. Sefstrom&lt;/p&gt;
</description><author>Instituto Sul Catarinense de Filosofia Clínica</author><pubDate>Thu, 01 Dec 2011 13:09:00 -0200</pubDate></item><item><title>Namoro que não dá casamento!</title><link>http://www.filosofiaclinicasc.com.br/artigo/namoro-que-n-o-d-casamento-92</link><guid>http://www.filosofiaclinicasc.com.br/artigo/namoro-que-n-o-d-casamento-92</guid><description>&lt;p class=&#039;legenda&#039;&gt;&lt;img src=&#039;http://www.filosofiaclinicasc.com.br/image/YTozOntzOjU6IndpZHRoIjtpOjQyNjtzOjc6ImVubGFyZ2UiO2k6MTtzOjM6InNyYyI7czozMToiaW1hZ2Vucy9ub3RpY2lhcy9ub3RpY2lhXzkyLmpwZyI7fQ==/img.jpg&#039; alt=&#039;Namoro que não dá casamento!&#039; /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;
	Nos dias atuais, para muitas pessoas me parece que namorar n&amp;atilde;o est&amp;aacute; mais na moda. Para algumas pessoas isso soa muito estranho, pois para muitos o caminho para o casamento passa pelo namoro. Antigamente o homem interessado em conhecer a mo&amp;ccedil;a, literalmente, conhecer a mo&amp;ccedil;a, precisava da permiss&amp;atilde;o dos pais dela. Nesse processo de conhecer passavam um bom tempo conversando, apenas conversando. Quando era poss&amp;iacute;vel (e dificilmente era) eles pegavam um na m&amp;atilde;o do outro, quando muito davam um beijinho ou outro, &amp;agrave;s escondidas. Esse processo lento levava meses, e o homem ia vagarosamente conhecendo a mo&amp;ccedil;a at&amp;eacute; saber se realmente chegariam ao casamento. Ele sabia do que ela gostava, do que ela n&amp;atilde;o gostava, sabia sua religi&amp;atilde;o, se ela queria ter filhos e quantos, enfim conhecia praticamente o que a mo&amp;ccedil;a entendia por casamento.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Nos dias de hoje (isso n&amp;atilde;o &amp;eacute; regra) o namoro leva tempo quase nenhum e de conversa quase nenhuma. A maioria dos jovens se conhecem, logo est&amp;atilde;o beijando e n&amp;atilde;o muito tempo depois est&amp;atilde;o transando. Nesse tempo de namoro tanto um quanto outro falam de muitas coisas, mas pouco do que poderiam e deveriam falar: casamento. Quando, depois de alguns meses de namoro, resolvem casar &amp;eacute; que v&amp;atilde;o pensar sobre o assunto, a festa de casamento. Quando chegam em casa e colocam-se sob o mesmo teto &amp;eacute; que come&amp;ccedil;am prestar aten&amp;ccedil;&amp;atilde;o na pessoa que vai dividir o mesmo espa&amp;ccedil;o. Essa aten&amp;ccedil;&amp;atilde;o come&amp;ccedil;a a mostrar coisas que n&amp;atilde;o foram ditas no per&amp;iacute;odo em que &amp;ldquo;namoraram&amp;rdquo;, ou &amp;ldquo;ficaram&amp;rdquo; como alguns chamam. Ela e ele n&amp;atilde;o sabiam exatamente o que iriam compartilhar at&amp;eacute; terem de compartilhar.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Quando os namorados passam a viver juntos colocam, cada um, seus conte&amp;uacute;dos em rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o ao outro. Por isso &amp;eacute; t&amp;atilde;o importante a conviv&amp;ecirc;ncia, &amp;eacute; o momento em que o homem ou a mulher sabe se um realmente &amp;eacute; para o outro. &amp;Agrave;s vezes durante o per&amp;iacute;odo que namoravam, a m&amp;uacute;sica estava t&amp;atilde;o alta, a bebida era tanta e as pessoas ao redor eram tantas que ele n&amp;atilde;o conseguiu ouvir que na casa dela quem manda &amp;eacute; ela. Ela tamb&amp;eacute;m pode n&amp;atilde;o ter conversado sobre o h&amp;aacute;bito que ele tem de ir ao bar, nem mesmo se deu conta que ele n&amp;atilde;o tem o menor problema em comprar e n&amp;atilde;o