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Artigos

08/12/2011

Além!

Além!

Há um filósofo do qual se tem falado muito nos últimos tempo, tendo em vista que suas ideias ainda permanecem atuais. Falo de Nietzsche, cuja obra “Além do bem e do mal”, dá continuidade ao que iniciou em Zaratustra, propondo um estudo sobre a moral e suas implicações. Nesta obra, o filósofo aponta para dois tipos de moral, sendo que a primeira se fundamenta nos fortes, os que têm força para fazer valer a sua vontade. O segundo tipo de moral é aquele no qual os fortes são subjugados pelos fracos por uma moral que valoriza a humildade, compaixão, submissão, etc. Segundo ele, a primeira moral é aquela que leva o homem para além do homem, leva-o ao status de super-homem. O super-homem nada mais é que o homem que atravessou a linha, foi além, é aquele que faz as próprias regras, para quem ser ovelha não é mais possível.

Plagiando o filósofo pode-se dizer: “Além da alegria e da tristeza!” Ou ainda: “Além da mania e da depressão!” É possível dizer também: “Além da normalidade e da insanidade”. Assim como Nietzsche, muitos outros filósofos e pensadores descobriram o que muitas pessoas nascerão e morrerão sem saber. Os limites, as limitações, as barreiras, cercas, grades, muros só existem porque foram colocados naquele lugar por alguém, mas se acredita com tanta força que estes limites estão lá, que eles acabam cumprindo o seu papel. As barreiras servem como maneira de diminuir os espaços de abrangência de um conceito, só que esse conceito é a própria vida. Quando se diz que há um bem e um mal, se diz que existe um limite, porque de alguma maneira, terei de estar em um ou em outro. Mas pode não ser bem e nem mal, pode ser algo ainda diferente, certo e errado, por exemplo.

Ao longo dos milhares de anos em que o ser humano vem evoluindo, também com ele evoluem as formas de limitação e dominação. Não são poucas as pessoas que entendem que há ou existem linhas bem claras entre o certo e o errado, o bem e o mal, o feio e o bonito, conceitos que colocam cada coisa em seu lugar. Aprenderam, reproduzem e ensinam assim, contestando qualquer um que pense, diga ou tente fazer diferente. O caráter evolutivo é justamente o da mutação, ou seja, a modificação de algo que até então “era assim”. O melhoramento de uma espécie, segundo Darwin, se dá pela adaptação ao meio como garantia de sobrevivência. Mas o ser humano é só isso?

O ser humano é o único ser que pode ir além, porque não “além da natureza”. Tudo isso está dito para lembrar que não existe algo que seja assim. Segundo a ontologia, determinada coisa é assim agora, pode não ser daqui a pouco. Se um homem, por ser homem, tem natureza de homem, qual seria a natureza da mulher? Diferente? É uma pobreza de espírito imensa pensar que homens e mulheres são apenas corpo e instinto, esquecendo da capacidade de pensar, escolher e decidir. Pense em você mesmo, em quem você é agora e veja o quais são os limites que impedem você de ir além de si mesmo.

Quando Nietzsche mostra que existe um além, muitos se assustam, pensam que ele prega o ateísmo ou algo do gênero. Muito pelo contrário, ele ensina que o ser humano é muito mais do que meia dúzia de preceitos que o definem. Os limites existem para as pessoas que os vêem.

Rosemiro A. Sefstrom

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