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26/07/2013

Deus está Morto?

Deus está Morto?

Querido leitor, que você esteja bem. Você já se deu conta de que Deus não comanda mais a vida de muitas pessoas como comandava na Idade Média? E que grande parte da humanidade não consulta mais Deus para tomar suas decisões? Deus está vagando por aí, mas, na realidade, ele é apenas uma autoridade invisível.

Para mim, por ora, analiso que quando Nietzsche diz que “Deus está morto, nós o matamos”, ele não está pregando o ateísmo. Ele apenas está constatando a perda da força da religiosidade naquele tempo, lugar, relação e circunstância. A força da religiosidade é você conferir a uma entidade o poder sobre você.

O que provavelmente Friedrich Nietzsche queria dizer é que as pessoas não são tão crédulas como elas se dizem ser. E que muitos ficam esperando que Deus faça por eles ou por nós algo que é de nossa responsabilidade e não de Deus. Passam a ser objetos, deixam de ser sujeitos. Você possivelmente deve conhecer pessoas que ficam invocando Deus até para ajuda-lo a pagar a parcela do crediário que, por sua desorganização, agora quer transferir para Javé a responsabilidade.

Nietzsche, no seu livro Assim falou Zaratustra, ele fala do “além homem”, ou seja, que o homem não é apenas o que muitos naquele contexto afirmavam ser. “Deus está morto, nós o matamos”. Quantas pessoas que você conhece hoje, que se diz religiosa, consulta Deus para tomar suas decisões? Poucas? Naquela época muitas, porém, ali estava se iniciando um movimento que questionava sobre a autoridade de Deus e foi isso que Nietzsche constatou.

Vamos a alguns exemplos sobre o que Nietzsche escreveu.

Um deles é na arte. Basta você observar a arte medieval e verá que na Idade Média a arte era sacra e na Idade Moderna a arte migra para o surrealismo. Ou seja, sai a teologia e entra a poesia.
Outro exemplo é a ciência medieval, que era baseada na teologia e reinava sobre ela. Hoje, nas universidades modernas, constata-se que a teologia quase desapareceu e que o foco são as matérias técnicas, engenharia, medicina, direito.

A perda da força da religiosidade é a perda da força de Deus. Para Nietzsche, aquele Deus da Idade Média está definhando e morrendo, é questão de tempo.

Diferente da religiosidade, a religião está aí com uma vitalidade até incompreensível, mas fora do mundo da ciência, das fábricas, das usinas, das armas, do dinheiro, dos bancos, da propaganda, da venda, da compra, do lucro. É compreensível que poucos pais sonhem com a carreira sacerdotal para seus filhos.

O grande filósofo, teólogo e psicanalista, Rubem Alves, escreve que para perguntas como: “Deus existe? A vida tem sentido? A morte é minha irmã?” a alma religiosa só pode responder: “Não sei. Não sei”. E continua o filósofo: “Não sei, mas desejo ardentemente que assim seja e me lanço inteiro porque é mais belo o risco ao lado da esperança que a certeza ao lado de um universo frio e sem sentido...”. Eu comungo com Rubens Alves.

Para Nietzsche, Deus está morto, e isso era assim para Nietzsche. E para você, Deus está morto?

Beto Colombo

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