pagar. &lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Cada um dos namorados, muito antes de se encontrarem come&amp;ccedil;aram a construir um conjunto de verdades que s&amp;atilde;o a base de suas vidas. As verdades que cada um tem n&amp;atilde;o s&amp;atilde;o verdades finais, como a for&amp;ccedil;a da gravidade, mas s&amp;atilde;o princ&amp;iacute;pios de verdade. S&amp;atilde;o pequenos e grandes conceitos que cada um coloca na rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o com o outro. Como no caso dos namorados, imagine que a menina n&amp;atilde;o suporta homem que fica devendo para os outros, esse princ&amp;iacute;pio de verdade impediria ela de namorar um homem que n&amp;atilde;o paga suas contas. Quando os princ&amp;iacute;pios de verdade s&amp;atilde;o fortes, por mais que a pessoa goste da outra, suas verdades falam mais alto.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	N&amp;atilde;o existem verdades que sejam boas ou m&amp;aacute;s, certas ou erradas, mas verdades que se tornaram os fundamentos da vida de cada um. Estas verdades, quando colocadas em interse&amp;ccedil;&amp;atilde;o com outras pessoas podem nos aproximar ou nos afastar, unir ou separar. &amp;Eacute; importante saber quais s&amp;atilde;o as suas verdades, elas podem estar lhe aproximando de pessoas e coisas boas, assim como o contr&amp;aacute;rio. Talvez seja s&amp;oacute; no meu mundo que exista isso, mas pessoas que n&amp;atilde;o v&amp;ecirc;em problemas em comprar coisas roubadas, muitas vezes tamb&amp;eacute;m s&amp;atilde;o roubadas.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Rosemiro A. Sefstrom&lt;/p&gt;
</description><author>Instituto Sul Catarinense de Filosofia Clínica</author><pubDate>Thu, 24 Nov 2011 16:20:00 -0200</pubDate></item><item><title>Mudar sem mudar!</title><link>http://www.filosofiaclinicasc.com.br/artigo/mudar-sem-mudar-91</link><guid>http://www.filosofiaclinicasc.com.br/artigo/mudar-sem-mudar-91</guid><description>&lt;p class=&#039;legenda&#039;&gt;&lt;img src=&#039;http://www.filosofiaclinicasc.com.br/image/YTozOntzOjU6IndpZHRoIjtpOjQyNjtzOjc6ImVubGFyZ2UiO2k6MTtzOjM6InNyYyI7czozMToiaW1hZ2Vucy9ub3RpY2lhcy9ub3RpY2lhXzkxLmpwZyI7fQ==/img.jpg&#039; alt=&#039;Mudar sem mudar!&#039; /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;
	H&amp;aacute; um tempo, comentava com uma partilhante acerca de uma peculiaridade de nossa regi&amp;atilde;o, algo hoje menos visto. Quando eu era pequeno, uma das coisas que me impressionavam eram as casas transportadas em cima de caminh&amp;otilde;es. Pensava: &amp;ldquo;como seria poss&amp;iacute;vel a um caminh&amp;atilde;o levar uma casa inteira, levar um lar sobre algumas poucas rodas?&amp;rdquo;. Hoje mudar de lugar e levar a casa j&amp;aacute; n&amp;atilde;o &amp;eacute; mais poss&amp;iacute;vel, a maioria delas &amp;eacute; feita de tijolo e cimento. Essa lembran&amp;ccedil;a retrata muitas pessoas que pedem no consult&amp;oacute;rio para mudar de vida, que gostariam de ser diferentes. Mas como seria esse &amp;ldquo;ser diferente&amp;rdquo;? Pense um pouco nisso, identifique exatamente o que gostaria de mudar.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Depois de pensar no que queria mudar em voc&amp;ecirc; h&amp;aacute; outra pergunta interessante. O que aconteceria se agora voc&amp;ecirc; recebesse uma oportunidade de mudar de vida? Uma das formas de se mudar de vida &amp;eacute; ganhando muito dinheiro, boa parte das pessoas que se conhece hoje pensam ser esse o caminho das pedras. Mas nem todas se perguntam como seria se se tornassem realmente ricas. Onde morariam, o que comeriam, ondem trabalhariam, como fariam para manter o status quo. Sim, o que fariam para manter seu padr&amp;atilde;o de vida, enriquecer n&amp;atilde;o &amp;eacute; t&amp;atilde;o dif&amp;iacute;cil assim, manter-se rico j&amp;aacute; parece ser um tanto mais complicado. Basta perguntar a uma grande maioria que ganhou nas loterias e hoje vive na pobreza.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Quando se quer mudar de vida, &amp;eacute; necess&amp;aacute;rio lembrar que algumas coisas da vida que leva-se hoje ter&amp;atilde;o de ficar para tr&amp;aacute;s. Se quiser ficar rico, a primeira coisa que ter&amp;aacute; de deixar &amp;eacute; a vizinhan&amp;ccedil;a onde vive atualmente, talvez alguns lugares dever&amp;atilde;o deixar de ser frequentados, inclusive a casa de alguns amigos. Na veradade, alguns amigos ir&amp;atilde;o se afastar por saberem que a diferen&amp;ccedil;a entre eles e voc&amp;ecirc; torna a conviv&amp;ecirc;ncia um tanto complicada. Indo um tanto mais fundo e sendo mais radical, alguns parentes, pessoas do seu sangue voc&amp;ecirc; n&amp;atilde;o poder&amp;aacute; mais visitar. Mudar de vida significa abandonar muitas coisas que fazem parte dela agora, e nem todos est&amp;atilde;o dispostos a sacrificar o que tem para sair de onde est&amp;atilde;o.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Al&amp;eacute;m de mudar, &amp;eacute; necess&amp;aacute;rio fazer amarra&amp;ccedil;&amp;otilde;es de modo que a mudan&amp;ccedil;a tenha sustenta&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Ainda h&amp;aacute; pouco via no jornal as v&amp;aacute;rias tentativas em se tirar os traficantes da vida das pessoas de comunidades pobres do Rio de Janeiro. Mas a maneira como era feito &amp;eacute; que n&amp;atilde;o estava certa. Os policiais entravam na comunidade, prendiam os bandidos e se certificavam de que estava tudo em paz. Depois disso deixavam a favela e tudo voltava ao &amp;ldquo;normal&amp;rdquo;, inclusive com uma nova fac&amp;ccedil;&amp;atilde;o crimonosa que tomava lugar da que foi presa ou morta. Sustentar pode ser significado como aguentar, tornar comum essa nova situa&amp;ccedil;&amp;atilde;o de vida e aliment&amp;aacute;-la. Aos que desejam a riqueza, recomenda-se cultivar o que faz parte desse mundo: a cultura, a leitura, as conversas, as pessoas com quem se convive. Se n&amp;atilde;o estiveres disposto a assumir a condi&amp;ccedil;&amp;atilde;o da riqueza, provavelmente ser&amp;aacute; dif&amp;iacute;cili de &amp;ldquo;ser&amp;rdquo; rico.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	A palavra mudan&amp;ccedil;a est&amp;aacute; na cabe&amp;ccedil;a de muitas pessoas que buscam a terapia, muitas delas pedem com todas as letras: &amp;ldquo;Doutor, eu gostaria de ser diferente&amp;rdquo;. Mas nem todas elas, na verdade em sua maioria, n&amp;atilde;o sabem que para ser diferente precisar&amp;atilde;o abandonar o que s&amp;atilde;o hoje e adquirir as caracter&amp;iacute;sticas do que desejam ser. Infelizmente, algumas coisas t&amp;ecirc;m de ficar para tr&amp;aacute;s, coisas que se gosta, pessoas que se gosta. Al&amp;eacute;m de abandoar tamb&amp;eacute;m &amp;eacute; necess&amp;aacute;rio assumir, tanto coisas que se gosta quanto coisas de que n&amp;atilde;o se gosta. Mudar &amp;eacute; deixar e assumir, o que e quem for necess&amp;aacute;rio.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Rosemiro A. Sefstrom&lt;/p&gt;
</description><author>Instituto Sul Catarinense de Filosofia Clínica</author><pubDate>Thu, 17 Nov 2011 14:26:00 -0200</pubDate></item><item><title>Aos amigos!</title><link>http://www.filosofiaclinicasc.com.br/artigo/aos-amigos-90</link><guid>http://www.filosofiaclinicasc.com.br/artigo/aos-amigos-90</guid><description>&lt;p class=&#039;legenda&#039;&gt;&lt;img src=&#039;http://www.filosofiaclinicasc.com.br/image/YTozOntzOjU6IndpZHRoIjtpOjQyNjtzOjc6ImVubGFyZ2UiO2k6MTtzOjM6InNyYyI7czozMToiaW1hZ2Vucy9ub3RpY2lhcy9ub3RpY2lhXzkwLmpwZyI7fQ==/img.jpg&#039; alt=&#039;Aos amigos!&#039; /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;
	&amp;quot;Na juventude, n&amp;atilde;o devemos hesitar em filosofar; na velhice, n&amp;atilde;o devemos deixar de filosofar. Nunca &amp;eacute; cedo nem tarde demais para cuidar da pr&amp;oacute;pria alma. Quem diz que n&amp;atilde;o &amp;eacute; ainda, ou j&amp;aacute; n&amp;atilde;o &amp;eacute; mais, tempo de filosofar, parece-se ao que diz que n&amp;atilde;o &amp;eacute; ainda,ou j&amp;aacute; n&amp;atilde;o &amp;eacute; mais, tempo de ser feliz. Jovens ou velhos, devemos sempre filosofar; no &amp;uacute;ltimo caso, para rejuvenescermos ao contacto do bem, pela lembran&amp;ccedil;a dos dias passados, e no primeiro, para sermos, embora jovens, t&amp;atilde;o firmes quanto um anci&amp;atilde;o diante do futuro. &amp;Eacute; mister, pois, estudar os meios de adquirir a felicidade; quando a temos, temos tudo; quando a n&amp;atilde;o temos, fazemos tudo por adquiri-la.&amp;quot; (Epicuro, em &amp;#39;Carta a Meneceu&amp;#39;.).&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Da Filosofia &amp;agrave; Filosofia Cl&amp;iacute;nica, agora est&amp;atilde;o preparados para olhar o outro como ser &amp;uacute;nico, singular, ele por ele mesmo. O preparo para isto veio com Prot&amp;aacute;goras, homem que mostrou que &amp;ldquo;o homem &amp;eacute; a medida de todas as coisas, das que s&amp;atilde;o enquanto s&amp;atilde;o, das coisas que n&amp;atilde;o s&amp;atilde;o, enquanto n&amp;atilde;o s&amp;atilde;o&amp;rdquo;. Assim tamb&amp;eacute;m sabereis que o que &amp;eacute; bom ou mau, certo ou errado o &amp;eacute; para si mesmo, de acordo com sua hist&amp;oacute;ria de vida. &lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	N&amp;atilde;o haver&amp;aacute; como tomar banho no mesmo rio, n&amp;atilde;o porque ele tenha mudado, talvez tenha, como disse Dem&amp;oacute;crito. Ser&amp;aacute; imposs&amp;iacute;vel tomar banho no mesmo rio, porque este rio ser&amp;aacute; diferente em cada um segundo a sua representa&amp;ccedil;&amp;atilde;o, como ensinado por Schopenhauer. Ouvir, estabelecer la&amp;ccedil;os de interse&amp;ccedil;&amp;atilde;o e saber calar para deixar brotar a subjetividade do outro em sua historicidade e aprender como o outro se estruturou.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Agora historicizados, conhecidos por si mesmos, est&amp;atilde;o prontos para seguir em frente em invers&amp;atilde;o, voltados a si mesmos como objetos de conhecimento. Fazendo uso da epistemologia de acordo com o que aprendestes podes ver em si mesmo as falhas, defeitos e usar os submodos para corrigir. Talvez n&amp;atilde;o seja necess&amp;aacute;rio, sabendo que &amp;eacute;s como &amp;eacute;s, pelos motivos que &amp;eacute;s e talvez deva ser assim mesmo. &amp;Eacute; prov&amp;aacute;vel que a pr&amp;oacute;pria hist&amp;oacute;ria de vida prove que n&amp;atilde;o deverias ser diferente, do contr&amp;aacute;rio n&amp;atilde;o serias assim, quem &amp;eacute;s. Mas quando, mesmo assim, resolver mudar, respeita a ti mesmo.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Quando conversares com algu&amp;eacute;m lembra dos fil&amp;oacute;sofos da linguagem e seus ensinamentos. Wittgenstein, um dos mestres do assunto, ensinou que a linguagem &amp;eacute; um jogo e que s&amp;oacute; as pessoas que estiverem dentro do jogo saber&amp;atilde;o do que se trata. &amp;Eacute; invi&amp;aacute;vel tentar explicar o que &amp;eacute; &amp;oacute;bvio com palavras dif&amp;iacute;ceis, para estes casos sejas simples e claro. Conversar &amp;eacute; a arte de ouvir e falar, mais ouvir do que falar.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	De agora em diante, antes de emitir ju&amp;iacute;zo pensa no roteiro existencial vivido at&amp;eacute; aqui, o que voc&amp;ecirc; analisa agora teve um ontem. &amp;Eacute; bom entender que os eventos t&amp;ecirc;m passado, presente e ter&amp;atilde;o um futuro, que muitas vezes depende de voc&amp;ecirc;. Um bom ju&amp;iacute;zo pode garantir a melhor decis&amp;atilde;o, por&amp;eacute;m, nem sempre ser&amp;aacute; assim, mas se assim for ao decidir, quando errar, estar&amp;aacute;s errando com certeza.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Por fim, s&amp;ecirc; testemunho das tuas palavras, se pregares amor, perd&amp;atilde;o, aten&amp;ccedil;&amp;atilde;o, n&amp;atilde;o d&amp;ecirc; intoler&amp;acirc;ncia, ofensas. O melhor que se pode ter daquilo que se aprendeu &amp;eacute; a pr&amp;aacute;tica. Na teoria muitos consertaram o mundo, mas na pr&amp;aacute;tica isso &amp;eacute; tarefa de cada um. Seja voc&amp;ecirc; tamb&amp;eacute;m uma testemunha de que &amp;eacute; poss&amp;iacute;vel ver o ser humano como &amp;uacute;nico e respeit&amp;aacute;-lo como tal. Aos amigos e novos fil&amp;oacute;sofos cl&amp;iacute;nicos.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Rosemiro A. Sefstrom&lt;/p&gt;
</description><author>Instituto Sul Catarinense de Filosofia Clínica</author><pubDate>Wed, 09 Nov 2011 13:09:00 -0200</pubDate></item><item><title>Partir...</title><link>http://www.filosofiaclinicasc.com.br/artigo/partir-89</link><guid>http://www.filosofiaclinicasc.com.br/artigo/partir-89</guid><description>&lt;p class=&#039;legenda&#039;&gt;&lt;img src=&#039;http://www.filosofiaclinicasc.com.br/image/YTozOntzOjU6IndpZHRoIjtpOjQyNjtzOjc6ImVubGFyZ2UiO2k6MTtzOjM6InNyYyI7czozMToiaW1hZ2Vucy9ub3RpY2lhcy9ub3RpY2lhXzg5LmpwZyI7fQ==/img.jpg&#039; alt=&#039;Partir...&#039; /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;
	&amp;Eacute; preciso cuidado ao considerar a Filosofia Cl&amp;iacute;nica apenas como a filosofia acad&amp;ecirc;mica adaptada ao consult&amp;oacute;rio. Ela &amp;eacute; muito mais do que isso: acaba se constituindo como uma nova forma de olhar o mundo, ou seja, uma nova ferramenta de observa&amp;ccedil;&amp;atilde;o da realidade. Como ferramenta ela faz com que seus pesquisadores retomem estudos que h&amp;aacute; muito estavam parados e desenvolvam novas respostas. Uma das perguntas que &amp;eacute; t&amp;atilde;o antiga quanto a filosofia &amp;eacute;: &amp;ldquo;Para onde vamos depois?&amp;rdquo; Para alguns, a pergunta &amp;eacute; ainda diferente: &amp;ldquo;Existe um depois?&amp;rdquo; A quest&amp;atilde;o &amp;eacute; interessante, mas o intrigante &amp;eacute; o fato de que o ser humano n&amp;atilde;o sabe o que acontece quando ele morre.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	A medicina tem uma resposta f&amp;aacute;cil para o que ela se prop&amp;otilde;e, a resposta &amp;eacute; muito boa. Segundo pesquisas, para a medicina morte &amp;eacute; o t&amp;eacute;rmino das fun&amp;ccedil;&amp;otilde;es vitais. Com base nessa defini&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;eacute; interessante pensar na sua vida, nas suas fun&amp;ccedil;&amp;otilde;es vitais, naquilo que faz de voc&amp;ecirc; um ser vivo. Como se diz no popular, trocando em mi&amp;uacute;dos, se pensar na sua vida, no seu dia de trabalho, conviv&amp;ecirc;ncia com a fam&amp;iacute;lia, lazer, estudos, etc., o que &amp;eacute; que faz voc&amp;ecirc; viver? Algumas pessoas vivem por causa das buscas que estabeleceram na vida, ou seja, elas vivem enquanto tiverem um objetivo, por exemplo: ficar rico. Ent&amp;atilde;o, para essas pessoas, a busca de ficar rico &amp;eacute; a sua fun&amp;ccedil;&amp;atilde;o vital e quando esta parar de funcionar, se n&amp;atilde;o houver nada a se colocar no lugar a pessoa pode morrer.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	&amp;Eacute; claro que o sentido de morrer do texto &amp;eacute; figurado, como algu&amp;eacute;m morreria vivo? &amp;Eacute; simples: pense em quantas pessoas das quais voc&amp;ecirc; conhece que est&amp;atilde;o vivas simplesmente porque se acostumaram a estar vivas? Elas acordam pela manh&amp;atilde;, se encaminham para seu trabalho, conversam com a esposa e filhos no final do dia, dormem e no outro dia come&amp;ccedil;a tudo de novo. N&amp;atilde;o &amp;eacute; a repeti&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos dias que mata, mas a perda da fun&amp;ccedil;&amp;atilde;o vital. Algumas pessoas, as quais foram lembradas ontem por ocasi&amp;atilde;o do dia de Finados, est&amp;atilde;o muito mais vivas do que muitos vivos, sua fun&amp;ccedil;&amp;atilde;o vital continua pulsando. Talvez n&amp;atilde;o no seu peito, mas em centenas de milhares.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Um &amp;oacute;timo exemplo s&amp;atilde;o os fil&amp;oacute;sofos. Quantos deles tinham como fun&amp;ccedil;&amp;atilde;o vital questionar e mesmo depois de mortos continuam desafiando? Isto mostra que estes personagens, mesmo depois de muito tempo sem uma viv&amp;ecirc;ncia corporal continuam vivos. Em Filosofia Cl&amp;iacute;nica, o corpo &amp;eacute; apenas uma das partes que comp&amp;otilde;em uma pessoa e por ele passam apenas alguns dos v&amp;aacute;rios aspectos que formam cada ser humano. Ao seu lado, todos os dias existem pessoas para quem a vida j&amp;aacute; passou, eles j&amp;aacute; partiram, sua fun&amp;ccedil;&amp;atilde;o vital j&amp;aacute; terminou. E n&amp;atilde;o h&amp;aacute; nada de errado com isso, estas pessoas podem continuar vivendo por fun&amp;ccedil;&amp;otilde;es vitais de outras pessoas.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Da mesma forma que num hospital, quando as fun&amp;ccedil;&amp;otilde;es vitais come&amp;ccedil;am a se debilitar o m&amp;eacute;dico liga a pessoa aos aparelhos e mant&amp;eacute;m a pessoa viva, existencialmente tamb&amp;eacute;m pode-se ligar a pessoa a dispositivos mec&amp;acirc;nicos que v&amp;atilde;o garantir sua sobreviv&amp;ecirc;ncia, reorientar sua caminhada, ao menos enquanto o corpo tiver vida. Em outras palavras, se pode colocar na vida da pessoa coisas que a ajudam ter for&amp;ccedil;a vital. Um marido pode colocar na vida da esposa um filho, um empres&amp;aacute;rio pode colocar em sua vida outra empresa, algu&amp;eacute;m que gosta de aprender pode colocar outro curso superior. H&amp;aacute; v&amp;aacute;rias maneiras de se continuar vivo, assim como h&amp;aacute; muitos modos de se morrer em vida.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	Rosemiro A. Sefstrom&lt;/p&gt;
</description><author>Instituto Sul Catarinense de Filosofia Clínica</author><pubDate>Thu, 03 Nov 2011 13:16:00 -0200</pubDate></item></channel></rss>
